Vá à luta
Modalidades como judô, MMA, boxe, jiu-jitsu, entre outras, prometem trazer diversos benefícios para o corpo e para a mente de homens e mulheres
Para quem deseja manter a boa forma e a saúde em dia, aulas de musculação, bike ou spinning não são nenhuma novidade nas academias. No entanto, essas atividades vêm dividindo a preferência do público com muitas opções e, entre elas, as diversas modalidades de luta. Muay thai, MMA, boxe e judô, por exemplo, estão ganhando espaço.
Não é para menos: poucas atividades físicas são tão completas quanto as lutas que, além de melhorarem o condicionamento físico, a flexibilidade, a respiração, a postura e a coordenação motora, são capazes de relaxar, aumentar os reflexos e ainda ensinar aos praticantes uma série de valores, como o respeito à hierarquia, a concentração e a disciplina.
Integrante do Conselho Regional de educação Física em São Paulo (CREF-SP) e professor de boxe, Bruno Alessandro Alves Galati, acredita que a popularização das lutas vem acontecendo devido ao aumento do número de mulheres nas academias interessadas nessas modalidades.
Para ele, a adesão feminina evidencia que as lutas não são sinônimos de agressividade. “Muitas pessoas viam as lutas com maus olhos, mas isso está mudando. Ao lutar, o indivíduo trabalha condicionamento físico, conquista harmonia corporal e ainda alivia o estresse”, garante.
O educador físico explica que cada modalidade exige um treino diferente. “Para os alunos das academias, as aulas compreendem os mesmos fundamentos, mas o treino é bem diferente daquele dado aos atletas profissionais. No boxe, por exemplo, há a versão recreativa e a competitiva”, aponta Bruno.
Despidas dos velhos preconceitos, as pessoas estão descobrindo os benefícios das lutas. A rápida perda de peso é um dos grandes atrativos.
Os especialistas garantem que, dependendo da modalidade e da intensidade, é possível queimar entre 500 e 1500 calorias em apenas uma hora de aula. Pernas torneadas, barriga chapada e energias descarregadas também estão entre os ganhos proporcionados pelas lutas.
O professor de judô, sensei Silvio Firmino, ressalta que o gasto de calorias é o principal objetivo dos alunos que decidem lutar. “Essas modalidades fazem muito sucesso entre as pessoas que querem perder peso, mas não gostam de passar horas na esteira. Existe, também, aqueles alunos que treinam para melhorar o condicionamento físico, mesmo sem ter interesse em competir”, acrescenta.
Porém, é preciso tomar alguns cuidados antes de começar: fazer uma avaliação física e cardiovascular, aprender as técnicas corretamente e proteger as articulações dos punhos com luvas, quando necessário, são algumas medidas importantes.
Cada modalidade possui suas particularidades. O muay thai, por exemplo, envolve saltos, chutes, socos e mudanças de direção. Já o jiu-jitsu e o judô trabalham mais a força, o contato com o solo, com o adversário e ensinam a erguer o outro e arremessá-lo contra o chão.
“Antes de começar a praticar uma luta, assim como qualquer atividade física, é importante passar por uma avaliação médica e ter um bom acompanhamento, principalmente, conhecer o histórico do professor, para ter certeza de que está treinando com alguém qualificado e preparado”, enfatiza Firmino.
A preparação para as lutas é tão importante quanto o contato físico em si. Pular corda, fazer flexões, abdominais, circuito com obstáculos, alongamento, corrida e treinos de reflexo e flexibilidade acabam sendo, na prática, mais valiosos para o praticante do que o embate em si.
Com mais de 200 participações em campeonatos e representando Ribeirão Preto na categoria meio-médio, Jadiel Batista tenta conciliar a vida pessoal e profissional com a rotina intensa de treinos.“Meu dia a dia como atleta é bem difícil, como deve ser com a maioria das pessoas que escolhem esse caminho. Procuro incluir, entre minhas atividades cotidianas, toda a parte de treinamento físico. À noite, dedico-me aos treinos específicos para as lutas”, explica.
Segundo Jadiel, é preciso ter muita dedicação e empenho para lutar, principalmente, se o aluno quiser se tornar um profissional. “A rotina é exaustiva, mas não imagino minha vida de outra forma”, diz, entusiasmado.
Sempre adapta dos esportes, a jornalista Ariane Lima começou praticando boxe chinês e, hoje, lutando judô, afirma que está plenamente satisfeita. “Gosto de praticar uma modalidade que tem na bagagem uma verdadeira filosofia de vida”, afirma.
A afinidade com as lutas ficou ainda mais forte quando Ariane começou a namorar Jadiel, hoje seu marido. “Seguimos namorando, cada um na sua modalidade — ele no judô e eu, no boxe chinês. Mas senti que estava faltando alguma coisa e, então, surgiu o convite para começar a treinar judô. Essa modalidade mudou a minha vida, não apenas fisicamente, mas em todas as áreas. Na hora de planejar meus próximos passos, profissionais e pessoais, mantenho o foco nos ensinamentos deixados pelo fundador do judô, o mestre Jigoro Kano”, acrescenta.
A saúde mental e emocional também saem ganhando com as lutas. “Psicologicamente, sou outra pessoa: mais tolerante, mais confiante e muito mais persistente. O verbo ‘desistir’ já não faz parte do meu vocabulário. Pelo menos não antes de uma tentativa”, comenta Ariane.
De fato, essas artes levam o lutador a se sentir mais confiante, elevando a autoestima. Elas também são um ótimo exercício para o controle da ansiedade, do estresse e da agitação.
Jadiel, que também dá aulas de judô para crianças e começou a lutar aos seis anos, defende que os benefícios da modalidade ultrapassam os tatames. “Além dos benefícios físicos e mentais, o judô ajuda a formar o caráter. Ele também auxilia na formação como cidadão, pois ensina o respeito mútuo, a disciplina e muitos outros valores”, ressalta o judoca.
Boas de briga
Os tatames das academias da cidade nunca estiveram tão femininos. A soma entre a incessante busca da boa forma e o sucesso das lutas na TV tem levado as mulheres a trocarem golpes em diversas modalidades de lutas.
Segundo o educador físico Bruno Galati, a conquista das curvas bem definidas em tempo recorde também estimulam as mulheres a irem à luta. “Nas minhas aulas de boxe recreativo, por exemplo, elas já são maioria: para cada homem treinando, são quatro adeptas ao esporte”, afirma, acrescentando que as mulheres estão levando sua força de vontade e sua delicadeza para os tatames e ringues.
Geralmente, as aulas têm duração de 1h a 1h30. Nesse período, é possível eliminar, em média, 800 calorias. Seguindo as orientações dos professores à risca e praticando de duas a três vezes por semana, a diferença nas curvas ficará visível rapidamente.
A advogada Maria Estela de Paiva Ferro Gonçalves pratica boxe há aproximadamente três anos e tem a modalidade como uma válvula de escape.
“No meu caso, o boxe significa qualidade de vida. Nas aulas, concilio vários objetivos: alivia o estresse, melhora o condicionamento, dá noções de defesa pessoal e é uma excelente atividade aeróbica. Além disso, estimula a coordenação motora e a agilidade e trabalha diversos grupos musculares, principalmente, o abdômen”, avalia a aluna.
A moda também tem uma parcela de culpa pela adesão das mulheres às lutas, que também viraram febre entre muitas celebridades. Além de conquistar o corpo dos sonhos, elas querem aprender autodefesa.
E para preservar a delicadeza do chamado “sexo frágil”, estar bem equipada e protegida é essencial. A compra dos acessórios corretos permite que o exercício funcione e evita as lesões decorrentes do esporte.
Para Ariane, a presença das mulheres nas lutas era uma questão de tempo, já que elas vieram pouco a pouco conquistando espaço nas principais universidades, no mercado de trabalho e em muitos outros segmentos antes reservados aos homens.
“Demorou um pouco, mas nós finalmente estamos inclusas nas lutas, não importa o motivo — se é por gostar de esportes desse tipo, por estética ou pela moda. Acredito que o motivo é menos importante diante da possibilidade de se fazer o que realmente se gosta”, argumenta.
As adeptas do ringue não se intimidam entre os homens e, claro, não deixam a vaidade de lado. Nas academias, parte da diversão está justamente em munir-se dos acessórios mais descolados para lutar, e exibi-los pelos corredores.
“As mulheres trazem mais ânimo e harmonia, quebrando a sisudez masculina e o clima de competição. Isso sem contar o charme dos cruzados, hooks, jabs, diretos e uppers, combinados com habilidade, força e determinação, características próprias das mulheres”, finaliza Maria Estela.
Explosão do MMA
Filosofia, esporte e negócio transformaram as Mixed Martial Arts (MMA), ou artes marciais mistas, na modalidade que mais provoca paixões no século XXI. Essa mania teve início graças a Hélio Grace — que estabeleceu o jiu-jitsu no país —, a seu filho, Rórion Grace — que organizou o primeiro torneio de MMA dos Estados Unidos, o famoso Ultimate Fighting Championship (UFC), em 1993 — e a um grupo de lutadores. De lá para cá, o esporte foi ganhando forma e se tornou uma febre mundial, que movimenta milhões de dólares e de pessoas.
As lutas são compostas por três “rounds” de cinco minutos, com um período de descanso de um minuto entre um e outro. A exceção nas lutas que colocam em jogo o cinturão de cada categoria, composta por cinco “rounds” de cinco minutos. Diferente do que muitas pessoas podem imaginar, o MMA possui regras claras e um rígido acompanhamento médico.
O interesse do público feminino pelo MMA vem crescendo há algum tempo. Tanto é verdade que, este ano, o UFC levou, pela primeira vez, lutadoras profissionais ao octógono, o ringue do MMA. A divisão feminina está em ampla ascensão e conta com Ronda Rousey como sua principal estrela no momento. O Brasil, que já consagrou muitos lutadores de MMA nas mais diversas categorias, também tem sua referência entre as mulheres: Cris Cyborg, que não faz parte da maior organização mundial do UFC, é a brasileira mais conhecida no MMA.
Esse sucesso entre as mulheres não se limita ao esporte profissional. Aulas da modalidade entraram nas grades das academias e, nas especializadas em lutas, as alunas já não formam uma minoria inexpressiva. Inspirados no formato americano do UFC, promotores brasileiros investem em campeonatos próprios de MMA. As versões nacionais somam mais de 30 marcas distintas, algumas batizadas com estrangeirismos como “Watchout Combat Show (WOCS)” e “Jungle Fight”.
O que comer
Confira as dicas da nutricionista Mariana Pereira Nobrega para quem quer lutar e se alimentar adequadamente
- Exercícios que envolvem resistência muscular normalmente devem vir acompanhados de um consumo proteico mais elevado. Vale ressaltar que os atletas têm um gasto energético maior, sendo assim, sua alimentação deve acompanhar este gasto, aumentando o consumo de carboidratos e de proteínas.
- A rotina pré-treino deve fornecer energia suficiente para a atividade em questão, mas os tipos de alimentos vão depender de quanto tempo antes o indivíduo vai conseguir se alimentar.
- Já o pós-treino deve repor a energia gasta na atividade, sendo composta, principalmente, por carboidratos e proteínas, sendo a parcela de carboidrato sempre maior do que a parcela proteica.
- Vale lembrar que atividades longas, com duração de uma hora ou mais, devem receber reposição energética durante o exercício também.
- A alimentação adequada contribui muito. O indivíduo que se alimenta bem suporta uma carga de exercícios maior es consequentemente, alcança melhores resultados.
- Durante o treinamento, o ideal é consumir carboidratos — isso se o exercício for durar mais do que uma hora. Carboidratos na forma líquida, normalmente são mais tolerados. Eles estão presentes em vários sucos ou podem ser consumidos na forma de suplementos. Caso o exercício dure menos que uma hora, apenas água é suficiente.
- Não fique muito tempo sem comer. A alimentação de 3 em 3 horas é a mais adequada. No caso do atleta, a rotina é um pouco diferente: pela carga do treinamento, às vezes é necessário incluir mais refeições na rotina alimentar.
- Gorduras saturadas e excesso de carboidratos simples devem ser evitados pelos atletas e pelas pessoas em geral.
- Os líquidos devem ser distribuídos por todo o dia — não adianta consumir 2 litros de água pela manhã e passar o resto do dia sem se hidratar. O consumo de líquidos também deve ser fracionado.
- A inclusão de suplementos deve vir acompanhada da orientação adequada. É muito comum ver um grande consumo de suplementos na quantidade e em horários inadequados. A orientação garante que você aproveite o máximo o suplemento utilizado.

Texto: Pâmela Silva | Fotos: Julio Sian | Produção: Marcela Versiani e Mel Candido Modelo: Ana Carolina Cyrino Oliveira – dotmarketing.com.br – Tel.: (16) 3446.5742 Agradecimentos: Academia de Boxe Bruno Galati – Tel.: (16) 3626.1982 Winner Academia – Tel.: (16) 3623.8587 | Decathlon – Tel.: (16) 3995.9960