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Jovens criam conteúdo na web para enfrentar o câncer

Vídeos de uma e blog de outra contam o passo-a-passo do tratamento que está sendo realizado, na tentativa de ajudar outras pessoas com a doença

Com a grande preocupação de risco de morte, a primeira reação à descoberta de um câncer costuma ser fato chocante e desesperador para a maioria das pessoas portadoras da doença.

Diferentemente de muitos pacientes com a doença, a promotora de vendas Mariana Reynaud, 24 anos, e a estudante Júlia Américo, de 14, ambas ribeirãopretanas, decidiram reverter a tristeza em esperança.

Elas optaram por mostrar, através de vídeos e textos postados nas redes sociais, o outro lado do câncer: que pode ser amenizado através do testemunho coberto de fé. 

Veja mais vídeos abaixo

A Psico-oncologista Cristiane Corsini Prizanteli, responsável pelo Serviço de Psicologia do Hospital de Câncer de Ribeirão Preto, conta que os pacientes relatam a sensação de que a morte fica mais próxima no momento em que recebem o diagnóstico.

“A doença vem como uma ameaça à vida e à integridade física do  paciente, causando sentimentos de medo, angústia, ambivalência, insegurança frente ao tratamento e os efeitos colaterais”, explica.

A especialista revela ainda que, com o impacto do diagnóstico, a notícia pode afetar de diversas maneiras alguns aspectos da vida do paciente, como o corpo, as emoções, a vida familiar, social e financeira. De qualquer forma, ela indica que o paciente precisa ter uma relação com a doença e encontrar o tipo de suporte que será mais viável a ele.

Como o caso de Mariana Reynaud, que resolveu criar um canal na rede social YouTube para mostrar a sua rotina após o diagnóstico da doença, em junho deste ano.

A intenção de Mariana ao postar vídeos (três já foram disponibilizados) sobre seu tratamento é ajudar na recuperação de outras pessoas através da divulgação de sua superação.

“Pensei no canal do YouTube para dar esperança às pessoas que têm câncer e mostrar que é possível ter uma vida normal,” relata.

Conheça o Blog da Juju

Já estudante Júlia Américo mostra seu dia-a-dia em textos e fotos publicados em um blog com o nome “Blog da Juju”. Ela relata a sua trajetória com posts relacionados principalmente ao tratamento, com fotos, mensagens e momentos de descontração após o câncer se fazer presente em sua vida.

A doença

A palavra câncer é estigmatizada e sempre associada à morte. O oncologista do Hospital das Clínicas Fabio Eduardo Zola tem como uma de suas funções esclarecer algumas informações sobre a doença, na tentativa de amenizar o estigma e a associação que o paciente faz do câncer com a morte.

Zola conta que a maneira de cada pessoa encarar o câncer está relacionada ao modo como elas enfrentam qualquer outro problema que encontra durante a vida.

A partir da descoberta da doença, o paciente deve estar ciente do prognóstico, do tratamento e das possíveis sequelas. Por isso a forma como cada um responde a estas informações é relativa a cada pessoa.

Neste sentido, Mariana conta que desde o começo reagiu tranquilamente. “Quando eu descobri que estava com câncer queria saber o dia que eu poderia começar o tratamento e como faria para ajudar a outras pessoas a não se chocarem na hora de receber um diagnóstico como esse. Assim como eu não me choquei,” relata a promotora de vendas.

Partilhando do pensamento do oncologista, Cristiane Prizanteli reforça que os pacientes reagem de forma peculiar diante do diagnóstico.

“O mais relevante é que o paciente seja respeitado e acolhido nas suas reações, e que o psico-oncologista tenha a sensibilidade e o conhecimento de compreender quando essas reações não estão sendo saudáveis para o paciente e para o seu tratamento. A partir daí, o caso deve ser discutido pela equipe interdisciplinar”, diz.

Diferente de Mariana, Júlia precisou refletir várias vezes sobre a sua condição. “Meus pais falaram sobre a doença usando metáforas. Eu não havia entendido o que eu tinha e não sabia a gravidade do problema”, comenta a estudante.

Perspectiva de cura

Diante de alternativas e tratamentos contra o câncer, a espera pelo resultado é angustiante. Perguntadas sobre o que elas esperam alcançar ao final do tratamento, as duas deram resposta foi curta, em apenas uma palavra: “cura”.

“Quero mostrar que o câncer tem cura. Precisamos quebrar esse tabu que a sociedade tem sobre a doença”, argumenta Mariana. Esperançosa, Júlia aguarda a cura da doença e pretende fazer trabalho voluntário em hospitais. “Quando eu estiver curada quero ir aos hospitais para ajudar as pessoas com a doença”, afirma.

O Oncologista Fabio Zola aponta que a maior parte dos pacientes fica curada do câncer, sendo que 60% dos casos alcançam cura definitiva.

Com a possibilidade de falar sobre a cura e sobre outros assuntos, a pessoa tem o benefício de acompanhamento com o psico-oncologista, onde é oferecido um suporte emocional, inclusive à família. Isso lhes permite enfrentar a doença com melhor qualidade de vida, desde o momento do diagnóstico, tratamento, cura e/ou cuidados paliativos. 

Revide On-line
Laura Scarpelini (Colaboradora)
Fotos: Ibraim Leão e Divulgação
Vídeos: Mariana Reynaud

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