Ao menos 38 jovens trans eram vítimas de organização criminosa em Ribeirão Preto
As vítimas, que quiserem retornar a sua cidade e estado de origem, receberão auxílio

Ao menos 38 jovens trans eram vítimas de organização criminosa em Ribeirão Preto

De acordo com PF, há relatos de que menores de idade tenham sido aliciados por grupos de tráfico de pessoas e trabalho escravo

A Operação Cinderela, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira, 13, encontrou 38 pessoas nos locais de buscas. A organização criminosa, que atuava há pelo menos seis anos, realizava tráfico de pessoas e trabalho escravo com jovens transexuais.

De acordo com a Delegada da PF, Luciana Maibashi Gebrim, há relatos de que menores de idade tenham sido aliciadas pela organização. "A primeira vítima que procurou a Polícia Federal diz ter sido aliciada quando tinha 14 anos, no Mato Grosso do Sul. Posteriormente, ela foi trazida até Ribeirão Preto", informa.

A organização tinha dez grupos, que se comunicavam, pois havia uma divisão territorial no mercado de sexo na cidade. "Cada grupo tinha um líder, que fazia todo o trabalho de aliciamento com essas jovens transexuais", acrescenta Luciana.

Quanto a questão de tráfico internacional, algumas vítimas relataram casos de outras trans, que foram enviadas para o exterior. Mas, a investigação, ainda, está em desenvolvimento.

Sobre os homicídios já constatados, há dois tipos de casos: as pessoas que foram assassinadas, em virtude da cobrança de dívidas, e aquelas que morreram por conta dos implantes industriais e clandestinos de silicone, por exemplo. Aquelas que não conseguiam pagar as dívidas ou que desrespeitavam as regras da “casa” eram julgadas em um “tribunal do crime” e punidas com castigos físicos, morais e multas pecuniárias.

Entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira, 13, na sede do Ministério Público Federal, esclarece Operação Cinderela

Presos

Até o momento, foram expedidos dez mandados de prisão, sendo que seis foram cumpridos. As outras quatro pessoas são consideradas foragidas. Segundo o Procurador da República André Menezes, as condutas dos criminosos se enquadram em dois tipos de denúncias: tráfico de pessoas e redução à condição análoga à de escravo.

"Para o tráfico de pessoas, é prevista uma pena de quatro a oito anos de reclusão e, para a redução à condição análoga à de escravo, a pena é de dois a oito anos", explica o procurador.

Auxílio

Conforme relata Cristiane Sbalqueiro, Procuradora do Trabalho, as vítimas que quiserem retornar a sua cidade e estado de origem, receberão auxílio. "A vítima tem direito a escolher se ela quer permanecer aqui, eventualmente, ou se deseja voltar ao seu local de origem. É um direito da vítima escolher o que vai fazer de sua vida a partir desse momento", finaliza.


Foto: divulgação | João Camargo

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