Três décadas de evolução no campo

Três décadas de evolução no campo

Por Tirso Meirelles, presidente do Sistema Faesp/Senar

Nas últimas três décadas, o agronegócio brasileiro viveu uma transformação histórica, profunda e estrutural, que redefiniu não apenas a realidade do campo, mas também o papel do setor na economia nacional e no cenário internacional. O que antes era marcado por baixa mecanização, produtividade limitada e forte dependência das condições naturais, hoje se apresenta como um sistema altamente tecnificado, eficiente e competitivo em escala global.


O Brasil consolidou-se como uma das maiores potências agroalimentares do mundo. Esse avanço é resultado direto do investimento contínuo em ciência, pesquisa, inovação e qualificação profissional. A produção de grãos, que nos anos 1990 girava em torno de 80 milhões de toneladas, ultrapassa atualmente 320 milhões de toneladas, um crescimento superior a 300%. Ao mesmo tempo, a área plantada expandiu-se em ritmo muito menor, cerca de 70%, o que comprova que a grande revolução ocorreu dentro da porteira, com expressivos ganhos de produtividade.


Nesse processo, a Agrishow tornou-se um dos maiores símbolos da evolução do agro brasileiro. Desde sua primeira edição, em 1994, em Ribeirão Preto, a feira acompanhou e impulsionou as transformações do setor. Mais do que uma vitrine de máquinas e equipamentos, consolidou-se como um ambiente estratégico de negócios, inovação e difusão tecnológica.

 

O volume de negócios superior a R$ 13 bilhões registrado na última edição demonstra a força do setor e a confiança dos produtores no futuro do campo. A Faesp, que participa desde seu início, estará com 8.000 produtores rurais, 40 turmas de jovens e um evento de empreendedorismo feminino para cerca de 600 mulheres.


Entretanto, nenhuma inovação tecnológica se sustenta sem investimento em pessoas. Por isso, a atuação da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) e do Senar é estratégica. Em um ambiente cada vez mais tecnológico, a formação de mão de obra qualificada é condição essencial para que produtores e trabalhadores rurais acompanhem a velocidade das mudanças e aproveitem as oportunidades que surgem.


Entre os muitos investimentos que estamos fazendo, a construção do Centro de Excelência em Cana-de-Açúcar e Bioenergia, aqui em Ribeirão Preto, reforça o caráter essencial da qualificação para a construção de um setor cada vez mais protagonista. Novas técnicas de plantio, melhoramento dos produtos e desenvolvimento de biocombustíveis de última geração reiteram a importância do setor sucroenergético nessa região e lançam as bases para os combustíveis do futuro.  


No estado de São Paulo, esse compromisso vai além da formação tradicional. Estamos trabalhando na antecipação de tendências, com foco em big data, inteligência artificial e tecnologias estruturantes, aproximando especialmente os pequenos produtores das ferramentas mais avançadas disponíveis no mercado. O campo precisa estar conectado ao futuro, e o futuro exige conhecimento.


O campo brasileiro é, hoje, um celeiro de oportunidades, desenvolvimento e futuro. E seguiremos trabalhando para que essa trajetória de evolução não apenas continue, mas se intensifique nos próximos anos.

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