Vamos falar sobre respeito

Vamos falar sobre respeito

*por Cláudia Seixas

Em 2016, senti a necessidade de expressar o meu descontentamento com a realidade que me cercava. Com o intuito de provocar uma reflexão sobre o tema em outras pessoas, enviei o seguinte texto para alguns amigos: *Cláudia Seixas, advogada

“Vimos de tudo e mais um pouco. Sofremos e sorrimos. Porém, confesso que, do alto dos meus 56 anos, nada me chama mais a atenção do que a falta de respeito. Podemos não gostar de uma pessoa, mas devemos, no mínimo, respeitá-la. Não é o que tem acontecido. Dia após dia, acompanhamos situações desconcertantes, como o drama dos refugiados, os atentados, os escândalos, as doenças, a pobreza e a fome, entre outras. Ao mesmo tempo, em meio  às tragédias, somos surpreendidos com a vida nascendo e recomeçando. Tudo novo no velho, tudo feliz no triste, tudo vermelho no negro. Simples é a vida, simples é o respeito, simples é ser simples. Respeitem-se e sejam simples pessoas. Simples pessoas, doces pessoas!”. 

Mantenho cada palavra que escrevi e acrescento que, em 2017, a situação não mudou. Veja o caso do bebê Arthur. No dia 30 de junho, em Duque de Caxias, Baixada Fluminense, ele foi atingido por uma bala perdida ainda no útero da mãe. Isso é um absurdo! Como dizia minha amada avó: “estamos no final dos tempos...”. Tempos cruéis, desumanos. Assistimos a total impotência do Estado. Como pode uma vida que está sendo gerada ser ceifada dessa maneira? A covardia foi tamanha que Arthur, muito embora tenha lutado por sua vida, não resistiu. Rendeu-se à morte! 

Agora, em agosto, celebramos o Dia dos Pais. O que o pai do Arthur tem para comemorar? Não há nenhuma resposta plausível ou reconfortante para essa pergunta. Aos pais que terão o privilégio de passar a data ao lado de seus filhos, festejem com máxima alegria, mas, não se esqueçam de ensiná-los sobre valores, especialmente sobre o respeito ao ser humano, o respeito à vida.

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