Vitrine do agronegócio
Com recordes de marcas, negócios e público, a Agrishow 2011 superou as expectativas e novos investimentos já estão confirmados para sua próxima edição
Com a marca de R$ 1,755 bilhão em negócios gerados, a presença de 765 marcas nacionais e internacionais, vindas de 45 países, e mais de 146 mil visitantes, a 18ª Agrishow — Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação —, consolida-se como uma das principais feiras do agronegócio mundial. Realizada no Polo Regional de Desenvolvimento Tecnológico dos Agronegócios do Centro-Leste / Centro de Cana IAC, em Ribeirão Preto, a Feira bateu recordes de expositores, volume de comercialização e público.
Segundo os organizadores, o movimento comercial foi 52,6% maior do que a edição passada e a geração de emprego foi 37% maior que a Agrishow 2010. Sob a presidência de Maurilio Biagi Filho, em 2012, a Feira deverá se consolidar como um dos mais importantes eventos comerciais do setor, que responde por cerca de R$ 70 bilhões da balança comercial nacional. Para o empresário, esses números seriam inviáveis se não fosse a força do homem do campo. Ele se mostrou indignado com alguns discursos contrários ao desenvolvimento interno do setor e as pressões externas.
Ao assumir o cargo, Maurilio conta com o apoio de Cesário Ramalho da Silva, presidente da Agrishow 2011 e da SRB, que permanecerá no Conselho Consultivo da Feira, e do gerente da feira, José Danghesi. O evento é organizado e promovido pela Reed Exhibitions Alcantara Machado. A Agrishow é uma iniciativa da Associação Brasileira de Agribusiness (ABAG), Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) e Sociedade Rural Brasileira (SRB).
Para a 19ª edição da Agrishow, Maurilio revela que a questão da educação ambiental e o desenvolvimento de um plano diretor devem ser priorizados. “A Feira está redonda e muitos progressos já foram feitos de 2009 para cá. Agora, é só manter o padrão de qualidade em sua estrutura e trabalhar alguns pontos, como a questão ambiental”, observa o empresário, que pretende investir em campanhas educativas e também na questão de coleta seletiva, por exemplo.
Com a concessão da área pelo Governo do Estado de São Paulo por mais 30 anos, a abertura de novos investimentos em estrutura fixa também deverá ser incentivada. Uma das primeiras empresas a investir para oferecer maior comodidade aos visitantes foi a John Deere, que, já nesta edição, edificou seu estande em alvenaria. O Bradesco também pretende construir uma base fixa na Feira no próximo ano.
Experiente empresário do agronegócio, Maurilio vai conciliar a presidência da Agrishow com os trabalhos à frente do Grupo Maubisa e da Bioenergética Aroeira. Membro do Conselho do Sistema Educacional Brasileiro (SEB), o executivo contribui, ainda, para a elaboração de políticas públicas de investimentos em energia através do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República ((CDES). Como conselheiro, atua também em importantes instituições, como a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), da Câmara Americana de Comércio (AMCHAM), da União da Indústria de Cana de açúcar (UNICA); do Conselho Superior de Meio Ambiente (COSEMA-FIESP) e do Conselho Superior do Agronegócio (COSAG-FIESP).
Superando expectativas
Presidente da Feira por três anos consecutivos, Cesário Ramalho da Silva reforça que a sociedade precisa ter consciência da importância do agronegócio brasileiro. Com tecnologia de ponta, eficiência na produção, qualidade de produtos e serviços, além de recordes de comercialização, ele aponta o agricultor como o “grande astro da Agrishow, considerada um shopping center de tecnologia em ação”.
Direcionada a agricultores, pecuaristas, agroindustriais, empresários, industriais, entidades de classe e estudantes, durante os cinco dias da Feira, foram realizadas mais de 800 demonstrações de campo, em que o produtor conferiu de perto a eficiência das máquinas e produtos comercializados.
