Uma força para o amor
Graças à atuação dos cupidos, histórias de amor tornaram-se bem-sucedidas e viraram enredo para este Dia dos Namorados
Dizem que quando chega a hora do amor, ele simplesmente acontece. Mas isso não quer dizer que ele ocorre de uma forma simples. Cheio de artimanhas, o amor, às vezes, surge em momentos conturbados, chega disfarçado na forma de amizade, aparece em cenários inusitados, acontece em situações inesperadas, faz-se presente em um vai e vem aparentemente difícil de persistir.
Porém, sendo ele uma das forças mais potentes de que se tem conhecimento, as adversidades tornam-se pequenas diante de tamanha grandeza. Além de toda a nobreza que envolve o sentimento, o amor tem uma aura de astúcia, uma espécie de conspiração a favor para que aquilo realmente se realize. É exatamente nesse cenário que surge uma figura emblemática: o cupido.
Pode parecer história de ficção, mas os cupidos são personagens da vida real e desempenham papéis de extrema importância em romances bem-sucedidos. Eles não saem às ruas carregando arcos e flechas do amor, tampouco usam asas brancas, mas realizam ações ímpares em nome do amor.
A educadora física Ana Beatriz Santiago Assed Brassarola sabe bem o que é fazer o papel de cupido. Ela foi a responsável pela aproximação da jornalista Letícia Bighetti Savegnago e do empresário Rodolfo Savegnago, casados há sete meses. “Tudo se iniciou no dia que eu estava na esteira, na academia da Bia, e o Rodolfo chegou para fazer avaliação física. Depois de algum tempo, comecei a encontrá-lo com frequência”, conta Letícia. Aos poucos, começaram a trocar algumas palavras e foram se tornando amigos. Bia terminava a aula de um e já começava a do outro e, percebendo que eles eram assuntos constantes nos treinos um do outro, passou a incentivar a aproximação.
“O Rodolfo foi ficando muito empolgado, falava bastante em Letícia e até contava as repetições dos exercícios falando o nome dela”, entrega Bia. Por incentivo da personal trainner, Rodolfo ligou para Letícia e a convidou para jantar. Ele queria entender melhor o rumo que a amizade deles estava tomando. “Conversamos bastante e eu falei que não queria mais ser amiga dele, pois nossa amizade estava indo longe demais, as coisas estavam se confundindo. Eu não queria ver a possibilidade de ter algo com o Rodolfo, pois sou mais velha que ele e achava que nunca daria certo. Além disso, eu e ele tínhamos nossos compromissos, estávamos envolvidos com outras pessoas”, conta a jornalista, acrescentando que fez aquilo com o coração apertado, mas que, naquele momento, não poderia ser diferente. Saindo dali, os dois ligaram para a personal trainner ao mesmo tempo.
Os dias foram passando e a resolução de se afastarem não prosperou. Eles ficaram cada vez mais amigos, mais envolvidos. A personal insistia para que eles assumissem a paixão, porém, Letícia ficou noiva de outro moço. Nesse dia, Bia ficou enlouquecida. Rodolfo ligou para a amiga e disse: “Bia, eu vou lá falar para a Letícia não fazer isso”. Rodolfo era radical de um lado, Letícia de outro e Bia administrava a situação. Ela pedia para a moça pensar bem e, depois de três dias do noivado, a jornalista jogou tudo para o alto.
“Um tempo depois, o Rodolfo e eu estávamos namorando. Nunca mais nos desgrudamos. Namoramos três anos e meio e estamos casados há sete meses. A Bia foi nossa madrinha de casamento e, na hora que nos abraçamos, na igreja, ela disse: ‘Eu falei que um dia vocês iam assumir essa paixão’”, lembra Letícia. Bia tem um carinho muito especial pelo casal. “Eu adoro os dois. Eles têm uma alegria muito grande e personalidades marcantes. Desde o início, a maneira como ele fazia tudo por ela me deu toda a certeza de que daria certo”, reforça a personal, que já havia sido cupido de outro casal anteriormente.
Letícia e Rodolfo acreditam que se não fosse a atuação de Bia e o jeito dela conduzir a situação a história deles não teria acontecido. Até hoje, eles se encontram três vezes por semana na academia onde tudo começou. “Nossa relação se tornou mais forte. Continuo sendo a personal trainner dos dois e nos tornamos mais amigos ainda. A Letícia é minha amiga, trocamos muitas experiências, tanto de vida quanto profissionais. Ele é uma figura que eu sempre vou adorar de paixão”, completa Bia.
