Vendas do comércio de Ribeirão Preto caem 3,76%
Em junho, o comércio de Ribeirão Preto também teve retração de -0,91% no índice de vagas de trabalho
A Copa do Mundo de Futebol no Brasil não trouxe o movimento esperado para o comércio de Ribeirão Preto e junho fechou com as vendas no vermelho. A queda foi de -3,76% em comparação ao mesmo período de 2013. Foi o pior resultado deste ano, segundo a pesquisa “Movimento do Comércio” realizada mensalmente pelo Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão (Sincovarp) e região.
Entre as empresas entrevistadas, 68,8% declararam que as vendas do mês passado foram piores que as do mesmo mês no ano passado, enquanto 29,2% disseram o contrário e apenas 2,0% consideraram as vendas equivalentes nos dois períodos.
Setorial
O pior desempenho de vendas em junho foi o do segmento de Ótica (-9,80%), seguido por Vestuário (-6,78%), Móveis (-6,12%), Presentes (-5,64%), Cine/Foto e Livraria/Papelaria (ambos com -5,25%) e Tecidos/Enxoval (-1,90%). As variações positivas foram dos setores de Eletrodomésticos (+5,64%) e Calçados (+1,25%).
Emprego
Em junho o comércio de Ribeirão Preto teve retração de -0,91% no índice de vagas de trabalho. Entre as empresas entrevistadas, 87,8% mantiveram o número de empregados, enquanto 10,2% demitiram e 2,0% contrataram durante o mês. As reduções foram registradas nos setores de Móveis (-3,33%), Vestuário (-2,78%), Eletrodomésticos (-2,29%) e de Livraria/Papelaria (-0,56%). O único setor que criou novas vagas de trabalho foi o de Calçados (+0,78%).
Segundo Marcelo Bosi Rodrigues, economista do Sincovarp, responsável pela pesquisa, o cenário econômico continua complicado, com forte pressão inflacionária e baixo crescimento econômico. “Além disso, o baixo nível de desemprego, um dos pilares da economia nacional, começa a dar sinais de inversão de tendência. A indústria nacional há muito tempo vem apresentando dificuldades e agora parece que chegou a vez do comércio, que vinha mantendo vendas crescentes sustentadas pelo consumo doméstico. O varejo começa a sentir a apatia econômica que atingiu o consumo interno”, analisa.
Ainda de acordo com o economista, o Mundial de Futebol parece ter trazido aumento do consumo apenas para as cidades-sede e para alguns setores como o de Eletrodomésticos, por exemplo. “No entanto, a grande maioria dos segmentos não percebeu essa demanda, pelo contrário, amargou um vácuo no consumo que se traduziu em queda nas vendas. Agora, temos pela frente as eleições que prometem chacoalhar o cenário político nacional e, por consequência, o cenário econômico. A relação entre um e outro é muito forte: quanto mais complicado fica o cenário econômico, maior a tendência de renovação nas urnas e, com uma renovação política, fica maior a tendência de alteração nos rumos da política econômica”, diz.
Para Rodrigues, a expectativa é de que o segundo semestre de 2014 continue “morno” para o comércio varejista. “O cenário para os próximos anos vai depender, cada vez mais, do resultado das urnas e da expectativa dos agentes econômicos acerca da atuação dos governantes eleitos”, conclui.
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Foto: Divulgação
* Publicado em 24/07/2014