Vendas em Ribeirão
Cenário de crescimento registrado em 2010 deve se repetir, porém mais controlado
O comércio em Ribeirão Preto fechou o ano de 2010 com o melhor desempenho, desde 1997, ano em que a Pesquisa Anual do Movimento do Comércio de Ribeirão foi iniciada pelo economista Marcelo Bosi Rodrigues, o Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto (SINCOVARP) e o Centro de Estudos em Varejo de Ribeirão Preto (CEVARP).
A pesquisa avaliou nove setores e nenhum deles apresentou queda. O de eletrodomésticos registrouum crescimento de 13,24%, seguido por calçados, com 10,81%, móveis, com 8,87%, vestuário, com 7,44%, tecidos/enxoval, com 4,21%, presentes, com 2,35%, ótica, com 1,19%, cine/foto, com 0,84% e livraria e papelaria, com 0,06%.
Segundo Bosi, o aumento já era esperado, pois desde o final de 2008 o mercado já vinha se aquecendo.“O resultado não nos surpreendeu. Sentimos uma melhoria nas conversas que tivemos com os varejistas durante a pesquisa. Outro fator importante foi o aumento na taxa de emprego, na renda e no crédito”, afirma o economista.
Essa tendência de crescimento se mantém em 2011. As vendas no comércio da cidade tiveram alta de 3,56% em janeiro de 2011 na comparação com o mesmo período do ano passado. “O percentual mantém a tendência de alta de 2010, porém, fica abaixo da média de crescimento do ano passado, confirmando uma desaceleração no crescimento”, observa o economista.
Entre as empresas entrevistadas, 66,7% consideraram que as vendas de janeiro de 2011 foram melhores do que em janeiro de 2010, enquanto 31,1% declararam o contrário e 2,2% não sentiram diferença entre as vendas dos dois períodos.
Entre os setores, apenas dois apresentaram redução no volume de vendas, vestuário com o pior resultado (-3,71%) e presentes (-3,26%). Os demais apresentaram aumentos, o melhor resultado foi no setor de móveis, com crescimento de (+11,60%), seguido por livraria/papelaria (+8,70%), tecidos/enxoval (+8,63%), eletrodomésticos (+6,90%), calçados (+3,25%), cine/foto (+2,77%) e ótica (+1,30%).
Quanto ao número de postos de trabalho do comércio, a pesquisa apurou uma queda na média geral (–2,46%), durante o mês de janeiro. Entre as entrevistadas 80% mantiveram os quadros inalterados, enquanto 15,6% demitiram durante o mês e 4,4% contrataram. Os setores que demitiram e suas respectivas reduções foram calçados (-7,46%), vestuário (-3,64%), eletrodomésticos (-3,39%) e presentes (-2,08%).
A redução é considerada esperada para a época, devido ao caráter temporário das contratações do final do ano. O único setor que contratou foi livraria/papelaria, aumentando o número de funcionários em (21,88%), em janeiro, embora esse seja também um movimento esperado devido às vendas de material escolar, a intensidade surpreendeu.
Apesar dos bons resultados o momento é de cautela, afirma Bosi. “Vimos no começo desse ano a imprensa noticiando o bom desempenho do comércio, e os números apresentados pela pesquisa confirmam as expectativas de continuidade do aumento nas vendas, mas a temática já mudou. Agora o que virou notícia foi o aumento nos preços. Como tem sido possível acompanhar, os preços vêm demonstrando uma tendência de alta, decorrente do crescimento econômico percebido em 2010, por isso, o Banco Central promoveu medidas de desaceleração, para evitar que a inflação volte a patamares indesejados. Essa será a tônica do ano no Brasil: olho na inflação e pé no freio, quanto maior a ameaça, mais fundo se pisa”, conclui.
Revide On-line: (Colaborador: Bruno Silva)
Fotos: Arquivo Revide