Uma história que vale a pena ser contada
O Theatro Pedro II é um dos mais importantes endereços culturais de Ribeirão
Arquitetura detalhista, com influência europeia, um interior palaciano, marcado por cortinas de veludo vermelhas e pisos de mármore. Inaugurada em 8 de outubro de 1930, com a exibição do filme “Alvorada de Amor”, de Maurice Chevallier e Jannet Mac Donald, a construção foi idealizada por empresários da antiga Cervejaria Paulista, capitaneados por João Alves Meira Júnior, e desenvolvida por Hypolito Pujol. O famoso arquiteto baseou seu trabalho no modelo europeu “Óperas de Paris”. Iluminação adequada, acústica privilegiada e decoração harmoniosa são marcas da casa de espetáculo, que encanta a visitantes e artistas de diversas partes do mundo.
De sua inauguração até os anos de 1980, o teatro reunia de tudo um pouco: ópera, peças de teatro, música, cinema, balé, eventos políticos e sociais. Construído inicialmente para receber 2500 pessoas, o teatro teve sua capacidade reduzida, nos anos 60, para 800 visitantes. Fechado em 1978 para reformas, o Pedro II foi reaberto ao público em 15 de julho de 1980, mesma data em que sofreu um incêndio que destruiu o palco, atingindo até o teto, e muitos dos revestimentos da plateia. A provável causa da tragédia teria sido um curto-circuito nas instalações do palco.
Pouco mais de 15 anos depois, o Theatro seria reinaugurado em grande estilo, com a presença do maestro Isaac Karabtchevsky, no dia 27 de maio de 1996, depois de uma série de solenidades que apresentou a transformação ao público. Na nova fase, a responsabilidade pela orientação, incentivo e patrocínio das atividades realizadas na casa passou a ser da Fundação Pedro II, criada por uma lei complementar em 1995.
A reforma, que, ao mesmo tempo, buscou restaurar a construção e modernizá-la, levou cinco anos para ser concluída e envolveu diversos profissionais. Foram feitas várias intervenções na arquitetura interna, melhorando a estrutura física e as acomodações para o público. O teto da plateia, com uma cúpula de 20 metros de diâmetro, leva a assinatura da grande artista plástica Tomie Ohtake, que se inspirou no movimento das águas como contraponto à rigidez da arquitetura. A construção recebeu, ainda, paredes de isolamento das galerias e corredores, nova iluminação e refrigeração, além de um palco redimensionado, com 18,7 metros de largura por 12,2 m de profundidade sobre uma estrutura metálica com piso revestido em madeira de freijó.
Atualmente, o Theatro Pedro II recebe obras de nível internacional, entre óperas, concertos, musicais, montagens teatrais, entre outros gêneros de espetáculos. O presidente do teatro, Josué de Lima Peixoto, destaca que a missão da atual administração é democratizar a casa de espetáculos. “Muitas pessoas que passam pelo ‘quarteirão paulista’, onde está localizado o Theatro, nunca tiveram a oportunidade de conhecer o lugar internamente. Estamos trabalhando para ampliar este acesso, o que já foi sentido por meio do aumento do número de visitantes que, no ano passado, aumentou 200%, chegando a seis mil pessoas. O número de espetáculos também cresceu, chegando a uma média de 12 a 15 eventos ao mês, entre apresentações de dança, música, teatro, entre outras. O projeto “Amigos da Casa”, desenvolvido em parceria com a Secretaria da Cultura, tem grande participação nessa mudança. “Esse projeto abre o Theatro Pedro II a artistas locais, trazendo mais cultura para a cidade. Desde o início do ‘Amigos da Casa’, cerca de 350 mil espectadores já vieram ao Pedro II”, avalia o presidente.
O dia 8 de outubro deste ano, data da celebração dos 80 anos do Theatro, foi marcado por uma série de atividades, encerradas por uma apresentação musical à noite. As homenagens continuam até o final de 2010.
Projeto cultural
Para reviver os 80 anos do Theatro Pedro II, a Revide lançará um projeto cultural com o objetivo de valorizar a cultura ao mesmo que realiza uma ação de responsabilidade social. No dia 24 de novembro, no lançamento do livro editado pela Vide Editorial Revistas e Períodicos Ltda, empresa responsável pela publicação da revista Revide, haverá uma apresentação da Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto. Quem comprar o ingresso por R$ 60,00, além de assistir ao espetáculo ganhará o livro que conta a história do Theatro. O dinheiro arrecadado com bilheteria será revertido para a biblioteca Padre Euclides que, recentemente, realizou uma reforma em suas instalações e, agora, necessita de um ar condicionado para o auditório.
O livro, escrito pela jornalista Matilde Leone, conta a história de 80 anos de um dos mais belos teatros, inaugurado no fim do ciclo do café em 1930. Depois da sua reinauguração, o Pedro II reassumiu sua condição de principal palco artístico e cultural da cidade. A publicação recupera fotos antigas que demonstram a grandiosidade do terceiro maior teatro de ópera do país. Também mostra como foram os anos de abandono e o meticuloso trabalho de restauração feito por profissionais especializados. Hoje, o Theatro vive seus anos dourados com as constantes apresentações de atores, músicos, bailarinos e artistas de todo o Brasil.
