Um refúgio em meio à dor
Casa de apoio do GACC tem papel fundamental no suporte a pacientes com câncer
Lidar com o câncer é sempre uma situação limite. Mas, quando a doença acomete crianças e adolescentes, a comoção é ainda maior. Quem acompanha de perto os internos de um hospital e seus familiares sabe como é difícil suportar as fases críticas da doença. A consciência dessa realidade levou os profissionais do Departamento de Pediatria e Puericultura do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto a organizarem, em 1985, um grupo para discutir todos os aspectos envolvidos no tratamento do câncer infantil: o Grupo de Apoio à Criança com Câncer (GACC). Por comodato, o Grupo recebeu da Prefeitura do Campus administrativo da Universidade de São Paulo um imóvel, onde foi inaugurada a Casa de Apoio do GACC, em 1992.
Com caráter filantrópico, a Casa de Apoio hospeda, em média, 170 pessoas ao ano e fornece quatro refeições diárias. Mas o GACC, com seus oito funcionários e 45 voluntários, proporciona oficinas, passeios, recreação e uma assistência que abrange serviço social, nutrição, psicologia, fisioterapia, odontologia, terapia ocupacional, programa de reinserção social, além de toda a assistência especificamente associada à doença por meio da parceria com o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Segundo levantamento realizado até julho de 2011, 69% dos pacientes do GACC vem de Ribeirão Preto e região, 24% dos demais municípios do Estado e 7% de outras regiões.
Luiz Gonzaga Tone (CRM 19225) é professor titular e chefe do departamento de Puericultura e Pediatria da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, foi um dos fundadores e hoje faz parte do Conselho do GACC. “Na época, decidimos montar um grupo de apoio para suprir as necessidades dos pacientes. Hoje, só atendemos pacientes do Sistema Único de Saúde. Os técnicos são contratados para prestar atendimentos que o Hospital das Clínicas não pode oferecer ou oferece de forma insuficiente. Eles recebem treinamento específico para atender as crianças com câncer”, ressalta Luiz Gonzaga.
A porta de entrada da Casa de Apoio é o Hospital das Clínicas, onde as crianças são triadas por assistentes sociais, tendo suas famílias encaminhadas ao GACC, segundo o presidente do Grupo, José Mário Tamanini. “As famílias que não têm onde ficar permanecem na Casa de Apoio pelo tempo que precisarem. Os voluntários têm uma participação importante na administração da Casa, na recreação, na busca de doações, na organização de eventos e do brechó, uma das principais fontes de arrecadação para o GACC”, afirma. O Grupo também tem parceria com o Instituto Ronald McDonald, que assegura um boa verba com o dia do Mc Lanche Feliz, com o Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) e com o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA).
A voluntária mais antiga do GACC é Ana Terezinha de Oliveira Abu Jamra. Para ela, a Casa de apoio representa a realização de um sonho de seu falecido marido, José Fernando Abu Jamra, um dos responsáveis por providenciar um abrigo para essas famílias dentro do campus da USP. “A Instituição praticamente surgiu no escritório do meu marido. Quando chegamos, não tinha praticamente nada. É uma semente que você joga, que está germinando e nunca vai parar de germinar”, conta Ana.
Entre os serviços prestados pela voluntária Marise Aparecida Cardoso Minto estão as tarefas de visitar os internos e prestar atendimento às famílias. “Os familiares precisam de atenção, sentem necessidade de alguém para conversar, discutir seus problemas. Procuramos tirá-las da tensão causada pela doença”, explica Marise.
Cleudilene Soares da Silva está hospedada na Casa de Apoio. Ela veio do Amapá acompanhando Rafael, seu filho de 4 anos, que luta contra a doença. “Se não tivesse a Casa de Apoio, eu teria que pagar uma pousada. O único meio de acompanhar meu filho é esta Casa”, afirma. O estudante Adriano Epifânio Alves de Freitas, 19 anos, é de Rio Verde, Goiás. “A primeira vez que estive na Casa de Apoio estava com sete anos. Tinha um câncer no tronco cerebral, que está completamente curado, só venho para fazer o acompanhamento”, justifica. Segundo Adriano, é muito bom poder contar com um local que dá apoio e que fica tão próximo do Hospital das Clínicas.
Para se associar ao GACC, basta ligar para os tels.: (16) 3633.1731 e 3602.3508. Mais informações podem ser adquiridas pelo site www.gaccribeiraopreto.com.br