Uma joia entre as flores
Historicamente conhecida como “a flor dos reis”, as orquídeas encantam por sua vasta cartela de cores, delicadeza natural e beleza exuberante
Seduzidos pela beleza natural das orquídeas, floristas, botânicos e apreciadores em geral sempre atribuíram uma valor a mais às orquídeas. Sofisticadas e raras, essas preciosidades da natureza são verdadeiros presentes e vêm ganhando maior espaço na decoração de ambientes e de eventos. Tais flores emprestam delicadeza, beleza e perfume aos lugares, fascinam as pessoas pela grande variedade de espécies, que permite uma enorme diversidade de combinações.
O gosto por essas plantas e pelo mistério que as envolve é o que une os orquidófilos. Para esses colecionadores, conseguir novas espécies e descobrir curiosidades inéditas é um hábito fascinante e único. Hoje, o número de pessoas que colecionam orquídeas, organizados em associações ou não, só cresce. O servidor público municipal e presidente da Associação Orquidófila de Ribeirão Preto (ASSORP), João Carlos Alves Daguano, explica que quando se trata dessa relíquia os colecionadores se tornam cada vez mais perseverantes — afinal, a planta pode demorar até cinco anos para se tornar adulta e florescer. Contudo, para os orquidófilos, essa expectativa aumenta o fascínio pelo hobby. “Somos procurados quase diariamente por pessoas que adquiriram orquídeas e querem saber quais os cuidados necessários para cultivá-las. Eu diria que essa é a planta da moda”, define o colecionador.
Pertencentes à família Orchidaceae, as orquídeas são espécies admiradas no muito inteiro. O número total de espécies oscila em torno de 35 mil, com diversas cores, tamanhos, formas, hábitos e aromas. Parte delas pode ser encontrada na natureza, enquanto outras orquídeas são híbridas, formadas a partir de cruzamento artificial entre seus diversos tipos. João explica que a Orchidaceae é uma das maiores famílias de vegetais e está espalhada por diversos países. “A Colômbia lidera o ranking, com 4.010 espécies nativas registradas, seguida pelo Equador, com 3.590, e por Nova Guiné, com 2.717 espécies”, lista o especialista. No Brasil, há 2.590 espécies nativas registradas, mas este número tende a crescer, uma vez que novas espécies são descobertas e descritas anualmente.
A evolução das pesquisas sobre o manejo das orquídeas e seu plantio em estufas, além de reduzirem os custos, ampliam as possibilidades. O resultado não poderia ser outro: as orquídeas estão se popularizando e ganhando mais apreciadores. Foi o que aconteceu com a assistente administrativa Simone Betinardi, que desenvolveu uma admiração especial pelas orquídeas. Segundo ela, essa afeição surgiu pelas características da própria flor, que une beleza, delicadeza, um crescimento exuberante e um modo emocional de ser cultivada. Simone destaca, também, a variedade de cores e formas, além do perfume marcante, e lembra que começou a sua pequena coleção com uma phaleanopis lilas, conhecida por suas flores semelhantes às asas de mariposas. “Quando vi a beleza dessa flor, apaixonei-me definitivamente pelas orquídeas. Algum tempo depois, meu marido Matheus montou um orquidário em casa e, então, comecei a comprar algumas espécies. Ainda tenho muito a aprender sobre elas, mas estou amando colecionar. Sempre que descubro uma nova espécie, quero levar para casa”, comenta.
Imponentes, as orquídeas são consideradas um tipo elegante de flor. Sua aparência graciosa atrai atenção imediata e, por ser uma flor exótica, invoca um sentido de refinamento. De tão coloridas, algumas orquídeas parecem pintadas à mão, característica que pode ser atribuída à genética da planta, que combina elementos exatos para atrair beija-flores, abelhas e outros insetos que polinizam a planta.
A predileção por algumas flores e a experiência ao longo dos anos levaram a empresária Isabel Ramazza Marques a incluir as orquídeas em sua lista de espécies preferidas. “Sua variedade chama muito minha atenção. Suas cores, texturas e aromas me fascinam”, revela Isabel, que possui 32 anos de experiência e é proprietária, ao lado da família, da Galeria das Flores. “As orquídeas são as mais procuradas em nossas unidades. Na Galeria, temos várias espécies da planta e tomamos o cuidado para que ela mantenha a beleza e o vigor. Assim, conseguimos atender a todos os clientes”, frisa Isabel.
Segundo a empresária, além da delicadeza e da variedade das orquídeas, sua fragrância doce e cativante torna impossível ignorá-las. “Elas podem ser parte integrante de qualquer tipo de decoração, pois realçam a beleza e dão elegância ao ambiente. Geralmente, as orquídeas são usadas em decoração de interiores, casamentos, empresas, mesas e presentes. Se adequam a qualquer lugar”, conclui.
O encanto das orquídeas
Quando o assunto em questão são as diversas espécies, fica difícil dizer quais são as mais cobiçadas. Por isso, a Revide fez uma seleção das espécies mais encantadoras para você escolher sua preferida
Phalaenopsis: Conhecida como “orquídea borboleta” ou “mariposa”. Suas folhas são largas e brilhosas e suas cores variam do branco ao rosa e amarelo. É uma das orquídeas mais populares.
Cattleyas: Uma das orquídeas mais vendidas no Brasil. Suas flores são perfumadas e chamam a atenção pelo tamanho, belas formas e cores. Tem sido usada para a obtenção de híbridos.
Vanda: É uma orquídea de origem asiática que necessita de calor e umidade. Suas cores são singulares em tons intensos de amarelo, laranja, vermelho e rosa, com diversas variações de tamanho.
Oncidium Flexuosum: Conhecida como “chuva de ouro”, é procurada para dar um toque especial à decoração.Suas flores são de um amarelo intenso, com ramificações florais muito flexíveis.
Rodriguezia venusta: Uma das espécies preferidas das noivas, esta micro-orquídea é apreciada pelos seus cachos de flores brancas. Pode ser encontrada em floriculturas e exposições.
Miltônia ceo apple: Pela sua forma e desenhos, é conhecida popularmente como “amor perfeito das orquídeas”. Com suas cores expressivas, esta flor é um presente que costuma agradar.
Drácula Simia: Nativa das matas do Equador e do Peru. Suas flores lembram o rosto de um macaco. Embora seja uma espécie pouco conhecida, pode ser cultivada em casa.
Vanilla: Compreende as orquídeas utilizadas para a extração de baunilha. Originária da América Central, a espécie trepadeira pode atingir mais de 30 metros de altura e desabrochar até mil flores.
Dendrobium thyriflorum: Espécie originária do sudoeste asiático. É conhecida por sua abundante quantidade de flores e pelo rápido crescimento. Para seu cultivo é necessário bastante atenção.
Como escolher e cultivar sua orquídea
Aquisição: dê preferência a espécies adaptadas à região, o que aumenta as chances de floração. Além disso, adquira plantas produtoras de mudas ou de orquidófilos.
Irrigação: Mantenha o vaso úmido, jamais encharcado, e não coloque pratinho com água debaixo do vaso. Molhe duas ou três vezes por semana, deixando a água escorrer totalmente.
Luminosidade: As plantas devem ficar em locais onde possam ser banhadas pelo sol no horário da manhã ou no final da tarde.
Ventilação: Deixe as orquídeas em locais arejados — lembrando que é necessário evitar a ventilação muito forte.
Adubação: As orquídeas precisam de adubação periódica e planejada, com adubos minerais ou orgânicos, conforme a orientação do fabricante.
Pragas e doenças: Para evitá-las, é necessário que as orquídeas estejam sob condições adequadas de cultivo. Observe periodicamente as plantas para detectar qualquer problema no início. Nesse caso, procure o melhor tratamento seguindo a recomendação de especialistas.
Para adquirir conhecimento: Procure uma associação de orquidófilos, local apropriado para trocar experiências e tirar dúvidas.
Cuidados essenciais
Formado em Ciências Biológicas, Breno Furlan Bueno possui mais de 500 orquídeas e explica que cada espécie tem suas particularidades, sendo algumas mais fáceis de serem cultivadas do que outras. Confira algumas dicas do especialista
- O cultivo das orquídeas depende da incidência de luz indireta, de alta umidade do ar e ventilação, podendo ser cultivada em vasos, pedaços de madeira ou em árvores.
- Elas são divididas em grupos de acordo com o modo pelo qual obtêm seus nutrientes: epífitas, terrículas e rupículas. A maior parte está no primeiro grupo, que vive apoiada em árvores.
- Essa planta se adapta bem a temperaturas entre 15ºc e 25ºc, sendo que algumas suportam temperaturas mais baixas e outras, não toleram frio.
Texto: Pâmela Silva
Fotos: Carolina Alves e Julio Sian