“Tenho a consciência tranquila com o trabalho que fizemos na Lava Jato”, diz Moro em Ribeirão Preto

“Tenho a consciência tranquila com o trabalho que fizemos na Lava Jato”, diz Moro em Ribeirão Preto

Ex-ministro falou sobre entendimento de Comitê da ONU sobre possíveis violação de direitos do ex-presidente Lula, além de comentar sobre o indulto concedido pelo presidente Bolsonaro

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro (União Brasil), esteve nesta sexta-feira, 29, em Ribeirão Preto e falou sobre a Lava Jato, atuação do presidente Bolsonaro e uma possível candidatura nas eleições de outubro.

O encontro foi realizado em um restaurante na Zona Sul da cidade e organizado pelo grupo Lide de Ribeirão Preto. Integrantes do grupo e empresários participaram do almoço.

No momento, o presidente do União Brasil, Luciano Bivar é o pré-candidato do partido à presidência da República. Questionado se disputaria um cargo no legislativo, Moro disse que o seu espaço na disputa política ainda está sendo construído. “Estou discutindo políticas públicas e me coloco à disposição dos brasileiros”, comentou.

Lava Jato

Na quinta-feira, 28, o Comitê de Direitos Humanos da Organização da Nações Unidas (ONU) concluiu que o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) teve os direitos políticos e a garantia de um julgamento imparcial violadas durante a Lava Jato.

O entendimento do Comitê da ONU e do Supremo Tribunal Federal (STF) se refere à lisura e aos procedimentos adotados na obtenção de provas e testemunho dos réus durante a Lava Jato.

Segundo Moro, o comitê não representa os "órgãos centrais que falam pela ONU". O ex-ministro argumenta que o comitê tem apenas replicado as decisões do STF.

“Quando precisavam analisar alguma controvérsia do Direito brasileiro, eles simplesmente reproduziam o que o Supremo tinha decidido. Se o Supremo tivesse decidido diferente, provavelmente, a decisão do Comitê seria igualmente diferente”, argumenta.

Moro reforçou que houve corrupção na Petrobrás. “Tenho a consciência tranquila com o trabalho que fizemos na Lava Jato. A corrupção foi grave. A Petrobrás já recuperou R$ 6 bilhões por conta da Lava Jato. E o PT nunca explicou aquilo, como aquilo aconteceu? Teve corrupção sem ter corrupto?”, questionou Moro.

Indulto

Durante o evento, Moro também comentou sobre o indulto concedido pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) ao deputado federal Daniel Silveira (PTB). "É uma sucessão de erros e todos estão errados nesta equação”, resumiu.

Moro destacou que é direito do cidadão criticar qualquer autoridade, mas que Silveira teria se excedido. “Isso não está compreendido nem na liberdade de expressão, nem na imunidade parlamentar. Por mais que alguém não goste do Supremo, não pode ameaçar fisicamente os ministros”, explicou.

Contudo, o ex-ministro também enxerga um excesso na pena imposta pelo STF de oito anos e nove meses ao deputado, o que teria dado margem para que o presidente editasse o indulto.

“Talvez o meio termo seria o Supremo ter condenado a uma pena de prestação de serviço e o presidente ter editado o indulto parcial. Para que a pena ficasse apenas em prestação de serviço e não na prisão”, concluiu Moro.

Na segunda-feira, 25, em visita à Agrishow, Bolsonaro defendeu o indulto. "O decreto da graça e do indulto é constitucional e será cumprido. No passado, soltavam bandidos e ninguém falava nada. Agora, solto inocentes”, afirmou Bolsonaro.

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