Ao editar um livro que reconstrói a trajetória do Theatro Pedro II, a Revide mobiliza novamente a sociedade e contribui para a preservação da história da cidade. “Ficamos satisfeitos em poder realizar um projeto que une um espaço cultural tão importante à iniciativa privada e a uma entidade que desenvolve um trabalho social. Essa é uma iniciativa importante da Revide que visa somar esforços para conseguir bons resultados e beneficiar a comunidade”, afirma Isabel de Farias, diretora da Revide.
Na noite de lançamento do livro, a Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto fará uma apresentação especial patrocinada pelo RibeirãoShopping, parceiro do projeto. “Ficamos muito orgulhosos por fazer parte do projeto do livro e das comemorações de aniversário do Theatro, ainda mais oferecendo de presente uma apresentação da Sinfônica que, nesses 80 anos, formou uma parceria afinada e produtiva com o Pedro II”, afirma Cleiton Martins, gerente de marketing do RibeirãoShopping.
O centro de compras é um polo gerador de negócios, de cultura e de entretenimento que atrai milhões de pessoas todos os anos. Com quase 30 anos de história, contribui com a cultura da região não apenas promovendo os próprios eventos, mas alavancando a cultura regional. “Com este projeto, esperamos retribuir o carinho que recebemos de Ribeirão Preto com a manutenção e a divulgação da Biblioteca Padre Euclides, outro ponto fundamental da cultura em nossa cidade”, comenta Cleiton.
Uso efetivo do anfiteatro
No início deste ano, Ribeirão Preto ganhou mais um espaço para o desenvolvimento e a difusão cultural graças a uma reforma viabilizada a partir de um projeto de incentivo realizado pelo Programa de Ação Cultural (Proac), da Secretaria de Estado da Cultura: o auditório da Biblioteca Padre Euclides. Capaz de acomodar 250 pessoas, o local já tem sido palco de eventos variados, mas ainda não está funcionando em sua total capacidade, devido a problema de climatização.
Das obras concluídas no começo de 2010 consta a instalação elétrica de um ar-condicionado que tornará 100% viável a utilização do espaço, inclusive no período mais quente do ano, que coincide com uma época bastante propícia a eventos, como formaturas, por exemplo.
A Coordenadora da Oficina Cultural Cândido Portinari, Fatu Antunes, destaca que agora a luta da Oficina é sensibilizar a sociedade civil acerca da importância do funcionamento efetivo de mais esse espaço cultural. “A Biblioteca ficou por muitos anos em estado de total abandono. Fizemos, até o momento, o que foi prioritário e, se tratando de uma entidade com vocação cultural, é preciso sempre pensar em melhoras e restauros. Nesse momento, a nossa emergência é o ar-condicionado, já que o auditório está sendo subaproveitado por conta da climatização”, ela destaca.
Estima-se que a solução do problema custe de R$ 25 mil a R$ 30 mil, uma quantia que, na verdade, não é grande, tendo em vista os benefícios que o equipamento cultural pode trazer para o município e para a própria Biblioteca. “Este espaço pode servir de fonte de renda para a Biblioteca, gerando melhorias no atendimento e na infraestrutura. Ribeirão Preto acaba perdendo um espaço maravilhoso, devido a um problema fácil de ser sanado”, conclui Fatu. Quem tiver interesse em colaborar com a aquisição do ar-condicionado, pode entrar em contato com a Oficina Cultural Cândido Portinari pelo tel. : (16) 3625.6430.
Registro histórico
“A cidade preserva sua história, valoriza homens e mulheres que ajudaram a escrevê-la e construí-la. O Theatro Pedro II é uma marca cultural muito forte em Ribeirão Preto. Representa um período de pujança econômica e é também testemunha de seu ocaso. Recebeu artistas importantes, ardeu em chamas e renasceu para não nos deixar esquecer nossas riquezas.”
Roberto Maestrello, presidente da AEAARP
Símbolo cultural
“O Theatro Pedro II é o grande símbolo da cultura de Ribeirão Preto e um dos ícones culturais do Brasil. É um patrimônio de história marcante e extremamente importante para a cidade. Preservar a memória do Pedro II é valorizar o ribeirãopretano, afinal, um povo que procura resgatar seu passado sabe exatamente aonde quer chegar e se projeta melhor no futuro. Esta obra literária sobre a trajetória do Theatro Pedro II, que acaba de completar 80 anos, será uma contribuição inestimável para Ribeirão Preto.”
Welton Tadeu De Bortoli, diretor-presidente do Grupo WTB.
Patrimônio preservado
“A importância histórica, cultural e arquitetônica do Theatro Pedro II para Ribeirão Preto é indiscutível. Para a Habiarte, que está comemorando 25 anos de atividades na cidade, é uma honra fazer parte de uma iniciativa que tem por objetivo preservar e registrar a história deste patrimônio. Prezamos sempre pela excelência de nossos projetos. Este é nosso compromisso que se traduz também no apoio a ações, como esta, que são relevantes para a comunidade na qual estamos inseridos. O livro em comemoração aos 80 anos do Pedro II é de grande valia por si só, mas fica ainda mais grandioso porque sabemos que ainda vai beneficiar a Biblioteca Padre Euclides, que também é um referencial da cultura de Ribeirão Preto. Esta é mais uma conquista de Ribeirão Preto que merece o apoio da Habiarte.”
Paulo Tadeu Rivalta de Barros, diretor-presidente da Habiarte.