USP Ribeirão Preto tem semana de protestos

Com pouca adesão, servidores da USP de Ribeirão Preto realizam série de protestos contra o reitor Marco Antonio Zago

                             

Durante toda esta semana, servidores e alunos USP de Ribeirão Preto protestaram pelo campus. Os atos, embora com pouca adesão, têm como principal meta o ajuste salarial de aproximadamente 9,8% – 6,5% de inflação –, o esclarecimento e transparência das finanças da Universidade e a luta contra o que está sendo chamado de “sucateamento e precarização do ensino”.

“Não lutamos só pela questão salarial, que também é importantíssima, mas pela transparência por parte do reitor. Somos contra a privatização e em prol da educação”, diz André Luiz Orlandin, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP (SINTUSP).

Crise estrutural

Os alunos do curso de biologia, por aderirem à greve, não estão frequentando as aulas. A consequência da greve dos alunos, segundo a área administrativa da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, é a reposição de aulas que, segundo o setor, atrapalha todo o calendário da universidade.

Segundo Wilson França, aluno do curso de Biologia, a faculdade sofre com a falta de estruturação. “Cancelaram a contratação de professores e uma licitação para expansão de centro didático que haviam sido aprovadas pelo antigo reitor (João Grandino Rodas)”, conta França.

Segundo um servidor da área administrativa da FFCLRP – que pediu para não ter o nome revelado – o número de alunos aumentou e a estrutura não comportará a demanda. “Ainda não há um problema por conta disso. Mas, futuramente, haverá falta de espaço, já que com a expansão, oito salas seriam construídas”, conta o funcionário.

Promessa

No final de 2013, quando tomou posse, Marco Antonio Zago destacou que um dos principais objetivos à frente da instituição seria aproximar a Universidade da sociedade. No entanto, os servidores reclamam de que ele não tem cumprido a promessa.  “Estamos em um momento bastante delicado da greve. As coisas perderam um pouco a perspectiva dos acontecimentos. Temos muita dificuldade em conversar com o nosso reitor, porque ele conversa com todo mundo, menos com as entidades”, lamenta Plauto Watanabe, professor do curso de odontologia.

Na opinião de Watanabe, a baixa adesão da greve em Ribeirão Preto é por medo de uma possível demissão. “Criou-se uma atmosfera de que a culpa da crise da USP é a folha de pagamento e de que quem protestar corre o risco de ser demitido. Mas, não é assim. Há a lei de greve que não permite isso”, explica.

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Bruno Silva
Fotos: Julio Sian

* Publicado em 27/06/2014

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