Um vício arrasador

Um vício arrasador

O tabagismo mata 3,5 milhões de pessoas anualmente no mundo

Pode parecer meio sinistro, soar fúnebre e até catastrófico, mas a realidade é que 3,5 milhões de mortes no mundo, anualmente, são atribuídas ao tabagismo. Isso significa que dez mil pessoas morrem diariamente de alguma enfermidade como infarto, derrame, enfisema pulmonar e tumores, causados pelo cigarro.

Cerca de 4.700 substâncias já foram isoladas da combustão completa do tabaco. Um cigarro, que pesa aproximadamente uma grama, leva 10 minutos — entre oito e dez tragos — para queimar por completo. A cada tragada uma pessoa ingere 25 ml de fumo totalizando 250 ml por cigarro. De todos os 4.700 componentes nocivos presentes no cigarro, deve-se destacar a nicotina, responsável pela dependência química do tabaco. Cada cigarro tem em média 2,5 a 3,5 mg de nicotina. Essa substância é a base química dos herbicidas, assim, uma pessoa que fuma cerca de 20 cigarros por dia, estaria ingerindo cerca de 60 mg de nicotina. Outro componente do cigarro altamente nocivo ao organismo humano é o 3.4 benzopireno. Agente químico cancerígeno mais potente conhecido atualmente. Essas informações constam na pesquisa feita pelo professor Antonio Ruffino Netto. 

Para o professor titular de medicina social da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), Antonio Ruffino, que há 30 anos realiza estudos sobre o tabagismo, afirma que cerca de 56 patologias estão relacionadas ao uso do cigarro. “Hoje já existem muitos meios para suprir o vício do cigarro, mas o fundamental é a vontade e o interesse do fumante em querer parar” ressalta.

Os benefícios de parar de fumar são imediatos, no primeiro minuto sem cigarro o corpo já começa a passar por mudanças. Depois de 20 minutos a pressão volta ao normal, em oito horas sem fumar, as taxas de nicotina e de monóxido de carbono caem pela metade. O oxigênio volta ao normal 24 horas depois, o monóxido de carbono é eliminado do corpo, com 48 horas a nicotina é eliminada, melhorando o olfato e o paladar, 72 horas depois a respiração melhora. De duas a 12 semanas sem o cigarro, a circulação já funciona melhor, de três a nove meses a tosse, os barulhos na respiração e os problemas respiratórios diminuem na medida em que a função pulmonar melhora. 

Ao completar seis meses sem fumar os riscos de infecções respiratórias diminuem e melhora ainda mais a circulação, em um ano o risco de morte por doença cardiovascular cai pela metade. Dez anos depois, o risco de morte por câncer de pulmão cai entre 30% e 50% e em 20 anos o risco de tumores entre um ex-fumante é similar a quem nunca fumou.

Até meados da década de 1980, fumar era símbolo de status, no entanto, a medicina descobriu o quanto era devastador os efeitos causados pela nicotina. Segundo estimativas do ex-secretário da saúde do Estado de São Paulo, o professor José da Silva Guedes, cerca de um terço dos leitos hospitalares estão ocupados com doenças relacionadas ao tabaco. “Podemos fazer uma análise simples, se fosse removido o uso do tabaco na comunidade, os hospitais ficariam com um terço dos seus leitos disponíveis, são doenças que poderiam ter sido evitadas” analisa Ruffino.

Revide On-line (Colaborador Bruno Silva)
Foto: Divulgação

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