Nunca é tarde para começar

Nunca é tarde para começar

Com respaldo científico e histórias reais de aumento na qualidade de vida, a prática do Pilates se consolida como uma aliada importante do envelhecimento saudável

A prática de Pilates está, atualmente, entre as atividades físicas mais indicadas ao público acima dos 60 anos por sua abordagem segura, adaptável e eficaz. Estudos científicos apontam que o método pode melhorar o equilíbrio estático e dinâmico, a mobilidade funcional, a força muscular e a postura em adultos mais velhos, contribuindo, inclusive, para a redução do risco de quedas — uma das principais causas de hospitalizações entre os 60+. 


Diferentemente de atividades de alto impacto, o método trabalha o corpo de forma integrada. De acordo com Juliana Rodrigues Simões, fisioterapeuta instrutora de Pilates há 16 anos, que acompanha alunos 60+ diariamente, um grande diferencial é a possibilidade de adaptar os exercícios às necessidades individuais, respeitando limites, condições físicas e objetivos pessoais. “Cada praticante evolui no seu próprio ritmo, com segurança e acompanhamento profissional”, explica.


Por isso o método pode ser indicado tanto para quem nunca praticou atividade física quanto para pessoas que convivem com dores, limitações ou condições clínicas específicas. “Ao acompanhar esses alunos, o olhar precisa estar atento à execução do movimento, para que ele seja confortável e eficaz ao mesmo tempo, sem causar dor ou lesões. A respiração e a presença também são fundamentais”, destaca.

 

HISTÓRIAS QUE SE MOVEM JUNTO COM O CORPO


Aos 77 anos, a aposentada Magda Martha Magda de Souza iniciou a prática de Pilates por indicação médica, em novembro de 2025. Ela conta que, antes, precisava de ajuda total para realizar alguns movimentos. “Agora já consigo fazer alguns exercícios com mais mobilidade”, relata. A melhora no corpo refletiu diretamente no dia a dia. Magda sente que está se movimentando melhor e com mais segurança, o que possibilitou abandonar o uso constante de bengala e andador. As conquistas mais celebradas vieram aos poucos: levantar e se deitar sozinha, principalmente.


Para o médico ginecologista e escritor Albino Bonomi, de 74 anos, o Pilates foi indicação médica. Ele começou há cinco anos, após enfrentar dores intensas na coluna lombar, causadas por uma espondilo-artrose. “Foi o Pilates que melhorou minhas dores lombares. Ele alonga tendões e articulações de todo o corpo”, afirma. 


A assistente social judiciária Mirza de Cássia Borbato Gândara, 63, buscou o método há 16 anos, após enfrentar crises de dor causadas por uma hérnia de disco. Com o tempo, percebeu ganhos significativos em alongamento, fortalecimento e consciência corporal. Hoje, a prática faz parte de sua rotina e vai além do físico. “É um conjunto: respiração, limite, potencial do corpo, autoestima. Quando você está bem fisicamente, isso reverbera no emocional e na forma como você vive”, enfatiza.


Para Mabel Dias Porto, 69, que não tinha histórico de atividade física regular, o mais difícil foi começar, há quatro anos, após muitos adiamentos. Hoje pratica duas vezes por semana e diz sentir mais mobilidade, disposição e bem-estar físicos. “As viagens longas, que antes eram cansativas, deixaram de ser um problema. Trocar de terminal com bagagem pesada, caminhar... tudo ficou mais fácil”, diz.


Egídio César Rui Luccas, 68, decidiu experimentar uma aula demonstrativa, há cerca de seis meses, incentivado pela filha — e ficou. Hoje, percebe melhora no movimento corporal e celebra, além do cuidado com o corpo, o convívio social e o fato de ter vencido o desafio de começar. 

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