Uma vida guiada pela união

Uma vida guiada pela união

Aos 78 anos, Neida Iasbek Felicio revisita as raízes, a família e a trajetória construída entre Cajuru, São Paulo e Ribeirão Preto

Antes de se tornar empresária e assumir a presidência de uma companhia de transportes, Neida Iasbek Felicio foi a caçula de uma casa cheia em Cajuru. Hoje, aos 78 anos, ela reconhece na família, no trabalho e no acolhimento o fio que une sua infância, o casamento com José Roberto Felicio, a criação dos quatro filhos e a trajetória construída em Ribeirão Preto. “A minha história começa em Cajuru, cidade onde nasci e vivi parte importante e feliz da minha infância. Um ambiente simples, mas cercado de muito carinho. Éramos dez pessoas vivendo na mesma casa: meus pais, seis filhos, quatro meninas e dois meninos, e meus avós paternos. Eu era a caçulinha”, recorda. A rua era uma extensão da casa. Neida brincava na calçada, jogava bolinha de gude com as crianças da vizinhança e continuou brincando de boneca até os 14 anos. Depois, fez o curso para professora e chegou a lecionar em uma fazenda.


As raízes libanesas também ocupam um lugar central nessa memória. Seu pai chegou ao Brasil aos cinco anos, acompanhado dos pais, que se estabeleceram na região de Mococa. “Aprendi a valorizar a simplicidade, a honestidade e o acolhimento. Nossa casa era cheia de pessoas, havia muito amor”, explica. A fé católica, o respeito ao próximo e a caridade completaram a base que Neida transmitiu aos filhos.


Foi em Cajuru que sua história se cruzou com a de José Roberto, cujos avós moravam em frente à casa de Neida. Amigos desde crianças, aproximaram-se na adolescência. O namoro começou durante uma tradicional festa de São Sebastião, depois de mensagens trocadas pelo correio elegante. “Vivemos quase 35 anos juntos. Foi uma história bonita, uma trajetória muito feliz, na qual aprendemos a enfrentar os desafios sempre juntos”, conta. O casamento aconteceu em 1969, quando Neida tinha 21 anos e José Roberto, 25. Em São Paulo, constituíram família e tiveram quatro filhos: três meninos e uma menina.


A parceria foi decisiva quando o casal adquiriu a Rápido D’Oeste, em 1985. Nesse período, Neida perdeu o pai e, nove meses depois, a mãe. Enquanto José Roberto se dedicava à recuperação da empresa, ela cuidava dos quatro filhos e participava das decisões. Em 1987, a família mudou-se definitivamente para Ribeirão Preto.


Com os filhos maiores, Neida passou a participar diretamente da administração. Sua sala ficava ao lado da de José Roberto, com quem dividia responsabilidades e decisões. Em 2004, a morte repentina do marido colocou a família diante de seu maior desafio. Além de atravessar o luto, ela precisou seguir à frente dos negócios. “Como eu já trabalhava com ele, continuei indo à empresa. Contei com o apoio dos nossos assessores e, principalmente, dos meus filhos, que me ajudaram muito, apesar de ainda serem jovens. Juntos, enfrentamos diferentes tipos de dificuldades, mas seguimos em frente com a mesma fórmula de trabalho e parceria que o José Roberto nos ensinou: um apoiando o outro e cada um fazendo a sua parte, com muito amor, união e fé”, afirma.

 

Neida tornou-se um ponto de equilíbrio para a família. Os quatro filhos passaram a trabalhar juntos e deram continuidade à empresa, mantendo a honestidade, a seriedade e os princípios transmitidos pelo pai.


Entre resultados profissionais e conquistas pessoais, Neida não hesita ao apontar o que mais a orgulha. “O que mais marcou a minha história foi ver a empresa crescer e, principalmente, conseguir manter a família unida em torno dela. Tenho muito orgulho de ver os meus quatro filhos trabalhando juntos e dando continuidade aos valores que aprenderam com o pai. Para mim, essa é a maior conquista. Nada foi por acaso”, destaca.


O vínculo com Ribeirão Preto ganhou reconhecimento público com o título de Cidadã Ribeirão-pretana. Na cidade, Neida construiu sua história profissional, criou os filhos e viveu alegrias e momentos de dor. “Ribeirão Preto é parte muito importante da minha vida”, ressalta.


Fora do trabalho, Neida gosta de viajar e de estar perto das pessoas que ama. Sua família cresceu: são quatro filhos, três noras, um genro e onze netos. Páscoa e Natal são compromissos inegociáveis, ocasiões em que reúne todos e transmite às novas gerações o valor da união. Apenas um neto conheceu José Roberto, mas todos sabem de sua trajetória e guardam uma fotografia do avô.


Ao olhar para o caminho percorrido, Neida deseja ser lembrada como uma pessoa alegre, acolhedora e presente. Uma mãe e avó que trabalhou para manter a família unida e tratou todos com respeito, carinho e honestidade. Seu legado não se mede apenas pelo crescimento de uma empresa, mas pelos laços preservados ao longo do tempo. “Quero ter muita saúde e disposição para aproveitar a vida. Para mim, a vida fica mais bonita quando é vivida em companhia. É isso que pretendo continuar fazendo. Enquanto Deus permitir, quero seguir com alegria, fé e o coração cheio de gratidão”, completa. 


Foto: Lidia Muradás

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