Xeque-mate
Experiência, imaginação e memória são elementos essenciais no processo cognitivo das mentes dos grandes mestres do xadrez
Nem todo jogo é ganho em um golpe de sorte. Misturando ciência e arte, o xadrez é um jogo de muita estratégia e tática. Praticado por milhares de adeptos ao redor do mundo, o xadrez passou a ser reconhecido como esporte pelo Comitê Olímpico Internacional em 2001, tendo sua olimpíada específica e campeonatos mundiais em todas as categorias.
Os irmãos ribeirãopretanos Tales Pietro Lorenzon de Carvalho (11) e Igor Lorenzon de Carvalho (15), sagraram-se Campeões Brasileiros de Xadrez Escolar, cada um em sua categoria. O campeonato foi realizado na cidade de Juiz de Fora, no Estado de Minas Gerais, de 21 a 23 de setembro de 2012. “Foi um torneio bastante difícil, afinal é um campeonato nacional do qual participam excelentes enxadristas. Felizmente, consegui vencê-los e obter o título de Campeão Brasileiro, que eu já perseguia há bastante tempo”, conta Igor, campeão da categoria 9º ano.
Na opinião de Tales, o caçula, o campeonato foi cansativo. O jovem enxadrista conta que passou horas assisitindo as partidas de seus adversários e, ainda assim, o resultado final foi inesperado para ele.
Os irmãos tomaram gosto pelo xadrez ainda muito novos, influenciados pelo pai, o Professor Dr. Antonio Carlos Duarte de Carvalho do Departamento de Medicina Social da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP. “Quando eu era bem pequeno, meu pai jogava com meu irmão e eu ficava olhando. Meu irmão começou a participar de torneios e eu quis ir jogar também”, lembra Tales, que começou a se interessar pelo xadrez aos seis anos.
O pai dos garotos ensinou os movimentos das peças a Igor quando ele tinha apenas cinco anos. E foi aos dez anos de idade que eler disputou o primeiro torneio. “Desde então passei a competir constantemente”, conta.
Campeonatos disputados
Igor e Tales já disputaram o World Youth Chess Championship (Campeonato Mundial da Juventude de Xadrez) no ano passado em Caldas Novas - GO, que na opinião dos irmãos, reuniu os melhores enxadristas com menos de 18 anos do mundo. “Era um campeonato do qual sonhava participar e espero jogar um Campeonato Mundial Absoluto quando eu for adulto”, conta Tales.
Benefícios do xadrez
O psicólogo e pedagogo Alfred Binet concluiu que experiência, imaginação e memória eram elementos essenciais no processo cognitivo das mentes dos grandes mestres do xadrez. Perguntado sobre a importância do xadrez na vida deles, Igor afirmou ser uma questão bastante subjetiva. E disse achar o jogo extremamente interessante. “Sua prática é benéfica para mim, não só para auxiliar no raciocínio e na concentração, mas também pela própria diversão que ele me proporciona”, opina.
Entrevista
É um sonho tornar-se um enxadrista profissional?
- Tales: O sonho do amador é ser profissional, mas para isso, é precis estudar muito mesmo.
- Igor: Não, não pretendo me tornar um jogador profissional. O xadrez é um jogo de que gosto muito, mas para mim, é como um hobby, e eu não penso em elevá-lo ao patamar de ocupação profissional.
Qual a maior dificuldade do jogo na opinião de vocês?
- Igor: Do ponto de vista individual, o aspecto mais complicado do jogo, é o controle de tempo limitado, ou seja, você tem uma quantidade de tempo pré-estabelecida para realizar os movimentos e, se exceder esse tempo, perde a partida. Eu, algumas vezes, encontrei dificuldades devido a isso, mas nos últimos torneios, tenho conseguido administrar melhor o tempo. Além disso, em termos gerais, existe para todos os atletas uma dificuldade para a participação em torneios de Xadrez fora de Ribeirão Preto porque isso exige muitos recursos financeiros que nem sempre os pais podem arcar. Neste aspecto é necessário mais apoio das Escolas, da Prefeitura e dos empresários que gostam de esportes para que os atletas possam representar bem a cidade nos Campeonatos importantes.
Em breve começa a 76ª edição dos Jogos Abertos do Interior “Horácio Baby Barioni”. Como se preparar para um campeonato como esse e vários outros?
- Igor: Os Jogos Abertos são uma competição muito tradicional e normalmente contam com a participação de fortes enxadristas brasileiros e estrangeiros. Para enfrentá-los, é essencial estudar suas partidas antes do evento, de forma a conhecer seu estilo de jogo, seus pontos fracos e fortes, etc. Assim é possível orientar o seu próprio jogo de acordo com esses fatores.
Qual o trabalho desenvolvido por vocês na Associação?
- Igor: Meu pai é professor da Universidade de São Paulo-USP e coordena um Projeto chamado “Xadrez para Deficientes Visuais”, numa parceria do Núcleo de Ensino, Pesquisa e Extensão em Xadrez da USP – NEPEX com a ADEVIRP - Associação dos Deficientes Visuais de Ribeirão Preto.
Além de ensinar Xadrez, o Projeto tem o objetivo de promover a inserção social do Deficiente Visual na sociedade.
No Projeto, sou responsável por ensinar os movimentos iniciais das peças e noções elementares de Abertura, Meio-jogo e Finais aos alunos. É muito bom e gratificante poder ajudar e participar desse Projeto porque posso dividir com os alunos aquilo que já aprendí sobre o jogo de Xadrez.
Além disso, também aprendo muitas coisas com os alunos como, por exemplo, o valor da amizade, da força de vontade, do companheirismo e a importância da ajuda ao próximo.
Revide On-line
Texto: Bruno Silva
Fotos: Ibraim Leão e Divulgação