Em outubro, livro do autor de Ribeirão Preto Luiz Puntel é o mais vendido da Estante Virtual
Para autor, visibilidade do livro é devido ao período de polarização que o País enfrenta

Em outubro, livro do autor de Ribeirão Preto Luiz Puntel é o mais vendido da Estante Virtual

"Meninos Sem Pátria" foi suspenso em um colégio, no Rio de Janeiro, após alguns pais apontarem “doutrinação comunista” na obra

No mês de outubro, o livro “Meninos Sem Pátria” do escritor e professor radicado em Ribeirão Preto Luiz Puntel foi o mais vendido pelo site Estante Virtual. Publicado pela clássica “Coleção Vaga-lume” há 37 anos, o livro foi censurado em uma escola do Rio de Janeiro após alguns pais apontarem “doutrinação comunista” na obra.

O romance trata de um jornalista do interior de São Paulo que, perseguido pela ditadura militar implantada em 1964, teve que fugir do País. O texto é baseado em relatos ouvidos por Puntel na época. Disponível em escolas de todo o Brasil para estudantes que cursam o 6º e o 7º ano, “Meninos sem Pátria”, segundo Puntel, não toma ou defende partido político, mas relata um momento histórico vivido pelos brasileiros.

“Eu lamento o ocorrido, pois esse livro é muito adotado nas escolas há mais de 30 anos, tanto que é o quarto mais vendido da série Vaga-lume. E, agora, alguns pais se sentiram incomodados. Eles falaram que aquilo era uma doutrinação comunista”, responde Puntel.

Durante o mês de outubro, "Meninos Sem Pátria" desbancou clássicos da literatura, como "A Revolução dos Bichos", de George Orwell, "O Pequeno Príncipe", de Antoine de Saint-Exupéry, e "Dom Casmurro", escrito por Machado de Assis. Segundo Puntel, tanto a censura do livro quanto o aumento nas vendas se devem à polarização política que o país atravessa.

“É um livro que retrata a realidade e ele nunca enfrentou problemas, nem mesmo em tempos ditatoriais. As pessoas compraram o livro querendo saber o que é que deu tanto que falar. Muita gente leu ele na infância e nunca falou que era doutrinação ou algo do tipo”, comenta o autor.

Por fim, o escritor enxerga como um momento simbólico um livro que se passa durante a ditadura militar ser censurado. “Certamente essa visibilidade que o livro ganhou veio devido ao período de tensão política, polarização e discurso de ódio que passamos”, conclui.


Foto: Divulgação

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