Unindo conceitos
Cada vez mais, instituições de ensino descobrem a importância das viagens pedagógicas
Explorar o conhecimento na prática, ter o mistério da teoria ao alcance dos sentidos. Essas são algumas das vantagens das viagens pedagógicas, que levam cada vez mais as instituições de ensino a apostar no conteúdo extracurricular.
Júlia Fletcher cursa o 9º ano no Colégio Anchieta e aprendeu a encarar essas viagens como uma oportunidade de aprimoramento. Foi desta forma que conheceu a exposição “O Fantástico Corpo Humano”, em 2010, o Museu da Língua Portuguesa, a Estação Ciência e o Aquário, em 2011, em visitas a São Paulo. “Nessas excursões, ao mesmo tempo em que a gente aprende, conhece coisas as quais não teria acesso em Ribeirão Preto”, destaca a aluna. Para ela, as viagens possibilitam uma aplicação diferenciada do conhecimento. “O professor auxilia, os alunos interagem e o ensino fica mais atrativo”, avalia a estudante.
Raphael Kohn cursa o 2º colegial no Colégio Einstein. Em 2010, o aluno aprendeu a ver Ubatuba com outros olhos, sob o ponto de vista da biologia. Em uma visita a um manguezal, conheceu melhor este ecossistema. Também foi ao Projeto Tamar, ao Aquário e ao Presídio Anchieta. Fez trilha, passeio de escuna e luau com os amigos. Na viagem a São Paulo, em abril deste ano, conheceu o Projeto Catavento, almoçou no Mercadão e assistiu ao musical “Mamma Mia”. “No Projeto, participamos de dinâmica sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis e prevenção à gravidez na adolescência, que nos fez refletir sobre o risco de nossas escolhas”, conta Raphael.
No Colégio Anchieta, as aventuras extraclasses começam cedo, em visitas a pontos turísticos, sítios e bosques da região, conforme a coordenadora do Ensino Fundamental I, Mariselda Nogueira. “As viagens são estabelecidas em função do conteúdo. A assimilação é mais rápida porque os alunos geralmente não têm contato com os animais como fazem nas fazendas”, ressalta.
A diretora da escola, Alcilene Aguiar, acrescenta que é preciso despertar o interesse dos alunos para as atividades extracurriculares desde pequenos, como é feito em relação à leitura. “São experiências importantes para o desenvolvimento social, para a cidadania. Os estudantes aprendem a ter responsabilidade, a respeitar o outro, a cuidar de si e a ter iniciativa”, destaca Alcilene.
O professor de Biologia Zeid Sakr sempre acompanha os alunos nas viagens. Segundo ele, além da união entre teoria e prática, os passeios facilitam a compreensão do que é a multidisciplinaridade, algo muito cobrado nos vestibulares. “Fora da sala de aula, os alunos conseguem memorizar alguns assuntos mais difíceis com mais facilidade. Esta técnica reflete na vida do indivíduo, já que ele carregará esta bagagem, que o permitirá formar opiniões dentro e fora da escola”, conclui.
CONTEÚDO EXTRA
Fortalecimento de vínculos
Uma das vantagens das viagens pedagógicas é a criação de um elo mais informal entre professor e aluno
Além de proporcionar aos discentes uma prática que possibilita uma apreensão maior e mais duradoura do conteúdo, as viagens pedagógicas estreitam os laços, não só entre os alunos, mas com os professores. Em entrevista exclusiva, o professor de Biologia do Colégio Einstein, Zeid Sakr, fala dos resultados dessas viagens e dos benefícios que trazem dentro e fora da sala de aula.
Revide: Qual é o grande diferencial das viagens pedagógicas e culturais?
Zeid Sakr: As viagens extracurriculares proporcionam a união entre a teoria e a prática. O aluno aprende sobre um determinado assunto dentro de sala e pode vivenciar o que aprendeu quando se encontra envolvido na atividade prática. A interação entre diferentes matérias, como Biologia, Geografia, História e Química, ainda facilitam a compreensão do que é a multidisciplinaridade, algo tão cobrado atualmente nos vestibulares.
Revide: Qual é o critério para a escolha dos destinos?
Zeid Sakr: Nossa intenção é sempre procurar um local que possa ser alvo dos estudos executados dentro da sala de aula e ainda dos livros didáticos adotados. Ubatuba, Serra da Canastra, Ouro Preto e Vale do Ribeira (Parque das Cavernas), além de alguns projetos culturais em São Paulo, são excelentes referências para que o aluno possa usufruir de seu conhecimento adquirido e ainda abordar dúvidas que só são geradas quando se estuda aquele assunto na prática.
Revide: Quantas viagens pedagógicas o Colégio Einstein realiza ao ano?
Zeid Sakr: Nosso conteúdo programático é bastante extenso devido as aulas serem de período opcionalmente integral. Isto nos permite explorar os assuntos mais diversos e interessantes na prática, realizando de 3 a 4 viagens pedagógicas e culturais no decorrer do ano letivo.
Revide: No que elas mais acrescentam ao aluno?
Zeid Sakr: A oportunidade que nosso aluno tem de vivenciar uma atividade prática é de um retorno impressionante. Ao sair da sala de aula, os adolescentes, que já apresentam uma capacidade de aprendizado aguçada, conseguem memorizar alguns assuntos mais difíceis facilmente. Esta técnica acaba refletindo na vida inteira do indivíduo, já que ele carregará esta bagagem adquirida por muito tempo e isto o permitirá formar importantes opiniões sobre o dia a dia, dentro e fora da escola.
Revide: As vivências dessas viagens refletem na sala de aula? De que forma?
Zeid Sakr: Estas viagens pedagógicas e culturais acabam aproximando muito o professor e o aluno, estreitando essa relação que no passado dificultava o aprendizado. Quanto mais à vontade o aluno fica com seu Professor, mais dúvidas ele tirará e assim, sua chance de aprender e guardar aquilo que aprendeu aumentará exponencialmente. Isto reflete positivamente na hora do vestibular em que o conteúdo cobrado é extenso, e quem aprendeu sem fazer força, terá resultados diferenciados.
Texto Carla Mimessi
Fotos: Júlio Sian, Ibraim Leão e arquivo dos alunos