Lembrando a versatilidade da Agrishow, desde sua primeira edição, em 1994, Cesário apontou a regionalização dos estandes, iniciada em 2010, como o grande diferencial da Feira em relação às edições anteriores. Para facilitar a visitação e a localização de cada segmento, empresas de um mesmo ramo de atividade foram colocadas próximas umas das outras, criando-se setores como: irrigação, armazenagem, aviação, automobilismo, máquinas para construção, caminhões e transbordos, pneus, pecuária, entre outros.
Segundo Cesário, muitas marcas esperam um ano inteiro para lançar um novo produto na Feira, já que a visibilidade da Agrishow é mundial. “Uma referência disso é que este ano tivemos, além das presenças dos ministros da Agricultura, Wagner Rossi, e da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, a visita dos principais ministros da Agricultura do Mercosul”, aponta Cesário.
Para ele, a Agrishow referenda a tendência da agricultura em alta e os excelentes resultados da safra agrícola 2010-2011, que coloca o Brasil em um patamar privilegiado no mercado internacional de commodities. “Tanto é que o país sefará presente na reunião do Grupo G20 Agrícola, que acontecerá nos dias 22 e 23 de junho, em Paris, e terá como tema central a segurança alimentar”, explica Cesário. Criado em 1999, o grupo é formado pelos ministros de finanças e chefes dos bancos centrais das 19 maiores economias do mundo, mais a União Europeia.
Outras novidades deste ano foram a criação de um estande voltado somente para os fertilizantes e a chamada Oficina de Fazenda, montada dentro do Pavilhão Oeste, com uma oficina-modelo, equipada por empresas do setor de ferramentas, com tudo o que há de mais moderno no mercado. Uma exposição de cavalos da raça Campolina também chamou a atenção dos visitantes. Em uma área de 900 m², a Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Campolina demonstrou toda a genética desenvolvida nesses animais.
Em sua visita à Feira, a senadora Kátia Abreu, presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA,) demonstrou interesse na criação de um estande para realizar debates e conferências, liderados por ela, nos próximos anos. “Isso só vem reforçar que a Agrishow está no caminho certo”, frisa Cesário, lembrando, ainda, que os organizadores confirmaram a construção de um galpão exclusivo para debates e palestras já na edição de 2012.
Dimensões gigantescas
Com uma expansão territorial da ordem de 15%, este ano, a Agrishow ocupou 18 dos 36 hectares (360 mil m²) disponíveis para os expositores. Foram 178 mil m² vendidos contra os 156 mil comercializados em 2010, como explica José Danghesi, gerente da Feira e show manager da Reed Exhibitions Alcantara Machado, organizadora do evento. Os fabricantes puderam testar suas máquinas em cerca de 100 hectares de área plantada, destinada às demonstrações práticas de campo.
Além da setorização dos segmentos, este ano, para oferecer maior comodidade de acesso aos visitantes, a Feira contou com duas portarias e melhorias na infraestrutura interna, como nos arruamentos, sanitários, praças de alimentação, iluminação, sinalização e segurança. “As alterações facilitaram o percurso no interior da mostra, pois o visitante não precisava andar muito para encontrar os produtos desejados”, afirma o gerente da Agrishow, considerada a segunda maior do mundo. Para ele, esta foi uma semana de bons trabalhos e excelentes negócios.
Ainda segundo Danghesi, os principais desafios dos organizadores para a próxima edição são: manter as linhas traçadas pelo Plano Diretor e conquistar a afirmação da Agrishow. Com sete anos dedicados à realização do evento, o gerente explica que a Agrishow chegou ao seu ápice e que agora basta manter o que foi conquistado e melhorar alguns pontos do projeto, que este ano superou todas as expectativas já no quarto dia de evento.
Contando com um staff gerencial de 30 pessoas, a Feira é gigante também na geração de empregos, priorizados, segundo ele, para os trabalhadores da cidade e do seu entorno. Nesta 18ª edição, foram mais de cinco mil pessoas trabalhando somente na montagem e outras 20 mil no decorrer da mostra. Esses números movimentam toda a economia da cidade e, de acordo com a prefeita Dárcy Vera, demonstram o comprometimento dos organizadores com Ribeirão Preto.
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Texto: Rose Rubini
Fotos: Júlio Sian