A importância da ESG para as micro e pequenas empresas
Kamila Merle, gestora nacional de Moda do Sebrae, em matéria publicada no LinkedIn, afirma que a sustentabilidade está cada vez mais em voga no mundo dos negócios, especialmente no setor da moda. O conceito de Environmental, Social and Governance (ESG), em português Ambiental, Social e Governança (ASG), ressalta a importância de práticas empresariais que vão além do lucro, considerando também os impactos ambientais, sociais e de governança.
Quando falamos de práticas ambientais, o “E” do ESG, comenta Merle, a primeira coisa que vem à mente é o impacto que nossas escolhas têm no planeta. Para pequenos negócios de moda, optar por materiais sustentáveis é essencial. Isso significa escolher tecidos orgânicos, reciclados ou de baixo impacto ambiental e garantir que os fornecedores também sigam essas práticas. Um exemplo dessa estratégia é o Projeto Algodão da Paraíba, que utiliza algodão orgânico e agroecológico. Além disso, marcas como a Demode utilizam tingimento natural e algodão orgânico para minimizar impactos ambientais.
As práticas sociais, o “S” do ESG, são o coração de uma empresa responsável, explica Merle. Na prática, isso significa que as micro e pequenas empresas devem garantir que os trabalhadores na cadeia de produção tenham condições de trabalho seguras, salários justos e direitos trabalhistas respeitados. Promover um ambiente inclusivo, que celebre a diversidade entre funcionários, fornecedores e clientes também é vital. Programas de apoio e capacitação para as comunidades locais são formas eficazes de retribuir e fortalecer laços comunitários. A marca Justa Trama, por exemplo, adota essa abordagem ao reunir diversos elos da cadeia produtiva do algodão orgânico em uma rede de economia solidária.
A governança eficiente, o “G” do ESG, deve ser o alicerce que sustenta as duas outras abordagens. “Uma estrutura organizacional clara, com papéis e responsabilidades bem definidos, é essencial. Um código de conduta e ética orienta o comportamento dos colaboradores e parceiros. Estar em conformidade com as regulamentações legais aplicáveis à indústria da moda evita problemas futuros e promove uma operação ética”, ressalta Merli.
“Para os pequenos negócios de moda, a adaptação às práticas ESG não só ajuda a minimizar impactos negativos, mas também é uma maneira estratégica de se destacar num mercado cada vez mais competitivo. Empresas que incorporam ESG em suas operações têm mais facilidade em atrair investimentos, reduzir custos operacionais e conquistar consumidores cada vez mais conscientes e exigentes. Além disso, a adoção dessas práticas pode abrir portas para novos mercados e parcerias, aumentando a competitividade e garantindo a longevidade do negócio”, conclui Merli.
De acordo com a revista Pequenas Empresas Grandes Negócios, uma pesquisa elaborada e divulgada pelo Sebrae, em 2023, chamada de: “O Engajamento dos Pequenos Negócios Brasileiros às práticas ESG”, constatou que 81% dos micro e pequenos empresários nunca ouviram falar sobre o tema ESG.
Por outro lado, a pesquisa apontou que, apesar da pouca familiaridade com a sigla ESG, a maioria dos pequenos negócios afirmou adotar práticas alinhadas a esses pilares. Os percentuais registrados pelos empreendedores correspondem, respectivamente, a 75%, 56% e 87% para cada letra da sigla.
O contraste, observado a partir do estudo, entre o conhecimento dos gestores sobre ESG e a prática informada por eles não é preocupante e pode ser resolvido com ações de letramento a respeito do tema, avalia Sonia Consiglio, especialista em sustentabilidade e SDG Pioneer pelo Pacto Global da ONU. Para a analista, o cenário seria mais preocupante se os números mostrassem um panorama no qual as práticas fossem reduzidas em relação à teoria. No entanto, ela acredita que o conhecimento teórico poderá ajudar a alavancar as ações já adotadas.
“Na prática, as micro e pequenas empresas já fazem muitas ações relacionadas a essa agenda, mas não necessariamente com essa sigla”, analisa Consiglio. “A gente tem que fechar o intervalo entre conhecimento e prática para que as iniciativas possam ser ainda mais alavancadas, aprimoradas e desenvolvidas à luz do entendimento mais profundo do que se trata essa agenda”, orienta.