Utilitário elétrico

Utilitário elétrico

Considerados os carros do futuro, os veículos desenvolvidos para poupar o planeta do CO2 constituirão a “frota verde” do mundo

Eles são os carros do futuro: híbridos ou elétricos, os veículos desenvolvidos para poupar o planeta da emissão de CO2 constituirão, em menos tempo do que se imagina, a “frota verde” do mundo. Prova disso está no investimento, cada vez mais comum, de montadoras e de empresas, como a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), em modelos desse tipo.Aos poucos, eles começam a ganhar as ruas, como é o caso do ARIS, o pequeno utilitário elétrico em formato de furgão, projetado pela fabricante EDRA, em parceria com a CPFL Energia, que já pode ser visto circulando nas ruas de Campinas.

Um convênio firmado em outubro do ano passado entre a CPFL Energia e a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) viabilizou as entregas de sedex na região do Taquaral, um dos bairros mais populosos de Campinas, com a utilização desse veículo sustentável. Essa parceria é uma das primeiras iniciativas do gênero no país e coloca as duas empresas na dianteira de soluções sustentáveis na prestação de serviços.

Antes que a ideia pudesse ser colocada em prática, um motorista especialmente escolhido pelos Correios passou por uma bateria de treinamentos para dirigir o ARIS com total segurança e autonomia. Como o veículo elétrico não emite som, é preciso redobrar a atenção nas vias públicas. 

Diariamente, o modelo percorre cerca de 70 km e precisa ser abastecido duas vezes, uma na hora do almoço e outra à noite. “Em duas horas, é possível recuperar até 6,6kWh de energia que, num veículo elétrico, significa rodar 35 km. Ao prever que o carro chegou com 20% de carga, é possível ir de Campinas até Americana sem problemas e com folga”, explica o coordenador do projeto de Veículos Elétricos da CPFL, Marcelo Rodrigues Soares.

Com autonomia de 100 km e velocidade máxima de 80 km/h, o ARIS pesa 600 kg (cerca de metade do peso de um carro convencional) e é ideal para pequenas cargas: tem capacidade de carregar 350 kg e duas pessoas. Um detalhe importante é que mais de 90% dos componentes são recicláveis. A relação custo-benefício é vantajosa, já que o quilômetro rodado vale R$ 0,06, um terço do gasto de um carro movido a gasolina. A recarga pode ser feita em uma tomada comum e demora cerca de 5 horas para ficar completa.

Outro modelo elétrico que integra a frota da CPFL é o TH!NK City, um carro de passeio produzido na Noruega que já é o modelo mais vendido da categoria na Europa (cerca de 1,2 mil unidades), que este ano passou a ser comercializado também nos Estados Unidos. 

Convidada pela Revide para testar os dois modelos elétricos, a jornalista do Jornal da Clube (TV Clube/Band), Marisa Cury, ficou surpresa com o potencial dos veículos. “O que me chamou muito a atenção em ambos foi o silêncio. A partida é imperceptível, só notada por causa da luz no painel (no THINK) ou pelo aviso sonoro (no caso do ARIS). Além disso, eles rodam sem nenhum barulho pela ausência do motor, isso me impressionou bastante. Imagine a maravilha que não seria uma cidade sem poluição sonora”, comentou Marisa. 

Na opinião da jornalista, o modelo europeu não deixa nada a desejar em relação ao desempenho, ao conforto e ao acabamento, quando comparado a outros veículos. Já o utilitário, por se tratar de um protótipo, ainda pode melhorar muito nesses quesitos. “Itens como freio, direção e ergonomia ainda precisam de ajustes no ARIS. Em contrapartida, ele é mais leve e silencioso que o TH!NK. O mais importante é que esse veículo, fabricado aqui no Brasil, demonstra que o carro elétrico já é uma realidade e uma razão de orgulho para nós. A sensação é de que, em breve, os motoristas terão uma opção mais econômica e ecologicamente correta para circular na cidade. É incrível imaginar que, possivelmente, nossos filhos já usarão esse tipo de veículo no seu dia a dia”, diz Marisa.

Além do ARIS e do THINK City, a CPFL também participa do desenvolvimento do Palio Weekend elétrico, em parceria com a Fiat e a usina de Itaipu. Para os representantes da Companhia, o investimento nessas iniciativas permitirá desenvolver soluções de mobilidade e de sustentabilidade viáveis para a realidade brasileira, abrindo portas para a utilização maciça desses veículos que têm como principal característica não emitir gases de efeito estufa. “Em sua essência, o veículo elétrico é voltado à cidade, uma alternativa que polui menos e é mais barata, pois roda 100 km com R$ 5,00, enquanto o carro a gasolina consumiria R$ 25,00 e o modelo a álcool, R$ 20,00. Mas nossa ideia é desenvolver soluções não só com aplicação utilitária como também para outros nichos de mercado”, afirma Marcelo Soares. 

ARIS
• Autonomia: 100 kmpor recarga
• Velocidade máxima: 80 km/h
• Recarga: cinco horas, em tomada comum
• Capacidade de carga: 350 kg
• Peso: 600 kg
• Valor do quilômetrorodado: R$ 0,06

Texto: Yara racy | Fotos:  Carolina Alves

Compartilhar: