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Pagamento instantâneo

Em um ano de funcionamento, o Pix ganhou rápida adesão dos brasileiros e surpreendeu as instituições financeiras

Matéria publicada na edição 1102 da revista Revide.

Atualmente, o Pix é a ferramenta mais usada em transações financeiras – ultrapassando boletos, TEDs, DOCs e cheques. Isso porque a lógica de uso é simples: ao entrar no aplicativo do banco em que possui conta, basta cadastrar uma “chave”, colocar o valor, conferir os dados, colocar a senha e pronto, sua transação foi feita.

Em dados divulgados pelo Banco Central, até outubro de 2020, o Pix teve mais de 348 milhões de chaves cadastradas. Além disso, mais de 1.6 milhões de transações foram feitas neste primeiro ano. Para os especialistas, a adesão dos brasileiros ao Pix foi mais rápida e positiva do que o imaginado.

Segundo Guilherme Augusto Malagolli, economista e professor, a praticidade do Pix foi uma forma de inclusão das pessoas no sistema financeiro. Isso explica o avanço significativo para o mercado como um todo. “Um sistema de pagamento simples, rápido e que funciona em qualquer dia e horário aumentou a velocidade de pagamentos e transferências e, ainda, estimulou a inclusão financeira e incentivou o mercado de pagamento de varejo”, diz. 

Os impactos podem refletir sobre três perspectivas: dos consumidores, dos vendedores e de todo o ecossistema financeiro. Principalmente do ponto de vista do vendedor, o Pix facilitou a conferência de recebimentos, reduziu o custo de aceitação de crédito, com a disponibilização imediata dos recursos pagos. A empresária Angélica de Lucca sente a diferença em seu negócio. “O Pix facilitou muito, pois consigo dar desconto para o cliente que opta pelo pagamento à vista. Assim, ambos os lados saem ganhando”, conta. 

Segurança e praticidade

Com pouco mais de seis meses em atividade, uma pesquisa sobre a confiança no Pix foi feita. O estudo indiciou que 85% dos jovens de 18 a 22 anos confiam na ferramenta de transação, enquanto para pessoas de 56 a 65 anos a confiança cai para 71%. Jéssica da Silva Ferreira tem 18 anos e usa o Pix com bastante frequência. “Por estudar fora, essa acaba sendo a melhor forma da minha família me mandar dinheiro. Quando saio no final de semana com os amigos, ao invés de um por vez pagar no caixa, somente uma pessoa passa e os outros fazem Pix. É muito mais prático”, afirma a estudante. 

A praticidade acaba sendo a qualidade mais marcante dessa ferramenta, já que, agora, não é mais necessário o deslocamento para realizar tarefas como o pagamento e nem enfrentar filas nos bancos para depósito de dinheiro. Sem ter tido nenhum problema, Jessica classifica essa tecnologia como indispensável. “Acredito que seja uma ferramenta segura, pelo menos nunca tive maiores problemas. Basta estar atento e conferir todos os dados”, ressalta. 

Porém, em 21 de janeiro deste ano, cerca de 160 mil clientes Acesso Soluções de Pagamento tiveram dados das chaves Pix vazadas, pela segunda vez, de acordo com o Banco Central. O vazamento, creditado à falhas pontuais no sistema, expôs dados como nome de usuário, CPF, instituição de relacionamento, número da agência e da conta, mas não afetaram a movimentação de recursos. Ainda segundo o Banco, dados protegidos pelo sigilo bancário, como os saldos, senhas e extratos, não foram expostos. 

Sem Pix

Ao mesmo tempo, José Roberto Mendonça é comerciante e não usa a ferramenta por não se adaptar ao mundo dos aplicativos. “Eu não uso o Pix no trabalho e no pessoal porque não tenho facilidade em manusear os aplicativos necessários. Hoje em dia, ainda prefiro pagar todas as contas por meio de boletos. Fica mais claro e fácil para mim”, conclui. Isso não exclui a possibilidade de aprender e se encaixar nessa praticidade, já que é inegável a otimização do tempo e o conforto que essa ferramenta proporciona. 

Além disso, do ponto de vista do ecossistema financeiro, o Pix incentivou a digitalização dos pagamentos, reduzindo o uso de cédulas, permitiu alavancar a competitividade e a eficiência do mercado, estimulou a competição entre os meios de pagamentos e incentivou as pequenas empresas e os microempreendedores individuais.

Fotos: Revide

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