VI FestIbero
VI Festival Ibero-Americano de Teatro comemora os 24 anos do Memorial da América Latina
O Memorial da América Latina celebra seus 24 anos com uma grande festa teatral: o VI Festival Ibero- Americano de Teatro de São Paulo, de 18 a 24 de março. O Instituto do Livro da Prefeitura de Ribeirão Preto será parceiro do VI Festival a convite da Secretaria de Estado da Cultura, por meio do Memorial da América Latina, informa o presidente do Instituto do Livro, Edwaldo Arantes.
Mais uma vez, numa parceria com os consulados da América Latina, Portugal e Espanha, bem como o apoio do Instituto Cervantes (Espanha) e o Instituto do Livro (Ribeirão Preto), numa parceria com a Associação São Pedro Pró-Cultura Paulista, o Memorial da América Latina recebe grupos teatrais que se destacaram recentemente em seus países.
É oportunidade rara para o público paulistano ter um panorama das artes cênicas da Península Ibérica e da América Latina. Vale lembrar que a entrada é franca. São 12 mil ingressos para quem aprecia uma programação teatral diversificada com comédias, tragédias e dramas.
O público poderá assistir gratuitamente 14 montagens teatrais de diversos gêneros, que levam à cena autores clássicos e contemporâneos, e utilizam linguagens que vão da tradicional à vanguarda. As montagens são provenientes de sete países, sendo que oito delas são do Brasil, duas da Argentina, e as outras quatro de Espanha, Portugal, Bolívia e México.
FestIbero – O Festival Ibero- Americano de Teatro de São Paulo foi concebido para pensar o papel do teatro na sociedade atual, evidenciando as tendências de cada região e como assimilam e respondem às questões contemporâneas. Com ele, o Memorial cumpre sua missão de promover o diálogo e estreitar ainda mais os laços culturais entre países irmãos.

Segundo o coordenador geral do Festival, Luis Avelima, “o intuito é mostrar a diversidade cultural e mapear a produção contemporânea das artes cênicas, além de traçar um paralelo entre a produção dos países da América Latina, Portugal e Espanha”.
O VI Festival Ibero-Americano de Teatro de São Paulo será aberto com uma homenagem ao ator Lima Duarte, um dos maiores ícones do teatro brasileiro. Em seguida, Lima apresenta A Língua de Deus, concepção, direção e atuação de Lima Duarte. A peça é um dialogo sobre a língua portuguesa entre o Padre Antônio Vieira e Riobaldo Tatarana, de João Guimarães Rosa. “Um encontro em Brasil e Portugal. O padre falava um barroco português e Guimarães Rosa era um inventa-línguas. Mas ambos, no final, falam a língua de Deus, que é a língua do amor”, explica Lima.
O Brasil é representado por grandes trabalhos de pesquisa: o premiado Grupo Lume, que apresenta Shi-Zen, 7 Cuias com direção de Tadashi Endo. Outra produção de destaque é a do Grupo Rotunda, que se volta para o mais antigo dos autores trágicos, Ésquilo, e monta sua obra derradeira, Oréstia. Encenada por mais de 20 atores, a triologia reúne, Oréstia, Agamêmon e Coéforas e Eumênides. A poesia e a vida do poeta Manoel de Barros é dramatizada na peça UManoel, que tem no elenco Mariana Muniz e Rubens Caribé.
Do Rio de Janeiro são dois espetáculos de sucesso que receberam excelentes críticas de Barbara Heliodora: A Valsa nº 6, de Nelson Rodrigues. A adolescente Sônia é vivida pela atriz Luisa Thiré e a direção é de Claudio Torres Gonzaga.
O outro sucesso é do autor João Falcão, a comédia Uma noite na Lua. Gregorio Duvivier interpreta um escritor angustiado, sem um único título de sua autoria, que luta para terminar uma peça sobre um homem solitário. Mas durante este processo sempre vem à tona as lembranças de sua ex-amada Berenice. “Uma noite na lua” divertida, fascinante, melancólica, um exemplar excepcional da nova dramaturgia brasileira. Dirigido pelo autor, “Gregorio Duvivier foi guiado para ter uma atuação precisa, que consegue transmitir o caos interno do protagonista sem exageros”, escreveu a crítica teatral Barbara Heliodora.
