Parada cardíaca pode ocorrer em pessoas de qualquer idade
Na maioria das vezes, a morte súbita está relacionada com doenças cardiovasculares
A morte de Bruno da Silva Teixeira, de 26 anos, após sofrer uma parada cardíaca durante uma maratona em São Paulo, no último mês, trouxe à tona um termo que costuma causar bastante apreensão: a morte súbita. Segundo a Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac), a morte súbita acomete cerca de 300 mil brasileiros por ano. São pessoas de qualquer idade, inclusive jovens. Mesmo aqueles que mantêm um estilo de vida saudável podem ser vítimas dessa fatalidade.
O médico cardiologista Ystannyslau Bernardes, diretor técnico da Nova Benê e Benevida e sócio-diretor da Medclin, explica que a morte súbita é uma parada cardíaca que ocorre de repente e, na maioria das vezes, está relacionada com doenças cardiovasculares, como a obstrução das artérias coronárias, e doenças neurológicas, como o Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou convulsões, mas, pode ser causada, também, pelo uso de drogas.
“A principal causa da morte súbita em jovens, geralmente, são as doenças genéticas com característica hereditária. A principal delas é a cardiomiopatia hipertrófica, que pode ocasionar uma arritmia grave, levando o indivíduo ao óbito”, complementou.
Por isso, ele alerta para a necessidade de exames de rotina sempre que houver um caso de morte súbita em um familiar próximo. “A prevenção está no acompanhamento de rotina com um cardiologista. Para quem tem histórico familiar, a avaliação deve ser mais frequente e com a realização de eletrocardiograma e ecocardiograma, além de teste ergométrico e exames laboratoriais”, enfatizou.
Já o mal súbito, que muita gente ainda confunde com morte súbita, é uma expressão utilizada, geralmente por leigos, para se referir a um evento agudo que pode levar o paciente à morte, como, por exemplo, o infarto, o AVC ou alguma arritmia grave. Mas, o termo, segundo Ystannyslau, também pode ser utilizado para descrever um quadro de desidratação, hipoglicemia ou um desmaio, sem, necessariamente, levar ao óbito. Em ambos os casos, a ajuda médica deve ser acionada imediatamente. Enquanto isso, é recomendado ver se o ambiente está seguro, checar se o paciente está responsivo e iniciar as compressões toráxicas, também conhecidas como massagem cardíaca.
Avaliação prévia
Fazer uma avaliação física é fundamental antes de iniciar qualquer atividade, exercício ou treinamento, de uma simples caminhada a correr uma maratona. O personal trainer Gustavo Gironi diz que se depara, diariamente, com pessoas que não fazem qualquer avaliação médica antes de iniciar a prática esportiva. “O profissional de Educação Física tem por obrigação orientar qualquer indivíduo que vá iniciar um plano de atividade física, seja ele voltado à qualidade de vida ou melhora de performance, a passar por um médico cardiologista que irá avaliar as condições cardiológicas desse indivíduo, liberando o mesmo ou não para determinada prática”, salientou.
Segundo o personal trainer, a ausência de parâmetros de avaliação cardiológica traz riscos à saúde de qualquer pessoa que esteja praticando atividade física ou prática desportiva, especialmente as de maior intensidade. “Determinadas atividades, como crossfit, maratonas, até mesmo o futebol de final de semana, podem levar a um estresse físico acima do limiar daquele indivíduo”, observou Gironi. Após essa avaliação, cabe ao profissional de Educação Física fazer o planejamento do treino que irá trazer, de forma gradativa, as adaptações fisiológicas para a melhora de performance, minimizando os riscos de lesões e problemas de ordem cardiológica.
Atendimento rápido salva vidas
• 86% das paradas cardíacas ocorrem no próprio lar da vítima;
• 50% dos casos são assistidos por um adolescente ou por uma criança, sem nenhum adulto por perto;
• 14% dos casos ocorrem em vias públicas ou em lugares de grande concentração de pessoas, como aeroportos, dentro de aeronaves, shopping centers, academias, parques. Essa taxa é considerada de alta incidência;
• A maioria das mortes ocorre fora do ambiente hospitalar, sendo necessário um atendimento rápido para evitar o óbito ou sequelas decorrentes da parada cardíaca;
• O atendimento requer a realização de manobras imediatas de ressuscitação cardiopulmonar;
• A morte súbita pode ser reversível se realizada rapidamente com desfibrilação (choque elétrico) ou quando realizadas massagens manuais de ressuscitação.
Fonte: Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac)
Foto: Pixabay (foto ilustrativa)