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Após o tratamento de um câncer de próstata, é possível garantir qualidade de vida aos pacientes
O tratamento de um câncer de próstata é envolto por uma série de questões, especialmente no que se refere às possíveis sequelas, seja do procedimento cirúrgico, seja do tratamento radioterápico. Pela localização da glândula que compõe o aparelho reprodutor masculino, são comuns os relatos de incontinência urinária e disfunção sexual depois desse período. Essas sequelas podem ser temporárias ou permanentes, em maior ou menos intensidade, mas causam extrema insegurança. A verdade, no entanto, é que os avanços da Medicina têm garantido o surgimento de diversos recursos para lidar com as possíveis consequências indesejadas do tratamento desse tipo de tumor.
O médico oncologista do InOrp/Grupo Oncoclínicas, Saulo Brito (CRM: 151.962) explica que as toxicidades durante o tratamento são frequentes, por isso, é possível que seja necessário conviver com algumas sequelas. “O câncer de próstata é tratado, na maioria das vezes, com intuito curativo, quando a doença está localizada apenas na próstata. Nesses casos, o tratamento é local, mas radical, compreendendo a retirada ou a irradiação de toda a próstata. As consequências desses procedimentos são frequentes e envolvem, principalmente, impotência sexual e incontinência urinária, podendo impactar negativamente na saúde mental também”, pontua o oncologista.

Segundo o médico, em muitos casos, é recomendado, também, o bloqueio hormonal masculino, que traz alguns problemas como perda de libido, fadiga, ondas de calor, perda de massa óssea e aumento do risco de eventos cardiovasculares, como infarto e derrame cerebral. “Em todas as situações, adotar medidas comportamentais, com atividades físicas assistidas, controle da alimentação e do peso, promovem ganhos aos pacientes durante o pós-tratamento”, explica Saulo. O oncologista destaca, porém, que há meios de evitar as toxicidades advindas da terapia. “A cirurgia com um urologista experiente, a definição do tratamento multimodal mais indicado em cada caso, envolvendo oncologista clínico, cirurgião e radioterapeuta, são formas de se evitar as toxicidades advindas das modalidades terapêuticas”, frisa Saulo.
O médico afirma que o acompanhamento com o oncologista, mesmo após o término do tratamento, é fundamental. “Uma parcela menor dos pacientes pode ter que lidar com o retorno da doença, e, por isso, é importante continuar o acompanhamento clínico com o oncologista, que definirá o melhor seguimento de cada paciente, e por quanto tempo ele deve continuar. Em alguns casos, o retorno da doença pode ser apenas acompanhado, sem nenhuma indicação de tratamento complementar, sem nenhum perigo ao paciente”, conclui Saulo. Ele frisa, ainda, que a maioria dos casos são, de fato, curados.
O urologista Percival Martineli (CRM: 13.338) destaca que o acompanhamento médico deve verificar a cura ou não da doença, além de cuidar da qualidade de vida do paciente. “Há maneiras de melhorar as possíveis intercorrências do tratamento. Além disso, nem todo paciente tratado de câncer de próstata irá apresentá-las”, observa Percival. O especialista explica que a reversão dos problemas depende da faixa etária do paciente e da gravidade da sequela. “Para a incontinência urinária, o tratamento, geralmente, é a fisioterapia do assoalho pélvico, que traz bons resultados. Nos casos mais acentuados, em que o tratamento conservador não resolve, existem cirurgias que podem aliviar o problema”, explica o médico. Dr. Martinelli observa, porém, que os casos de incontinência urinária após o tratamento são cada vez mais raros.

Já para lidar com disfunção erétil, são usadas, inicialmente, drogas como Cialis e Viagra, que na maioria das vezes dão um bom resultado. “Além disso, pode-se recorrer a injeções intracaversonas, aplicadas diretamente no pênis com substâncias semelhantes à prostaglandina. A cada injeção, o indivíduo pode ter uma ereção”, destaca o urologista. As injeções são praticamente indolores e também trazem bons resultados.
Alguns pacientes podem recorrer, ainda, à prótese peniana. “Apesar de presente, a incidência de disfunção erétil caiu bastante, de forma que o paciente que precisa enfrentar o tratamento tem uma possibilidade muito grande de ficar livre de qualquer sequela”, frisa Percival.
Vida pós-tratamento
O médico explica que a cirurgia da próstata lida com uma área delicada, que pode afetar alguns nervos responsáveis tanto pela incontinência urinária como pela ereção. “A cirurgia, dependendo do estágio do câncer, do tamanho da próstata e da localização dos nervos, pode lesionar esses nervos, total ou parcialmente. As lesões também podem ocorrer durante a radioterapia. Nada disso, no entanto, supera o objetivo principal do procedimento, que é a cura oncológica.”, aponta o médico.
Dadas as causas dos possíveis problemas, é unânime entre os profissionais a recomendação de um estilo de vida saudável após o tratamento para o câncer de próstata, principalmente, para garantir uma boa circulação de sangue e evitar problemas cardiovasculares. O acompanhamento dos níveis de PSA também deve ser realizado de perto. É importante notar que, mesmo após a cura, o PSA pode ser detectado no corpo do paciente. Apesar de cair em grande proporção, o PSA, em alguns casos, não se torna indetectável, principalmente em radioterapia.