Incidência de raios deve aumentar 20% nos próximos anos, segundo estudo
Ribeirão Preto registra mais raios que 75% das cidades brasileiras

Incidência de raios deve aumentar 20% nos próximos anos, segundo estudo

Estudo do Grupo de Eletricidade Atmosférica comprova que aquecimento global é um dos responsáveis pelas mudanças climáticas

O número de raios e tempestades na região sudeste do Brasil deve aumentar em até 20% nos próximos 20 anos. Somente nesse Verão são esperados mais de 30 milhões de descargas elétricas em todo País. Os dados fazem parte de um levantamento realizado pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)

De acordo com o ranking de municípios do Elat, Ribeirão Preto aparece na posição de número 1.353 de 5.570 municípios brasileiros e na colocação 209, entre os 645 municípios paulistas. O ranking também revela que, ao ano, Ribeirão Preto registra 5,3 raios por quilômetro quadrado. Ao todo, são aproximadamente 3.400 raios nos 12 meses.

Nos últimos seis anos, o número médio anual de raios no Brasil foi de 77,8 milhões. Este valor é bem superior ao obtido no levantamento realizado em 2002, que apontava cerca de 55 milhões de raios. Parte do aumento é atribuído às limitações do levantamento anterior feito com base em dados de satélites que apresentavam restrições tecnológicas.

A quantidade de raios identificada indica que os fenômenos El Niño e La Niña modulam a ocorrência de raios no Brasil numa intensidade muito acima do que poderia ser esperado em consequência do aquecimento global.

Conheça mitos e curiosidades sobre raios esclarecidos pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica

Um raio não cai duas vezes no mesmo lugar?
Não é verdade e uma prova disso é o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, que recebe ao menos seis descargas atmosféricas por ano. A origem desse mito está nos índios, que usam pedras atingidas por raios como amuletos, acreditando que estão protegidos contra os relâmpagos.

É perigoso ficar dentro do carro durante a chuva? 
Na verdade, o veículo fechado é o local mais seguro contra raios – nunca ninguém morreu no Brasil atingido por raio dessa forma. Se o carro é atingido por um raio, a descarga elétrica se espalha por sua superfície metálica, sem atingir quem está dentro dele. Mas ao abrir a porta, a descarga transita por dentro do veículo.

Espelho atrai raios? 
O mito vem dos tempos em que os espelhos tinham molduras metálicas bem grossas – elas, sim, são um atrativo para as descargas.

Qual é a diferença entre trovão, raio e relâmpago? 
Relâmpago é toda descarga elétrica emitida por uma nuvem; raio é a descarga elétrica que toca o solo. Trovão é o som produzido pela descarga elétrica.

Dá para saber a que distância caiu o raio? 
É possível estimar a distância em quilômetros com um cálculo simples: basta contar o tempo (em segundos) entre o momento que se vê o raio e se escuta o trovão e dividir por três obtendo-se a distância aproximada em quilômetros.

Existem raios que não partem das nuvens? 
Sim, são os chamados raios ascendentes, que saem de estruturas altas (torres, prédios altos) em direção às nuvens. Correspondem a cerca de 1% dos raios. O Elat foi o pioneiro no registro deles no Brasil, observados em torres do pico do Jaraguá na cidade de São Paulo.

Os raios são diferentes em diferentes regiões? 
Sim. No Brasil, os raios do Rio Grande do Sul tendem a ser mais fortes e destrutivos do que os que caem em outras partes do país.


Foto: Pixabay

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