Conheça Pris Lo, artista surrealista de Ribeirão Preto
O propósito dela é passar uma mensagem humanista, estimular o pensamento crítico e valorizar o que é diferente

Conheça Pris Lo, artista surrealista de Ribeirão Preto

Inspirada por expoentes como Frida Kahlo e Dalí, Priscila cria colagens usando o computador

Priscila Lopes Aires Pinheiro, "Pris Lo", é uma moradora de Ribeirão Preto que sempre foi apaixonada por arte. Trabalhou com moda, decoração, artesanato e agora se dedica à arte digital. "A colagem digital é um extensão contemporânea da colagem manual", diz. Antigamente, os artistas usavam papel, pano, madeira. Hoje, Pris Lo utiliza o computador. "Comecei a criar as colagens após fazer uns cursos de Photoshop e me apaixonei pelo conceito de imagens híbridas", comenta.

Inspirada pelo surrealismo e a pop art de artistas como Frida Kahlo, Salvador Dalí, Andy Warhol e Eugenia Loli, Pris Lo começou criando autorretratos com manipulação de imagem e depois caiu no mundo da colagem digital. "Procuro sempre expressar coisas que me causam sentimentos, sejam eles bons ou ruins", cita. "Como a Frida, eu uso os meus conceitos, as minhas vivências como inspiração para criar", declara.

Priscila e a obra "Fuga"

Pris Lo começa o processo de criação com uma forte pesquisa de imagens. "Vou salvando todas que vejo que são possíveis de usar. Pesquiso no Google e em bancos de imagens", diz. Ela tem preferência por imagens mais antigas. Quando não encontra, envelhece para parecer "vintage". Essas figuras são mescladas com o futurista, com o tema "espaço". "Crio um universo meu, onde tudo é possível de imaginar", diz.

Seus temas são, em sua maioria, progressistas, como feminismo, autoconhecimento e meditação. Por conta disso, já sofreu ataques em sua página do Facebook. "Disseram que meu trabalho não é arte, é loucura de maconheiro", cita. Porém, ela continua em seu propósito, que é passar uma mensagem mais humanista, estimular pensamento crítico e aumentar a valorização do que é diferente.

"Crush"

"Uma vez, uma família - mãe, pai e filho - parou em frente a uma obra minha que estava exposta, que questionava o feminismo ser diferente do machismo. O pai disse: 'como não? O feminismo não é igual ao machismo?' E o filho respondeu: 'não, pai. O contrário de machismo é femismo', e eles ficaram observando a obra e pensando", relembra. Para ela, esse é o melhor resultado de suas criações: gerar diálogo na vida das pessoas. "Não tem preço", comenta.

"É necessário entender o quanto a diversidade no mundo pode ser benéfica. O que falta em um indivíduo pode ser uma característica complementar do outro. Tentar conscientizar as pessoas através da arte é como uma missão para mim. Sendo assim, propago mensagens humanistas e humanitárias, exaltando as características positivas e negativas do ser humano como potências que podem agregar ao invés de segregar. Faço da minha arte um meio de instigar reflexões e de propiciar visibilidade às minorias. Faço da minha arte uma forma de resistência", conclui.


Fotos: Amanda Bueno,Facebook/Pris Lo

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