A atividade física também foi um fator de união de Carolina Weber Pozzan e Rafael Invernizzi Milani, que são jogadores de handebol e se aproximaram graças aos jogos e aos campeonatos promovidos por Cláudio Bortoletto Vieira, professor de Educação Física e treinador do time feminino de handebol de Ribeirão Preto.Carolina tinha aulas com o professor desde 2005, quando veio morar em Ribeirão Preto, e começou a estudar no colégio onde ele dava aulas. Desde então, iniciaram uma amizade muito forte.
“O Cláudio é como se fosse um segundo pai para mim. Hoje, sou madrinha de casamento dele e mantemos um relacionamento além de professor e aluna, mas de grandes amigos”, conta Carolina. Por conta dessa relação, a estudante acabou se aproximando do assistente de informática, que também era aluno de Cláudio, mas estudava em outra escola. Os dois jogavam handebol, encontravam-se frequentemente em jogos e campeonatos, mas até então não tinham muito contato. Foi em um aniversário do professor que finalmente conheceram-se e se tornaram amigos. A partir dessa amizade, passaram a conviver mais e em dois meses estavam namorando.
“No início, procurei não me envolver. Após saber do interesse dos dois, achei muito legal e sempre que possível conversava muito com eles sobre a relação”, declara Cláudio, que acabou se tornando cupido mesmo sem perceber. Apesar de ser muito descontraído e fazer várias brincadeiras com o casal, Cláudio sempre acreditou que eles dariam certo. Carolina acredita que, se não fosse o professor, não teria conhecido Rafael, já Cláudio prefere creditar o encontro ao handebol, ressaltando que o esporte tem o grande componente da socialização e que isso possibilitou que eles se conhecessem. De qualquer forma, ele não esconde que sempre torceu pelo casal. “A Carol é quase uma filha para mim, uma menina muito especial, e o Rafa é um bom rapaz”, afirma Cláudio que hoje não é mais professor dos dois, mas treina o time do qual Carolina faz parte e também encontra Rafael nos treinos. Além disso, eles jogam futebol juntos, encontram-se para happy hours, churrascos em casa, e outros programas típicos de amigos.
A amizade foi o ponto de partida da história de amor entre a empresária Izabella Nader Toniello e seu marido, o engenheiro agrônomo Fábio Toniello. Eles se conheceram no mesmo dia em que ela conheceu a estudante de Medicina Ana Cláudia Toniello Meirelles, prima de Fábio e cupido do casal. Eles foram passar o Reveillon de 2008 para 2009 em Jurerê, em uma casa com 15 pessoas. A atuação de Ana começou exatamente ali, pois percebeu que o primo havia se interessado pela recém-conhecida.
“Percebi que estava rolando uma paquera entre eles e comecei a incentivar. Reparei uma sintonia muito grande entre os dois e pensei que valia a pena apoiar essa história”, aponta Ana. Izabella conta que, desde o início, Ana falava que ela e Fábio combinavam muito. Ela se interessou por ele, mas duvidava que em uma viagem onde só havia gente solteira poderia ter alguém querendo um relacionamento sério. “Achei que não ia dar certo, que amor de verão não subiria a serra”, revela Izabella. Porém, passaram o resto da viagem juntos e, além disso, Fábio e Ana ainda ficaram mais dois dias com ela por conta do seu voo de volta. Fábio, em contrapartida, desde o início acreditou que daria certo. “Desde o começo pensei que tinha achado uma pessoa perfeita e que não seria o lugar que atrapalharia isso. Achei uma verdadeira princesa”, revela o agrônomo.
Desde aquela viagem, Izabella e Ana tratam-se pelo apelido carinhoso de “pri”, proveniente de prima. A relação entre os três é bastante intensa, tanto que Ana foi madrinha do casamento dos dois. “Quando recebi o convite, fiquei lisonjeada, pois acho que isso é sinônimo de confiança e amor. Os padrinhos de um casamento têm que estar prontos para o que der e vier na vida do novo casal, tanto nas dificuldades quanto nas alegrias. E eu estou com eles em todos os momentos”, revela Ana, que também teve um cupido em seu namoro. E Izabella devolve: “O que a Ana fez de mais marcante na nossa história foi acreditar no nosso amor. Ela viu no nosso olhar que fomos feitos um para o outro”. As ações desse cupido não param por aí. Recentemente, Ana acertou a flecha em outro casal, mas essa história fica como pauta para outra reportagem.
Texto: Máisa Valochi
Fotos: Júlio Sian
Produção: Pamella Turatti e Marcela Versiani