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Mais atenção aos partos prematuros

Brasil está entre as nações com maior número de nascimentos antecipados. Para alertar sobre os altos índices no país, campanha informa as consequências do parto prematuro e explica como prevenir

Novembro Roxo é uma campanha dedicada à sensibilização da prematuridade. Segundo o Ministério da Saúde, o objetivo é alertar para os altos números de partos prematuros, informar as consequências do nascimento antecipado e, ainda, explicar como prevenir o problema.

O mês específico da ação pode ter acabado, mas esse é um tema que merece atenção o ano todo. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a prematuridade é a primeira causa de mortalidade infantil no mundo. De acordo com a Unicef e o Ministério da Saúde, 11,7% de todos os partos realizados no país são prematuros. Esse percentual coloca o Brasil na 10ª posição entre os países onde mais nascem crianças antes do tempo, contabilizando, aproximadamente, 300 mil nascidos nessas condições anualmente.

A cabeleireira e consultora de imagem Marcela Thais Sousa Costa, de 32 anos, passou por dois partos prematuros. A primeira experiência foi com o filho Marcelo, de 10 anos, que nasceu de 36 semanas de gestação. Com tamanho e peso suficientes, ele não precisou ser internado. Já os gêmeos Joaquim e Lucca, de 2 anos e 11 meses, foram mais apressadinhos: a bolsa rompeu com 31 semanas. Eles ficaram internados por 37 dias, sendo 32 na UTI Neonatal e cinco no quarto.

“Foram dias que testei a minha fé. Era como uma montanha-russa. Eu saía do hospital e estava tudo bem. Quando voltava, tinha acontecido alguma intercorrência. Chegava ao hospital às 9h e saía às 20h. Quando ia para casa, ficava ouvindo o barulho daqueles aparelhos e entrava em pânico, pensando se era um aviso de que estava acontecendo algo e isso aumentava a minha ansiedade”, conta Marcela.

A cabeleireira Marcela Costa com os filhos Marcelo, Joaquim e Lucca: muita fé e força para lidar com a internação dos gêmeos na UTI Neonatal

Ela afirma que ser mãe de prematuros é andar do ladinho de Deus. “É conhecer os milagres diários de ver aqueles pequenos indefesos lutando tão bravamente pela vida. Aprendi na UTI a ter fé, a ter paciência, a viver um dia de cada vez e que nada está no nosso controle. Sinto-me especial por Deus confiar a mim essas vidas tão preciosas. Os dias na UTI foram de aprendizado. Não somos preparadas para ter um bebê e deixá-lo no hospital. Isso foge do nosso sonho. Mas, é nessa hora que você descobre a força que tem”, aconselha.

A auxiliar de limpeza Iris Daiane Vicente Barbosa, de 31 anos, também passou por dois partos antecipados. Tanto o filho Luccas Victor, de 15 anos, quanto a filha Lais Vitória, de 2 anos e 8 meses, nasceram prematuros. “O Luccas ficou internado na UTI por três dias e depois sete dias no quarto. A Lais ficou 29 dias na UTI. Foi muito complicado ter que ir embora e deixar minha bebê lá, mesmo sabendo que estava bem assistida. Dava uma dor no meu coração cada vez que o telefone tocava em casa”, lembra.

Depois dessa vivência, ela faz questão de destacar a importância da campanha Novembro Roxo. “Há 16 anos, quando tive o Luccas, a prematuridade não era um assunto tão abordado. Ouvia muitos comentários, do tipo ‘Ele não vai aguentar, é muito pequeno, vai ficar com sequelas’ ou ‘O que você fez para ele nascer antes? A culpa é sua’. Eram comentários de pessoas que não sabiam o que estavam falando e que, para uma mãe com um bebê prematuro, era difícil de ouvir”, recorda.

Condição clínica

A pediatra intensivista neonatal e professora de Medicina da Unaerp, Juliana Arenas de Carvalho Augustin, explica que uma gestação normal dura em torno de 37 a 42 semanas. Portanto, quando o parto ocorre antes das 37 semanas, é considerado prematuro.

“A prematuridade é uma condição clínica com várias causas, podendo ter como consequência algumas complicações que influenciam na sobrevida, no crescimento e no desenvolvimento do bebê. Apesar de não se conhecer todas as causas que levam ao parto prematuro, muitos casos no Brasil estão associados à baixa condição socioeconômica, ausência de pré-natal, adolescência, fumo, álcool, drogas, infecções do trato urinário, doenças maternas (como obesidade, diabetes, pressão alta), baixo peso, intervalo curto entre as gestações e algumas malformações congênitas do feto”, detalha.

Ainda de acordo com a médica, a maioria dos partos prematuros no Brasil ocorrem entre 34 e 36 semanas de idade gestacional, e muitos destes casos são decorrentes de uma prematuridade iatrogênica, provocada por intervenção médica. “Essa situação ocorre principalmente por nascimentos de cesariana sem indicação, com data marcada ou com estimativa incorreta da idade gestacional. Para combater esse problema, não se deve realizar cesariana eletiva e com data marcada, uma vez que a estimativa da idade gestacional pela data da última menstruação e pelo ultrassom no segundo trimestre apresenta margem de erro de uma a duas semanas. Quando houver necessidade do nascimento eletivo, o parto não deve ser realizado antes de 39 semanas de gestação”, orienta.

Juliana afirma que a campanha Novembro Roxo é importante porque a maioria da população não está ciente de que é possível prevenir o parto prematuro com medidas simples, como um pré-natal de qualidade, e evitar as consequências para a saúde do bebê, para a família e a sociedade. “O prejuízo de um parto prematuro a longo prazo extrapola o campo físico e é considerado um importante problema de Saúde Pública da atualidade”, ressalta. 

Quando o bebê recebe alta, é essencial manter um acompanhamento médico especializado. “Esse acompanhamento deve ser multidisciplinar e individualizado. O seguimento dessa criança não se trata de um acompanhamento pediátrico habitual, e sim de uma extensão dos cuidados que foram realizados durante sua internação. Nos casos de prematuridade extrema, há a necessidade de acompanhamento de vários especialistas (como neurologista, oftalmologista, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, nutricionista, pneumologista, cardiologista), além do próprio pediatra. O acompanhamento adequado garante um melhor crescimento e neurodesenvolvimento do prematuro, diminuindo os prejuízos para o bebê, para a família e para a sociedade”, finaliza. 

Iris Daiane e o marido Aislan com os filhos Luccas Victor e Lais Vitória: ela defende a importância da campanha para conscientizar as pessoas sobre a prematuridade

 Dados da prematuridade no Brasil e no Mundo

• A média mundial de nascimentos de prematuros é de 10%, sendo que no Brasil esta taxa está acima, chegando a 12%, o que faz do país o 10º no ranking de nascimentos prematuros

• Os estados com maior prevalência de prematuridade são Minas Gerais, Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul

• O leite materno é a fonte nutricional mais importante para os bebês prematuros, mas a coordenação da respiração, sucção e deglutição só começa por volta de 34 semanas de idade gestacional, o que implica na necessidade de oferecer o leite materno ordenhado da mãe através de sondas de alimentação até que o bebê, com ajuda e estímulo da fonoaudiologia, consiga mamar no seio de sua mãe

• Outra ação importante para o aleitamento materno do prematuro é o método canguru, que consiste no contato pele a pele precoce entre os pais e o recém-nascido. Ele fortalece o vínculo entre mãe e filho, estimula a produção de leite, diminui o tempo de internação e aumenta a prevalência de amamentação na alta

Fonte: Associação Brasileira de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros (ONG Prematuridade.com) e Dra. Juliana Arenas de Carvalho Augustin.

Foto: Revide

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