Um olhar além da ponte
Em meio à invisibilidade social o fotógrafo Tiago Rezende resgata, através de imagens, o cotidiano dos moradores de rua
Desde pequeno Tiago Rezende alimentava uma curiosidade: Como poderia uma imagem sair de dentro de uma caixa preta? Foi então que resolveu desmontar uma câmera fotográfica antiga e saber como funcionava o processo de fotografar. Desde então, Tiago iniciou sua busca por histórias escondidas, que mais tarde foram reveladas através de suas lentes.
Dividindo o tempo entre o interesse pela fotografia e o trabalho, Tiago começou a faculdade de publicidade e propaganda, onde aprendeu as técnicas fotográficas e pôde iniciar a sua história no ramo visual. “O que me proporcionou um bom aprendizado, foi o fato de fotografar com filme e em câmera analógica. Pude aprender todo processo da fotografia, desde a escolha do filme, até ampliação em banho químico, tudo manual, passo a passo”, lembra o fotógrafo.

Tiago se dedica fielmente a fotografar pessoas em situações cotidianas, entre seus trabalhos destacam-se o projeto fotográfico “Olhares do Carandiru”, uma sessão realizada na Casa de Detenção Carandiru enquanto ainda cursava a faculdade e os retratos de moradores de rua, iniciado em 2004 na cidade de Porto Alegre e que até hoje faz parte das obras do fotógrafo.
“Em Porto Alegre consegui comprar uma câmera digital compacta e fui dando forma ao meu trabalho com moradores de rua. Em 2006, fiz a primeira exposição deste tema, na Galeria Mundo Arte Global. No ano de 2007 recomecei o trabalho na cidade de São Paulo, com equipamentos mais apropriados”, revela Tiago.
Além das galerias de arte, Tiago expôs seu trabalho na Passagem Subterrânea da Consolação e no Centro Cultural Palace em Ribeirão Preto, onde pode ser visto até o dia 21 de dezembro. “Desde 2009, venho fotografando diversos temas, e aos poucos, me adaptando a uma realidade profissional”, acrescenta.
Skatista por natureza e fotógrafo por paixão Tiago Rezende vem desenvolvendo o seu trabalho com moradores de rua há oito anos. Ao praticar o esporte pelas ruas de Ribeirão Preto e São Paulo o fotógrafo viu de perto a situação de uma parcela esquecida da população brasileira. “Este trabalho com moradores de rua, é uma forma de expressão, é arte. E por se tratar de um trabalho artístico, ele pode alertar, pode causar reflexão, da forma que cada um captar, a mensagem é livre”, acrescenta.
A exposição “Moradores em situação de rua” pode ser vista pela população ribeirãopretana no Centro Cultural Palace até o dia 21 de dezembro. “Nesta exposição, trouxe uma seleção de 35 fotos, são dois trabalhos fotográficos de um único tema. Na primeira mostra “Venha dormir em casa”, a intenção é expor um momento importante na vida de qualquer pessoa, o sono. Porém a realidade apresentada é a de quem deita e dorme na rua. E na segunda mostra “Nada melhor que ser notável” o público irá conhecer este ser invisível, que anda pelas ruas de forma anônima, e que se manifesta apenas pela sobrevivência”, explica Tiago.
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Texto: Pâmela Silva
Fotos: Julio Sian