O Festival é uma rara oportunidade para se ver espetáculos que dificilmente viriam ao Brasil e, deste modo, entrar em contato com grupos teatrais importantes, como, por exemplo, o Grupo Peripécia Teatro, de Portugal, que apresentará o espetáculo 1325, direção de José Carlos Garcia.
Um espetáculo moderno e contundente, que conta as histórias de grandes mulheres ativistas e pacifistas que lutaram contra o horror de conflitos bélicos no mundo dentre eles Israel, Palestina e a II Guerra Mundial. A cenografia, feita apenas com objetos como roupas, guarda-chuvas e varais, retrata perfeitamente o caos provocado pelas guerras. “A peça é baseada na Resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que exorta aos estados membros a inclusão das mulheres na construção e manutenção da Paz. Foi um processo de seis meses de pesquisa, ensaios e adaptar o livro para uma peça teatral”, conta o ator Sérgio Agostinho.
Em 1325, três avós vivem num espaço habitado por roupa e memórias: roupas penduradas, memórias guardadas, roupas em fardos, memórias a monte, roupas coloridas, trágicas memórias. São as avós quem nos guiam pelo universo da Mulher e sua relação com a Paz, numa narrativa formada por vários quadros que se centram no ativismo de uma mulher ou conjunto de mulheres. O tom narrativo de 1325 está intrinsecamente associado à ternura e ao humor, procurando intensificar o espírito de positivismo que dá força a estas mulheres que, por todo o mundo, vão tecendo, com paciência, um vestido branco do tamanho da Terra. No elenco Ángel Fragua, Noelia Domínguez e Sérgio Agostinho.
A Argentina traz duas montagens: a primeira é ADN (hijos sin nombre), de Andrea Juliá, direção de Horacio Medrano, com Andrea Juliá, Dalila Romero e Milnea Medrano. O espetáculo mostra as perversas mentes dos militares da última ditadura argentina, que deixou muitas crianças sem a carícia maternas. Uma tragédia que está impressa na alma de mães e filhos que se procuram no dia a dia, em sonhos, impressões e sensações. A segunda peça é Como arena entre las manos, de Pablo Mascareño.
Outro destaque internacional ficou a cargo da Cia El Bunker, da Bolivia, La muerte de um actor, de Antonio Peredo González, que retrata a tragédia uma criatura que nasceu no teatro.
Já Chrysalis, da Espanha, apresenta um trabalho de pesquisa com ênfase no teatro físico. A montagem tem como conflito o nascimento de um bebê que traz encontros, discórdias, e paixões. A direção de Jordy L. vidal traz no elenco Vania D”Angelo e Kevin Troussart, entre outros.
A Cia Tryo Teatro Banda, do Chile, traz a montagem "Pedro de Valdivia:la gesta inconclusa", de Juan Francisco Sánchez. O espetáculo musical dirigido por Sebastián Vila conta a história dos primeiros anos da conquista do Chile (1536-1553), centrando-se na figura de Pedro de Valdivia e tomando como fio condutor as cartas que o conquistador espanhol enviou ao rei de Espanha Carlos V. No elenco Francisco Sánchez, Pablo Obreque e Alfredo Becerra.
Já o México comparece com La virgen loca, de Hosmé Israel. A direção é de Enrique Pineda. O texto fala da solidão, da loucura que conduz ao riso ou à franca gargalhada. É um espetáculo divertido, profundo e universal que nos permite observar clandestinamente um dia na vida de uma solteirona só, abandonada e cheia de angústias.
O Grupo Quatroloscinco, de Belo Horizonte, encerra o festival com o espetáculo É só uma formalidade. A direção de Ítalo Laureano traz no elenco Assis Benevenuto, Ítalo Laureano, Marcos Coletta e Rejane Faria. A montagem tem como pauta o homem e seus anseios. Um homem recebe a notícia da morte do pai, um outro escreve uma carta de divórcio. Tratadas com humor e ironia estas duas situações servem de pretexto.
Fonte: Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto