Vendas aquecidas

Vendas aquecidas

Avaliar taxas oferecidas por diferentes bancos é fundamental para não ficar com as contas no vermelho

Com a ajuda do governo e a redução do IPI, a compra de um carro novo — sonho de muitos brasileiros —tornou-se ainda mais atrativa para os motoristas nos últimos meses. Os números mostram que em Ribeirão Preto, as vendas de veículos foram ainda melhores: ultrapassaram a média nacional de outubro. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de outubro superaram em 17,7% a comercialização verificada no país em setembro deste ano. Só em Ribeirão Preto, o emplacamento aumentou 28,38% na mesma comparação.

A jornalista Mariana Lellis Pizzi foi uma das consumidoras que aproveitou a redução do IPI para comprar seu primeiro veículo. Segundo a profissional, o IPI foi um dos fatores decisivos em sua compra. “Não pretendia comprar o carro esse ano. Já sabia da redução do IPI, porém ainda não tinha um valor para dar uma boa entrada no carro. Estava analisando as ofertas das concessionárias e encontrei uma opção dentro do que precisava”, relata a motorista, que se apaixonou pelo modelo escolhido. De acordo com a cliente, algumas concessionárias de Ribeirão Preto souberam aproveitar esse momento agregando promoções que atraíram ainda mais o cliente.

O diretor da Citroën Indépendance, Tiago Wadhy Rebehy, conta que a queda do IPI impulsionou as vendas da concessionária. Além disso, a loja aproveitou o valor mais baixo para lançar promoções e novidades. “A maioria dos nossos carros está com condições especiais. Emplacamos, em média, 150 carros por mês, um volume muito bom quando comparado à média nacional”, conta o diretor. Para dezembro, a perspectiva é que as vendas cresçam de 30% a 40% para novembro.

Apesar de tanta facilidade, é preciso cautela. Quem não pode comprar o carro à vista, deve avaliar taxas oferecidas por diferentes bancos, analisando as possibilidades de adquirir o bem sem deixar as contas no vermelho.  As condições costumam variar bastante, bem como as taxas aplicadas. O cliente não pode esquecer, também, que carro demanda muitos outros gastos. Os custos com combustível, estacionamento, IPVA e seguro devem ser embutidos no orçamento.

Segundo Jair Casquel, economista e professor universitário, a diminuição do imposto é positiva para os consumidores. Entretanto, também indica que o mercado está esfriando. “O governo diminui o imposto para melhorar o preço e manter as vendas. Por isso, é importante manter o alerta ligado em relação a dívidas futuras. Pagar à vista é sempre a melhor alternativa”, destaca o especialista.

Além disso, Jair alerta para a necessidade de intensificar as pesquisas antes de financiar qualquer modelo. “Muita gente já opta pelo parcelamento na própria concessionária. Diversas vezes, o financiamento no banco sai bem mais barato. O melhor é o cliente já chegar na loja com a proposta pronta, garantindo, assim, uma argumentação consistente junto ao vendedor e para conseguir descontos melhores”, acrescenta, destacando que os consumidores devem ter em mente que o automóvel é um bem de consumo durável, que se desvaloriza na hora que sai da concessionária. “Pagamos pelo conforto que o ônibus não oferece”, complementa.

O desconto foi anunciado pelo Ministério da Fazenda no fim de maio, como tentativa para recuperar as vendas. Até dezembro, a previsão é que a cidade emplaque mais três mil veículos.

Texto: Mariana Secaf
Fotos: Carolina Alves, Luiz Cervi e arquivo

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