Lixo que vale dinheiro
Cada embalagem reciclável depositada nas máquinas gera R$ 0,10 em crédito para o usuário

Lixo que vale dinheiro

Cinco máquinas instaladas em Ribeirão Preto transformaram mais de 63 mil embalagens recicláveis em R$ 5 mil para os usuários e reforçam estratégia de educação ambiental

Separar uma garrafa plástica, uma lata de alumínio ou uma embalagem longa vida pode render alguns centavos. Isoladamente, o valor parece pequeno, mas quando milhares de pessoas passam a repetir esse gesto o resultado ganha outra dimensão. Em pouco mais de dois meses de funcionamento, as máquinas inteligentes de reciclagem instaladas pela Prefeitura de Ribeirão Preto receberam mais de 63 mil embalagens, cadastraram 866 usuários e geraram R$ 5.025,38 em créditos para a população.

 


A iniciativa utiliza equipamentos conhecidos como EcoBox, que identificam os materiais descartados, contabilizam os resíduos e convertem cada embalagem em R$ 0,10 de crédito. O saldo fica vinculado ao número de celular informado no cadastro e, quando atinge o valor mínimo de R$ 5, pode ser resgatado ou destinado a entidades beneficentes. A proposta é unir tecnologia, educação ambiental e incentivo financeiro para estimular a destinação correta de resíduos recicláveis.


Segundo o secretário municipal de Infraestrutura e Zeladoria, Claudio Almeida, mais do que incentivar financeiramente a reciclagem, o objetivo da Prefeitura é estimular uma mudança de comportamento. “As máquinas inteligentes estão apresentando uma resposta positiva com o uso da população. É uma forma de promover a educação ambiental e mudança na cultura, por meio de uma estrutura interativa que traz benefícios para os usuários, mas o principal é promover a responsabilidade socioambiental”, afirma.


Os primeiros resultados, segundo o secretário, indicam que a estratégia tem alcançado esse objetivo. “A adesão está sendo muito positiva, o que reforça esse tipo de iniciativa”, diz Almeida. Para ele, o retorno financeiro funciona como um estímulo inicial, mas o principal ganho está na criação de novos hábitos relacionados ao descarte correto de resíduos e à participação da população em ações voltadas à sustentabilidade.


As máquinas estão distribuídas por cinco pontos da cidade: Aeroporto Estadual Dr. Leite Lopes, Parque Curupira, Praça da Cidadania, Terminal Dra. Evangelina Passig e Bosque e Zoológico Municipal Dr. Fábio Barreto. Entre eles, o terminal urbano concentra a maior movimentação, com mais de 18 mil embalagens recebidas desde o início da operação.


O desempenho dos equipamentos também permitiu à Prefeitura ajustar a logística de operação. Segundo Almeida, não foram registrados atos de vandalismo nem falhas provocadas pelo uso incorreto das máquinas. A principal adequação ocorreu justamente nos locais de maior movimento, onde a frequência de recolhimento dos materiais precisou ser ampliada, para garantir o funcionamento contínuo dos equipamentos. “Foram realizadas adequações nas recolhas”, explica o secretário.


Além do benefício individual para quem utiliza o sistema, a administração municipal aposta no impacto coletivo da iniciativa. Ao transformar resíduos em crédito, o programa busca fortalecer a coleta seletiva, reduzir o descarte inadequado de materiais recicláveis e ampliar a participação da população na chamada economia circular, em que os resíduos deixam de ser lixo e voltam à cadeia produtiva. 


Foto: Fernando Gonzaga

Compartilhar: