Um modelo para a cidade

Um modelo para a cidade

O projeto “Eu cuido do meu quadrado”, realizado no bairro Irajá, deixa um exemplo de ação para melhoria da limpeza urbana em Ribeirão Preto

Entre os dias 30 de março e 18 de abril, equipes da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Zeladoria de Ribeirão Preto percorreram os 25 km de vias do quadrilátero formado pelas avenidas Leais Paulista, Senador César Vergueiro, Prof. João Fiúsa, Wladimir Meirelles Ferreira e Eugênio Rocha Filho, no Jardim Irajá. Resultado: recolhimento de 250 m³ de resíduos resultantes de descartes irregulares, capina de meio-fio e galhos e um bairro que, segundo quem acompanhou de perto, parece outro.

 

Varrição, roçada, tapa-buracos, limpeza de bocas-de-lobo, poda de árvores e a recuperação de cinco praças do bairro — Jornalista Fernando Brizolla de Oliveira, Augusto Apparecido Mazza, Miguel Darahem, Nicolau Antônio Calache e Francisco Xavier Balieiro — compõem o escopo das ações executadas.

 

Além dos serviços de zeladoria, a Comissão de Infraestrutura Aérea de Ribeirão Preto (Coinfarp) coordenou a limpeza de cabos aéreos soltos em vias públicas, com execução da CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz) e das empresas de telecomunicações responsáveis. Um ponto de coleta seletiva foi instalado pela Transpetro na Avenida Senador César Vergueiro.

 

"Após as intervenções, observou-se melhora no aspecto urbano, maior conscientização dos moradores e comerciantes e um aumento no sentimento de valorização do bairro", afirma Marília Vendrusculo, gerente de Limpeza Pública da Secretaria de Infraestrutura e Zeladoria. Para ela, o que mais importa nesse contexto é permanência. “O desafio é fazer o cuidado virar hábito e o hábito virar cultura”, afirma.

 

Baseado na Teoria das Janelas Quebradas (quando o entorno comunica abandono, as pessoas abandonam; quando comunica cuidado, as pessoas cuidam), o projeto, chamado “Eu cuido do meu quadrado”, foi proposto pela Revide e nasceu como modelo replicável. A intervenção do poder público foi estratégica, reconfigurando o espaço antes de pedir que a comunidade mudasse de comportamento.

 

Chamou a atenção de Carlos Lázaro Pellozo, presidente do Rotary Club de Ribeirão Preto Olhos D'Água, ver os próprios moradores tomando a frente. “Quando a gente cuida junto, o lixo diminui, o espaço fica mais bonito e o orgulho do bairro volta", comenta ele. Para o presidente do Centro Médico de Ribeirão Preto, Tomas Yung Joon Kim, o que aconteceu no Irajá tem escala maior. "É o primeiro passo para se alcançar uma consciência do bem-estar urbano para a nossa cidade e, futuramente, para a nação", acredita.

 

Isabel de Farias, diretora da Revide, espera ver o projeto estendido a outras regiões da cidade. “Desde o início, a proposta nunca foi apenas sobre lixo, mas sobre sensibilizar as pessoas a se sentirem donas do lugar onde vivem, no sentido afetivo”, conclui.

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