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Antes de gravar, produza!

Recentemente eu assisti ao documentário Produced by George Martin (Produzido por George Martin).

Muitas vezes citado como “o quinto Beatle”, eu creio que o George Martin seja o maior produtor musical que já existiu. Não só pela produção com o quarteto de Liverpool, mas por toda a sua contribuição para a música de sua (e de nossa) época. O filme deixa bem claro isso. Indico que assistam!

De certa forma, o documentário chamou a minha atenção para a importância deste profissional que atua e influencia diretamente no processo de criação e elaboração de um disco.

Mas, afinal, o que faz um produtor?

Foi com esta pergunta em mente que decidi falar com dois profissionais do ramo. Um deles, o músico e produtor paulistano João Pedro Mourão (JP), que vive atualmente em Los Angeles, explica que, no geral, o produtor é a pessoa que tem uma visão ampla do trabalho da banda e administra todas as etapas de desenvolvimento do projeto (se assim a banda desejar).

Então, JP me explicou, o trabalho do produtor musical abrange a visão artística e musical da banda, ao mesmo tempo em que traz sua expertise e conhecimento musical e do business em favor da música, da carreira do artista e de um bom "placement" do produto no mercado. “Basicamente é alguém que tenta fazer da música e da visão do artista um produto fonográfico possível de ser comercializado, respeitando o artista pelo o que ele é”, comenta por e-mail.

Na opinião do músico, o produtor musical deve ser alguém que tenha experiência em estúdio e que ajudaria na construção e administração do trabalho, auxiliando ainda na resolução de conflitos e decisões.

JP ainda tocou em um ponto que acho muito pertinente. Na opinião dele, as prioridades durante o processo de produção de um disco têm se invertido. “Os artistas estão gastando muito mais dinheiro com coisas ‘não musicais’ quando o mais importante – sua música, como soam, o que querem transmitir esteticamente –, acaba ficando pra trás. Vale muito mais investir nestes quesitos que em qualquer outra coisa, principalmente no começo da carreira”, explica.

Sintonia

Um dos nomes mais conhecidos do ramo na região de Ribeirão Preto, Romulo Felicio – músico, produtor musical e proprietário do Under Stúdio – também defende a importância da presença de um produtor durante o processo. Mas, ele ressalta, “somente quando o produtor estiver em sintonia com o artista”, afirma.

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“Minha dica é que a banda que esteja compondo suas novas músicas ensaiem bastante, se preocupando com letra, arranjo e execução da música. Porque para uma música ficar boa, é necessário que tudo esteja em harmonia. Desta forma, fica mais fácil na hora de gravar. Quanto mais seguro a música estiver, melhor fica a qualidade”, indica.

Sobre a maneira de trabalho, Rómulo conta que prefere atuar da forma que ele considera mais completa. Participando da pré-produção, acompanhando alguns ensaios, alterando e otimizando arranjos, revendo a letra, definindo o tempo da música. “Tudo isso para que a canção fique a mais pronta possível para a gravação, e também, já sentindo como a banda soa em conjunto para me indicar a melhor forma e quais técnicas e equipamentos vou usar para gravar estas músicas”, conclui o produtor.

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Bruno Silva
PorBruno SilvaJornalista, e-mail:bruno@revide.com.br
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