Um quê de engenharia
Antonio Bernando apresentou a coleção em Ribeirão Preto
O designer de joias Antonio Bernardo esteve em Ribeirão Preto na última semana para lançar sua mais nova coleção. “Na verdade, tenho um processo contínuo de produção. Então, de tempos em tempos, reúno essas criações e lanço uma nova coleção. Porém, não trabalho com temas, minhas peças não são concebidas para isso e eu acredito que seja mais eficaz”, esclarece.
Pensadas com esse propósito ou não, a coleção que ele apresentou parece uma celebração à vida, remete às festas de final de ano, aos brilhos e elementos desse momento. Com ouro, prata e pedras, Antonio Bernardo cria peças que se movimentam, que interagem com quem as usa. São peças que têm um quê de engenharia. Um bom exemplo é a pulseira Together, composta por dois aros entrelaçados, que podem formar uma figura côncava ou convexa, dependendo do que se pretende.
Outra peça apresentada que chamou a atenção no lançamento foi o anel Leblon, inspirado no bairro onde Antonio Bernardo mora. Composta por 210 diamantes e 169 safiras, a peça concentrou muitos olhares. Assim também aconteceu com o brinco Momento, que, segundo o designer, representa o momento máximo da criação: o espermatozóide penetrando o óvulo.
Enfim, as criações de Antonio Bernardo têm sempre uma explicação, uma história, uma pitada a mais de criatividade. Para entender um pouco melhor o seu processo de criação, cinco das convidadas que estiveram no lançamento da coleção na loja de Ribeirão Preto tiraram suas dúvidas com o designer.
Percebo que hoje você está usando mais pedras nas suas criações. É isso mesmo?
Na verdade, já usei muitas pedras antes, principalmente no final dos anos 80, mas depois cansei e agora voltei. Mas, mesmo durante esse tempo em que estava cansado das pedras, elas faziam parte de uma ou outra peça. (Por Andrea Figueiredo Biagi, empresária)
Como você consegue dar movimento às peças? É tudo calculado?
Não, eu não sou de desenhar. Faço pequenos modelos e vou analisando o resultado. Nem sempre esses protótipos são feitos no material que a peça será produzida. Então, faço o protótipo, depois escolho o material e só então faço a peça propriamente dita. É sempre um experimento. (Por Márcia Mariani, advogada)
Acho que os nomes que você dá às suas peças são extremamente condizentes. Você primeiro cria o nome ou a peça?
Primeiro crio a peça e depois dou o nome. Depois que ela está pronta, o nome vem à minha mente. Às vezes, eu mesmo me surpreendo com essa relação tão próxima entre um e outro. (Por Paula Wanderley Mari, empresária)
Que tipo de trabalho lhe dá mais prazer?
Não está ligado ao material nem exatamente à forma. O que me dá prazer é quando consigo juntar um sentido àquela forma. Isso sim me proporciona um grande prazer. Costumo dizer que tenho alguns prazeres: primeiro quando concebo, depois com o protótipo, em seguida com a peça exposta na loja e, por fim, a joia sendo usada. (Por Rita Biagi, artista plástica)
No meu trabalho, percebo que a transpiração é tão importante quanto a inspiração. Você tem algum método de trabalho?
Concordo com o que você diz, porém não tenho uma rotina de criação fixa. Geralmente, entre 14h e 17h dedico-me mais a isso, mas estou sempre criando. As ideias aparecem durante o dia todo. (Por Lolo Junqueira, artista plástica)