Psicóloga ajuda a diferenciar a ansiedade normal da patológica
Pessoas que contam com histórico familiar de doenças mentais são mais vulneráveis a desenvolver o transtorno de ansiedade
A ansiedade é uma reação normal do organismo. Ela funciona como um mecanismo de defesa para lidar com situações ameaçadoras e perigosas, que são extremamente importantes para aumentar as chances de sobrevivência do individuo. Segundo a psicóloga Paula de Oliveira Mora, essas ocasiões, tanto de conflitos como novidades, podem desencadear uma série de eventos fisiológicos. “Essas situações promovem respostas corporais, como respiração ofegante, aumento dos batimentos cardíacos, sudorese, etc. Além das manifestações psicológicas, experiências subjetivas desagradáveis como medo, angústia, apreensão”, conta.
Paula explica que essas reações acontecem porque as informações contidas em novas situações não são reconhecidas quando confrontadas com as armazenadas na memória. Nesses casos, de acordo com a psicóloga, há uma diferença entre o esperado e o acontecido. Isso acaba ativando um sistema de controle que desencadeia o estado de alerta. “É como se o organismo recebesse o comando para ficar 'de olhos bem abertos' para ser capaz de detectar eventuais perigos. Essas manifestações são normais e adaptativas, pois aumentam as chances de nos comportarmos adequadamente em situações novas”, afirma.
Entretanto, a psicóloga esclarece que quando a ansiedade começa a prejudicar, ao invés de ajudar na adaptação e segurança do indivíduo, ela acaba se tornando um sinal de alerta, podendo se tornar patológica. De acordo com Paula, um fator importante para diferenciar as reações normais das mais graves, seja considerar o quanto a pessoa está sofrendo. “Especialistas também contam com instrumentos padronizados (questionários, testes, inventários) que ajudam a fazer a avaliação do limite entre a ansiedade normal e patológica”, diz Paula.
Segundo Paula, os sintomas mais comuns para indicar que a ansiedade virou doença são as manifestações psicológicas e corporais muito intensas, que impedem a pessoa de realizar suas atividades do dia a dia como trabalho, tarefas cotidianas e relacionamentos sociais. Além disso, os sinais também podem ser físicos, como dores musculares intensas, náuseas, falta de ar, tontura, dificuldade de comer, dormir, apreensão constante e irritabilidade. “É preciso levar em consideração também o tempo de duração destes sintomas. Quando persistem por muito tempo, são exagerados e disfuncionais, a ansiedade ultrapassa os limites da normalidade, e passa a ser considerada uma patologia”, afirma a psicóloga.
Ansiedade Patológica : causas, sintomas e tratamento
O transtorno de ansiedade é tido como uma doença crônica, cujo tratamento ameniza os sintomas e melhora a qualidade de vida da pessoa que sofre com a ansiedade. Apesar de ainda não ser possível determinar exatamente a força do fator genético, a psicóloga explica que existe pessoas mais vulneráveis que outras em desenvolver os sintomas, como as que contam com histórico familiar de doenças mentais ou que tenham parentes próximos que sofrem da doença.
Além delas, segundo Paula, pessoas que foram expostas a eventos estressantes na infância ou mesmo na idade adulta e indivíduos tímidos e inibidos na infância, também são mais vulneráveis a desenvolver o transtorno. “Algumas pesquisas também tem sido feitas no sentido de verificar a relação entre a ocorrência do transtorno de ansiedade e o viés cognitivo que a pessoa apresenta aos sinais de perigo. Algumas pessoas parecem 'ver' perigo onde não há, ou mesmo exagerar a intensidade de estímulos ambientais, tornando-os mais ameaçadores”, comenta a psicóloga.
Essas pessoas desenvolvem reações distintas, podendo também ter diferentes tipos de transtornos de ansiedade. De acordo com Paula, os sintomas também se diferenciam em alguns aspectos. “Em geral, sinais de ansiedade patológica incluem sintomas cognitivos e psicológicos, como preocupação, angústia, sensação de descontrole, insegurança. Também podem apresentar dificuldades de concentração, irritabilidade, insônia. Quanto aos sintomas somáticos, estes incluem dores musculares, sensação de falta de ar, tontura, alterações gastro-intestinais, como náusea e desconforto abdmominal, entre outros”, diz a psicóloga.
A doutora alerta que os sintomas podem estar presentes em outras condições médicas, portanto é essencial que o indivíduo procure um médico para uma avaliação. “É muito importante a avaliação médica para descartar outras doenças como disfunções da tireoide ou mesmo doenças cardiovasculares”, afirma.
Segundo a doutora, o tratamento pode incluir o uso de medicamentos, a psicoterapia, ou os dois juntos. “A psicoterapia tem como objetivo ajudar a pessoa pensar de maneira diferente, comportar-se diferente e reagir a situações de forma a mantê-la menos preocupada. Os medicamentos ajudam a aliviar os sintomas da ansiedade. O uso de medicamentos deve ser receitado e acompanhado pelo médico. É muito comum o uso combinado das duas formas de tratamento. As pesquisas têm indicado que a combinação tem melhores resultados quando comparado com uso de um único tipo de tratamento”, finaliza.
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