Ribeirão na rota da Copa

Ribeirão na rota da Copa

Entre ingressos caros, festa e encontros improváveis, moradores de Ribeirão Preto que foram ver jogos da Copa no estádio contam como experiência vai além do futebol

Quando milhares de brasileiros começaram a cantar em plena Times Square, em Nova York, Alexandre Brandão percebeu que finalmente estava vivendo uma Copa do Mundo fora do Brasil. A praça mais famosa da cidade havia se transformado, por algumas horas, em uma arquibancada verde e amarela. Bandeiras, samba, abraços entre desconhecidos e um sentimento difícil de explicar para quem nunca esteve ali.

 

"Foi o momento que mais me impressionou", resume o dentista de Ribeirão Preto e presidente da AORP [Associação Odontológica de Ribeirão Preto], Alexandre Brandão, que viajou ao lado do filho, Caio. "O espaço foi totalmente tomado pela torcida brasileira."

 

Quem acompanha uma Copa de perto costuma dizer que o futebol ocupa apenas parte da viagem. O restante acontece nas ruas, nos aeroportos, nos bares, dentro dos metrôs e nos encontros improváveis entre pessoas que talvez jamais se encontrassem em qualquer outro lugar do mundo. Foi exatamente isso que chamou a atenção da empresária Neida Iasbek Felício durante os dias em Miami. Em sua primeira Copa fora do Brasil, ela viu torcedores de diferentes países dividindo espaços, tirando fotos e comemorando juntos. "Pareciam irmãos. Era uma alegria só", conta.

 

Neida foi com um grande grupo e os filhos, Thiago e Roque. Assistiu a uma partida no Hard Rock Stadium, dividindo o camarote com torcedores escoceses. Fora do estádio, descobriu que o Mundial continua acontecendo nos restaurantes, nas ruas e nos hotéis. Um jogo da Colômbia assistido em um restaurante argentino acabou se transformando em mais uma lembrança da viagem. "Foi uma oportunidade irrecusável. Só tenho que agradecer", regozija-se.

 

Clássico

 

Para a família Griffo a Copa já virou tradição. O pai, Cristovam, acompanha Mundiais desde 1994. O engenheiro agrônomo Guilherme, seu filho, entrou para o grupo em 2010. O irmão passou a viajar em 2014. Nesta edição, embarcaram praticamente todos – pais, filhos, esposa, filha pequena e até a namorada do irmão.

 

Para além de assistir aos jogos, existe um desafio que desta vez foi tão bem executado que até viralizou nas redes sociais. Colocar a bandeira do Botafogo em evidência no estádio. Foi uma dessas que rodou o mundo em algumas imagens fechadas da transmissão oficial do jogo entre a Seleção Brasileira e a Escócia, pela terceira rodada da primeira fase do torneio.

 

A bandeira acompanha a família há mais de três décadas e reaparece em todas as Copas, cruzando continentes junto com eles. "É sempre uma sensação sensacional ver a bandeira ali e saber que o Botafogo está sendo conhecido e reconhecido", comenta Guilherme.

 

A próxima Copa começa praticamente quando a anterior termina. "Geralmente, assim que acaba um Mundial, nós já começamos um fundo para a próxima viagem. Assim que essa acabar, já vamos iniciar o planejamento para 2030", garante o agrônomo.

 

Brasileiros em todo lugar

 

“É quase impossível viajar quilômetros de distância sem encontrar outro ribeirãopretano”, diz Alexandre, que encontrou conhecidos por acaso em Manhattan. Neida reencontrou amigos de Ribeirão e de São Paulo. Guilherme cruzou novamente com torcedores que já conhecia de Copas anteriores. Paulo Henrique dos Reis Silva, que vive sua quarta Copa presencial, também encontrou conterrâneos durante a viagem. "O mais curioso é que sempre acaba aparecendo alguém conhecido", conta.

 

Talvez o encontro mais marcante de Paulo tenha acontecido com torcedores escoceses. "Eles queriam tirar fotos, conversar e saber das nossas vidas. Essa interação foi fantástica", afirma. A receptividade o impressionou. "O Brasil parece ser o segundo time de muita gente. Sempre somos muito bem recebidos.”

 

Nem tudo é festa

 

Ingressos, hospedagem, deslocamentos e alimentação elevaram bastante o custo da Copa nos Estados Unidos. "O valor dos ingressos está fora da realidade", resume Alexandre. Guilherme faz coro: "é, disparado, a Copa mais cara a que já fomos."

 

Mesmo assim, nenhum deles se arrepende. A estrutura das cidades, a segurança e a facilidade para receber turistas também aparecem como pontos positivos, especialmente para quem percorreu diferentes sedes durante a competição.

Compartilhar: