Viúva de Caixe entrega documentos para Comissão

Viúva de Caixe entrega documentos para Comissão

Comissão da Verdade da OAB de Ribeirão Preto recebe depoimento da viúva de Vanderley Caixe

A companheira do ex-militante político e advogado Vanderley Caixe, que morreu em novembro de 2012, aos 68 anos de idade, Ayala Rocha, entregou documentos e reportagens sobre ações realizadas pela ditadura civil-militar, em Ribeirão Preto, para a Comissão da Verdade da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no município.

A entrega dos papéis aconteceu nesta sexta-feira, 21, na sessão da Comissão da Verdade. As informações farão parte do relatório final da comissão.

Durante depoimento, Ayala informou sobre as torturas que o marido sofreu, enquanto foi preso político, entre 1969 e 1974, e as pressões que recebeu do regime depois de solto, quando foi coordenador do Centro de Defesa dos Direitos Humanos, da arquidiocese do Estado da Paraíba.

O filho do advogado, Vanderley Caixe Filho, também foi convidado para depor, mas por se sentir desconfortável com o assunto se retirou ainda durante o depoimento da mãe.

Caixe fez parte da Frente Armada pela Libertação Nacional (Faln), em Ribeirão Preto. Aurea Moretti, que foi militante política de esquerda no período, também depôs à Comissão nesta sexta-feira, e disse que quando foi preso, o advogado foi arrastado pela cidade até a delegacia.

Aurea e Ayala não esconderam o envolvimento de Varderley com a luta armada, pois ele não concordava com a posição pacifista tomada pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), do qual ele era militante.

“Naquela época era impossível combater a ditadura apenas com o diálogo”, disse Aurea.

Ayala lembrou que Vanderley dizia que as piores torturas eram as psicológicas, como as ameaças que a mãe dele sofria por causa do filho.

“Ele dizia estar ciente das consequências, e achava que a tortura era algo normal para quem foi à luta”, contou.

Enquanto esteve preso, o advogado se aproximou de lideranças progressistas da igreja católica, como Frei Beto e Dom Paulo Evaristo Arns, que o levaram à Paraíba depois de libertado.

Ela contou que em João Pessoa, mesmo livre, Caixe continuou a ser monitorado pela ditadura, porque ajudou a reorganizar as ligas camponesas do estado.

“O reitor da Universidade Federal da Paraíba, naquela época, foi à minha casa, e disse que não poderia garantir a segurança da minha família”, recorda.

Revide Online
Leonardo Santos (Colaborador)
Fotos: Leonardo Santos

 

* Publicado em 22/11/2014

Compartilhar: