Voto consciente
Ao optar pelo direito ao voto, a partir dos 16 anos, adolescentes se preparam para escolher seus representantes na política brasileira
Apesar da pouca idade, muitos jovens já compreendem a importância de participar de um pleito eleitoral. Essa parcela de cidadãos pesquisa e estuda antes de encarar a urna eletrônica e confirmar seu voto pela primeira vez, desejando efetivamente fazer a diferença nos rumos do país.
Programas de televisão, internet, livros e muita conversa fazem parte do dia a dia desses novos eleitores, que pretendem exercer esse ato de cidadania com responsabilidade e cautela. Para isso, Rodrigo Cândido Rodrigues, de 17 anos, procura participar de todas as ações relacionadas à política de sua escola. “O próprio colégio propõe discussões sobre o tema. No ano passado, passei a participar do jornal-mural sobre o ‘Ficha Limpa’ e gostei da experiência. Este ano, estou prestando bastante atenção na propaganda eleitoral e nas propostas de cada candidato”, declara o adolescente, que defende o voto como uma forma de brasileiros atuarem diretamente na mudança do país.
Com a ajuda do professor Vilson Soares Ferreira, os estudantes do Ensino Médio do Colégio Carlos Chagas desenvolveram uma aula prática sobre política. “Desde o primeiro colegial, passamos para eles toda a história e os conceitos da eleição. Depois, começamos a ajudá-los a desenvolver um senso crítico apurado”, explica o professor de geografia e história. O estudante Gustavo Contin de Melo, de 16 anos, aprovou a iniciativa e, junto com os colegas, ficou atento às notícias veiculadas em jornais, revistas e outras mídias sobre os deputados corruptos. Para o jovem, as informações obtidas através da televisão são limitadas e o papel de todos é buscar mais dados. “É uma pena que são poucas as pessoas que pesquisam de verdade. A grande maioria se contenta com o mínimo de informações e votam sem consciência”, assume o novo eleitor.
Com apenas 16 anos, Gabriel Villela Falleiros já se prepara para as eleições de maneira exemplar. De acordo com o estudante, o pensamento comum de não votar de acordo com a própria convicção por acreditar que não tem chances é o grande erro dos brasileiros. “Temos que analisar as melhores propostas e eleger aquele que está realmente preparado. Para isso, é preciso uma analise minuciosa do passado do candidato”, aponta o eleitor, que defende que a escola pode estimular seus estudantes a conhecer mais sobre política.
A professora Luciene Santana Oliveira, junto com o Colégio Marista, desenvolveu um trabalho voltado para este tema. “A proposta partiu da Gerência Educacional da Província Marista Brasil. A ideia é possibilitar um espaço para o debate democrático, com o aprofundamento da reflexão, formação de propostas e articulação política”, explica. Apesar da pouca idade, Lara de Melo Medeiros, de 14 anos, já está melhorando a sua consciência política através de projetos escolares e de leitura. “A maior falha dos cidadãos na hora de votar é a falta de consciência da importância desse ato para o futuro do país”, declara a adolescente, que sabe distinguir quais as funções de cada representante no governo.
Mesmo sem idade para votar, Mariana Defelicibus, de 14 anos, acredita que a vivência nesse meio a prepara melhor para as próximas eleições. “Aprendo como tomar a decisão certa na hora de escolher o candidato que irá representar a minha nação. Essa experiência me ensina a não ser influenciada pela propaganda eleitoral, votando com consciência”, conta a estudante. Muitos adolescentes mostram que estão mais engajados e participativos na política, contribuindo para o desenvolvimento do Brasil. “Como disse o filósofo grego Aristóteles, ‘O homem é um ser político por natureza’”, conclui a futura eleitora.
Saiba qual é a função de cada representante público
Deputado Estadual: esse representante ficará no cargo por quatro anos. Nesse período, pode alterar, propor e também revogar leis estaduais. Também tem a missão de fiscalizar as contas do governo do Estado e criar comissões parlamentares de inquéritos. O deputado estadual pode se re-eleger muitas vezes, sem uma quantidade limitada de mandatos.
Deputado Federal: quando eleito, tem praticamente as mesmas funções do deputado estadual, mas agora no âmbito federal. Ele deverá legislar e zelar pelas leis e princípios constitucionais do país, propondo e também revogando emendas à Constituição Federal.
Senador: o senador tem a função de debater e aprovar leis que vigorarão em todo o país. Ele também deve zelar pelos direitos constitucionais do povo, aprovar a escolha presidencial de diretores de empresas públicas, de membros do poder judiciário e de diplomatas. O senador fiscaliza, ainda, o presidente da República.
Governador: este representante é o chefe do poder executivo no Estado e deve comandar a segurança e nomear os secretários. Além disso, o governador é responsável por fazer com que as leis aprovadas na Assembleia se transformem em benefícios para a população. Administrar os investimentos regionais, garantindo que os municípios cresçam por igual, também é papel do governador.
Presidente: o presidente da República tem poder e autoridade máxima diante do poder executivo nacional. Esse representante tem a função de zelar pelos direitos da soberania nacional, manter relações com os estados estrangeiros, celebrar tratados, convenções e atos internacionais. Tem, ainda, a possibilidade de exercer o comando supremo sobre as forças armadas, pode dar início a processos legislativos, sancionar e também publicar leis, decretar intervenção federal nos estados, entre outras ações.
Texto: Mariana Secaf
Fotos: Carolina Alves