Raio-X das eleições
Veja como Ribeirão Preto votou no primeiro turno das eleições e os resultados dos principais candidatos
Ribeirão Preto encerrou o primeiro turno das eleições gerais de 2026 com uma votação marcada pela vantagem de candidatos de direita e por uma abstenção acima da média nacional. Na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) liderou tanto no município quanto no país. Em Ribeirão, recebeu 55,25% dos votos válidos (188.761), contra 33,99% de Lula (PT), com 116.116. Augusto Cury (Avante) ficou em terceiro, com 4,24%. No Brasil, Flávio teve 47,03% (56.104.503) e Lula, 45,16% (53.879.538), levando a disputa ao segundo turno.
Para o governo paulista, Tarcísio (Republicanos) foi eleito em primeiro turno. No estado, alcançou 62,65% dos votos, enquanto Fernando Haddad (PT) ficou com 36,42%. Em Ribeirão, a vantagem foi ainda maior: Tarcísio teve 66,64% (211.714), contra 32,49% de Haddad (103.204).
Na disputa pelo Senado, Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) conquistaram as duas vagas por São Paulo. No estado, Derrite somou 13,27 milhões de votos (30,5%) e Prado, 12,70 milhões (29,2%). Em Ribeirão, os dois também lideraram, com 31,77% e 30,58%, respectivamente. Simone Tebet (PSB) apareceu em terceiro, com 17,75%.
A eleição também ampliou a representação de Ribeirão Preto. A cidade terá quatro deputados estaduais na Assembleia Legislativa: Duda Hidalgo (PT), Isaac Antunes, Léo Oliveira e Rafael Silva Jr. Na Câmara dos Deputados, Baleia Rossi (MDB) foi reeleito para o sexto mandato.
Um dos destaques do pleito foi a abstenção. Em Ribeirão, 112.367 eleitores não compareceram às urnas, o equivalente a 23,75% do eleitorado. O índice ficou acima dos 21,08% registrados no país. Na cidade, 19.124 votos foram brancos ou nulos, 5,3% do total, também acima da média nacional de 4,7%.
PRESIDENTE:
Resultado nacional
Flavio Bolsonaro (PL): 47,03% - 56.104.503 votos
Lula (PT): 45,16% - 53.879.538 votos
Augusto Cury (AVANTE): 2,89% - 3.448.569 votos
Renan Santos (MISSÃO): 2,24% - 2.675.887 votos
Ronaldo Caiado (PSD): 2,18% - 2.605.148 de votos
Zema (NOVO): 0,27% — 326.488 votos
Samara (UP): 0,10% — 122.911 votos
Hertz Dias (PSTU): 0,04% — 43.103 votos
Clariana Barão (DC): 0,03% — 40.043 votos
Edmilson Costa (PCB): 0,02% — 22.693 votos
Veterinário Wilson Grassi (DEMOCRATA): 0,01% — 16.881 votos
Rui Costa Pimenta (PCO): 0,01% — 15.024 votos
Comparecimento: 78,92% - 125.275.835
Abstenção: 21,08% - 33.469.244
Brancos e nulos: 4,7% - 5.975.047
Resultado em Ribeirão Preto
Flávio Bolsonaro (PL): 55,25% - 188.761 votos
Lula (PT): 33,99% - 116.116 votos
Augusto Cury (AVANTE): 4,24% - 14.4988 votos
Renan Santos (MISSÃO): 3,12%- 10.657 votos
Ronaldo Caiado (PSD): 2,47% - 8.426 votos
Romeu Zema (NOVO): 0,6% - 2.065 votos
Samara (UP): 0,18% - 600 votos
Hertz Dias (PSTU): 0,06% -195 votos
Clariana Barão (DC): 0,04% - 122 votos
Edmilson Costa (PCB): 0,03% - 96 votos
Veterinário Wilson Grassi (Democrata): 0,02% - 56 votos
Rui Costa Pimenta (PCO): 0,01% - 51 votos
Abstenção: 23,75% - 112.367
Comparecimento: 76,25% - 360.767
Em branco e nulos: 19.124 (5,3%)
SENADOR POR SÃO PAULO
Guilherme Derrite (PP): 30,59% — 13.273.880 votos — ELEITO
André do Prado (PL): 29,28% — 12.703.089 votos — ELEITO
Simone Tebet (PSB): 19,23% — 8.342.968 votos
Marina Silva (REDE): 18,12% — 7.862.400 votos
Guto Schiavetto (MISSÃO): 0,91% — 392.916 votos
Geraldo Rufino (PODE): 0,89% — 386.468 votos
Soninha Francine (CIDADANIA): 0,38% — 165.707 votos
Maíra de Souza (UP): 0,21% — 91.283 votos
Dra. Eliana Ferreira (PSTU): 0,15% — 65.200 votos
Marcio Alves (UP): 0,10% — 45.178 votos
Petter Maahs (PCB): 0,07% — 28.311 votos
Weller Gonçalves (PSTU): 0,05% — 20.503 votos
Resultado em Ribeirão Preto
Guilherme Derrite (PP): 31,77% — 190.195 votos
André do Prado (PL): 30,58% — 183.047 votos
Simone Tebet (PSB): 17,75% — 106.252 votos
Marina Silva (REDE): 16,77% — 100.392 votos
Guto Schiavetto (MISSÃO): 0,97% — 5.827 votos
Geraldo Rufino (PODE): 1,13% — 6.783 votos
Soninha Francine (CIDADANIA): 0,39% — 2.316 votos
Maíra de Souza (UP): 0,23% — 1.392 votos
Dra. Eliana Ferreira (PSTU): 0,15% — 879 votos
Marcio Alves (UP): 0,11% — 651 votos
Petter Maahs (PCB): 0,08% — 464 votos
Weller Gonçalves (PSTU): 0,04% — 252 votos
GOVERNADOR DO ESTADO
Tarcísio (Republicanos): 62,65% - 14.491.874 votos
Fernando Haddad (PT): 36,42% - 8.423.656 votos
Vivian Mendes (UP): 0,35% - 80.480 votos
Vera Lúcia (PSTU): 0,33% - 75.641 votos
Carlos Machado (PCB): 0,25% - 58.862 votos
Resultado em Ribeirão Preto
Tarcísio (Republicanos): 66,64% - 211.714 votos
Fernando Haddad (PT): 32,49% - 103.204 votos
Vivian Mendes (UP): 0,34% - 1.093 votos
Vera Lúcia (PSTU): 0,30% - 947 votos
Carlos Machado (PCB): 0,23% - 736 votos
DEPUTADO FEDERAL
Resultado geral dos candidatos a deputado federal com domicílio eleitoral em Ribeirão Preto
Baleia Rossi (MDB): 239.124 votos — ELEITO
Duarte Nogueira (PSD): 42.711 votos
Marco Aurélio (NOVO): 32.160 votos
Hagara do Pão de Queijo (AVANTE): 29.028 votos
Leopoldo Daré (NOVO): 1.062 votos
Joyce Paulino (UNIÃO BRASIL): 693 votos
Matheus Morais (UP): 417 votos
DEPUTADO ESTADUAL
Resultado geral dos candidatos a deputado estadual com domicílio eleitoral em Ribeirão Preto
Duda Hidalgo (PT): 154.953 votos — ELEITA
Léo Oliveira (MDB): 82.508 votos — ELEITO
Rafael Silva Jr. (PSD): 74.043 votos — ELEITO
Isaac Antunes (PL): 61.953 votos — ELEITO
Delegado Diógenes (PODEMOS): 21.336 votos
André Rodini (NOVO): 15.267 votos
Perla Müller (PT): 11.266 votos
Glaucia Berenice (REPUBLICANOS): 8.985 votos
Dázio Vasconcelos (PSD): 7.008 votos
Marcos Papa (PSB): 5.049 votos
André Trindade (UNIÃO BRASIL): 3.971 votos
Alessandro Hirata (PSDB): 2.415 votos
Celina Ramalho (NOVO): 2.289 votos
Coronel Nicotari (PODEMOS): 2.092 votos
Karen Gregoris (MISSÃO): 1.190 votos
Girlei Marconi (UNIÃO BRASIL): 1.152 votos
Clicinha Victori (AVANTE): 514 votos
Luiz dos Condomínios (NOVO): 327 votos
Igor Sanches (NOVO): 312 votos
Deputados mais votados em Ribeirão Preto
FEDERAL
Lucas Pavanato (PL): 43.904 votos (Eleito)
Erika Hilton (PSOL): 24.396 votos (Eleita)
Marco Aurélio (Novo): 23.024 votos (suplente)
Baleia Rossi (MDB): 21.178 votos (Eleito)
Duarte Nogueira (PSD): 17.776 (suplente)
ESTADUAL
Duda Hidalgo (PT): 42.211 votos
Isaac Antunes (PL): 31.312 votos
Eduarda Campopiano (PL): 29.490 votos
Rafael Silva Jr. (PSD): 23.018 votos
Leo Oliveira (MDB): 16.503 votos
Análise
“’Quem controla o passado, controla o futuro. Quem controla o presente, controla o passado’. Nestas eleições, estamos vendo um pouco do que nos mostra o livro ‘1984’, publicado em 1949. George Orwell, o escritor, viu de perto as atrocidades de governos fascistas que, assim como na obra literária, falsificavam informações do passado para encobrir suas biografias criminosas no presente. Logo, percebeu que não bastava escrever livros. Era preciso escrever a realidade. E lutou, ao lado da população, contra injustiças e a favor da democracia. Hoje, as bolhas (que dão lucro de bilhões a meia dúzia de pessoas) nos colocam uns contra os outros, como se não tivéssemos valores, sentimentos e histórias que nos fazem um único povo. Sim, temos. E precisamos escolher aquilo que nos une, não o que nos separa. O exemplo negativo de quem ocupa cargos políticos é o maior mal que uma sociedade pode aceitar. Por quais razões, então, mais de 33 milhões de pessoas não foram votar? Não há moeda que compre o penhor da nossa liberdade, da nossa soberania, nem em valores de 1822, nem em dólares de 2026. Para fora das bolhas, merecemos, sim, enxergar e viver melhor. Nesta eleição, pouco disseram sobre o que realmente importa, em um momento que deveria ser grandioso para uma sociedade. Entre candidatos perdidos num espaço de tamanha magnitude, sobraram suspeitas, medos e decepção. Precisamos de diálogos e eleições que façam jus à nossa condição de criaturas inteligentes e capazes. Longe de controlar o que pensamos, é inadiável pensar sobre o que desejamos, como um só povo, para o presente e para o futuro. E o voto é a luz que pode iluminar (ou se pagar) em nossas mãos.”, João Augusto do Carmo, jornalista e cientista político.
“O que mais me chamou a atenção neste primeiro turno não foi a disputa entre Lula e Flávio, mas o que ela revelou sobre o eleitor brasileiro. O presidente perdeu votos nas urnas não por falta de programas sociais, mas por uma reprovação do governo que se manifestou de forma muito específica: na Classe C, nas Classes D e E, nos municípios com menos de 20 mil habitantes e entre o eleitorado católico. A leitura que fica é clara. A Classe C não se vê mais como uma camada pobre ou desesperada. Ela quer ascensão social, quer construir um negócio próprio, quer autonomia. Não deseja depender apenas de transferência de renda. E é aí que mora o descolamento: a esquerda ainda enxerga esse eleitor com uma visão preconceituosa, usando termos como 'pobre de direita' ou 'CEO de MEI', sem entender que essa parcela, cerca de metade do Brasil, busca oportunidades, não assistência. O antipetismo, consolidado desde 2014, só reforça esse distanciamento. O Estado brasileiro, desenhado para grandes estruturas, não atende aos anseios de um país de pequenas empresas, que pede desburocratização e um ambiente de negócios mais simples. A tendência é essa: a esquerda precisa parar de olhar para o passado e para conquistas antigas. Precisa redesenhar o Estado, mudar o discurso e, acima de tudo, voltar a ouvir o brasileiro. As placas tectônicas da sociedade mudaram. E, no fundo, não dá mais para continuar a interpretar a classe média com o manual marxista do século XIX.”, Luiz Rufino, cientista político.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil