Válvula de escape
Leitura se transforma em poderosa aliada para momentos de lazer durante o isolamento social
Texto e fotos: Luan porto
A pandemia do novo coronavírus trouxe consigo mudanças completas na rotina, criando novos hábitos e costumes. Embora para muitos a internet seja uma boa companheira, algumas pessoas encontraram nos livros uma maneira de se distanciar das más notícias, aventurando-se por outras histórias.
Em Ribeirão Preto, também foi possível notar o aumento do hábito de leitura e participação em projetos que envolvam livros. Segundo Adriana Silva, presidente interina da Fundação do Livro e Leitura, mesmo sem as atividades tradicionais, muitos continuaram buscando participar dos projetos e foi constatado um aumento na procura pelas ações: entre março e julho, mais de 15 mil pessoas participaram das atividades oferecidas pela Fundação.
O aumento da procura é resultado, também, de um longo processo de fidelização do público, durante os 20 anos da Feira do Livro, e Adriana ressalta a importância da relação com os leitores. “Sempre utilizamos estratégias de comunicação e marketing para aprimorar a forma de nos relacionarmos com nosso público, por meio de encontros presenciais e, nos últimos anos, por ações nas redes sociais”, pontua.
Sobre a importância da leitura durante o momento atual, Adriana ressalta que a companhia dos livros é essencial para expandir a visão sobre o mundo, além de ter um grande papel na construção dos indivíduos. “A leitura, em todos os níveis e modalidades, é matéria prima da formação cidadã, crítica e, assim, da consolidação do ser humano como tal”, conclui.
Uma das participantes do projeto Clube do Livro, a auxiliar de cozinha Paula Ubinski conta sobre a emoção que foi ter seu livro preferido como assunto em um dos encontros no mês de seu aniversário. “Foi incrível, pois eu comemorei participando do clube do livro. Pessoas maravilhosas discutiram sobre meu livro favorito. Claro que tenho outros, mas foi esse que proporcionou a reviravolta que eu precisava. A discussão veio para coroar meu aniversário”, comenta a participante sobre a conversa a respeito do livro A Metamorfose, de Franz Kafka.
Paula desenvolveu o hábito da leitura ainda criança, por volta dos nove anos. Apesar de contar que não teve incentivo dentro de casa, seu primeiro contato foi com o livro Crepúsculo de Outono. “Meu gosto pela leitura começou aí. Acho que porque já não tinha muita escapatória, vivia num contexto muito complicado. Esse livro que me resgatou, de certa forma, e fez com que eu me apaixonasse”, afirma.
Sobre a importância da leitura em sua vida, Paula não poupa palavras ao descrever a mudança proporcionada pelos livros. “Eu entrei no caminho certo. Descobri a minha essência, sinto a minha essência e só consegui sentir tudo isso e descobrir por meio da leitura, através dos livros”, finaliza.
Antes da pandemia, a auxiliar de cozinha comenta que lia por volta de dois livros a cada mês, agora, com um tempo mais versátil, esse número subiu para quatro e até mesmo cinco livros a cada 30 dias. Paula comenta que a leitura tem sido importante na quarentena. “Não apenas para mim, mas para todos que têm essa oportunidade de conhecer esse mundo, de conhecer informações novas, acalmar a mente e acalmar o coração. Tem muito livro que traz uma sensação de esperança, que acalenta”, afirma.
Mudança de vida
Além de ser considerada um prazer e a fonte de informações e conteúdo, a leitura também pode ser o propulsor de uma mudança de vida, como foi o caso de Pedro Martins, estudante de jornalismo. “Sem os livros na minha vida, sem Harry Potter quando eu era pequeno e outros livros, eu não teria escolhido fazer jornalismo, que é uma profissão que me traz muita alegria. Sinto-me realizado”, explica.
O estudante completa que os livros foram importantes para estreitar laços e o preparar para o mundo. “Eu não teria conhecido grande parte dos meus amigos, por meio de blogs, sites, comunidades de fãs, e acho que quando você conhece outras realidades constantemente, abre um pouco mais sua mente”, conclui.
Sem muito incentivo em casa, o estudante conta que a leitura passou a fazer parte da sua vida desde muito cedo, sob influência de uma famosa série de filmes. Movido pela curiosidade para saber o que aconteceria nos longas seguintes, Pedro se aproximou dos livros, onde as histórias já haviam sido contadas. Apesar da preferência por livros de aventura quando mais novo, hoje, o estudante de jornalismo exibe uma grande diversidade na leitura, passando por vários gêneros e até mesmo clássicos da literatura brasileira e estrangeira.
Durante a quarentena, Pedro disse ter voltado a ler mais — por volta de 15 livros desde o início do isolamento social — e, para o estudante, a companhia dos livros é sempre bem-vinda. “Eu passei a ler mais durante a quarentena por ter mais tempo, mas a companhia de livros sempre foi muito interessante. Eu consigo me transportar pra mundos e situações diferentes do que vivencio e tenho muito interesse por isso. Também tenho lido muitos livro-reportagem, relatos, obras históricas. É uma questão de curiosidade, de conhecer coisas novas. Pela literatura eu consigo isso: quando leio obras antigas, de outros países, acho muito interessante”, afirma.