Um novo olhar para a vida
Após três reportagens com informações sobre o câncer de mama, a Revide traz um ensaio fotográfico com 22 mulheres que venceram essa batalha
Durante este mês todo, a Revide se engajou na campanha Outubro Rosa, que, há 25 anos, alerta a população sobre a importância da prevenção e do tratamento do câncer de mama, o segundo tumor que mais acomete as mulheres no mundo todo, e também no Brasil. Na revista, foi feita uma série de reportagens colocando o assunto no alvo de discussão através do olhar de especialistas e de mulheres que viveram essa história na pele.
A primeira reportagem publicada apresentou um panorama da doença que, em 2013, vitimou quase 15 mil pessoas. É por conta de números como esse que a campanha de alerta foi criada, em 1990, em Nova Iorque. No Brasil, a ação simbolizada pelo laço rosa foi popularizada em 2008, quando a cor tomou prédios e monumentos em diversos cantos do país. Em Ribeirão Preto, muitas empresas aderiram à causa, iluminando suas fachadas de rosa ou promovendo ações como, por exemplo, a Corrida/Caminhada Outubro Rosa, realizada pelo Instituto Oncológico de Ribeirão Preto (InORP), em parceria com a Academia Espaço Vita.
Após esta apresentação inicial mostrando o engajamento da iniciativa pública e privada, a Revide deu início a uma sequência que abordou prevenção, diagnóstico e tratamento da doença que afeta 1,67 milhão de mulheres no mundo todo. Foco principal da campanha Outubro Rosa, a prevenção é estimulada por ser o melhor caminho para a detecção e o diagnóstico precoces, elevando as chances de um tratamento bem-sucedido. O Hospital de Câncer de Ribeirão Preto – Fundação SOBECCan é um destaque nesse sentindo por manter, durante o ano todo, o MamaMóvel percorrendo vários pontos da cidade. Trata-se de um projeto multidisciplinar de detecção precoce e orientação para combate ao câncer de mama, por meio de uma unidade móvel equipada para exames das mamas.
A importância de um diagnóstico preciso foi ressaltada na terceira reportagem, reforçando que o exame clínico e a mamografia continuam sendo as formas mais eficazes e precoces de identificação de um câncer de mama. O ultrassom ou a ressonância magnética complementam a investigação, contribuindo para um laudo mais exato. Por fim, a base da última reportagem publicada foi o avanço terapêutico, fator que proporciona, atualmente, que sete em cada dez mulheres que passem pelo tratamento sejam curadas. Drogas quimioterápicas e hormonais menos tóxicas, aliadas a modernos equipamentos, contribuem para o tratamento do câncer de mama de forma integral e mais eficiente.
Nestas três reportagens, a Revide colheu o depoimento de mulheres que foram diagnosticadas com câncer de mama, passaram pelo tratamento e hoje estão curadas. Uma delas ainda está em tratamento. Foi a partir daí que surgiu uma ideia para fechar a série de matérias sobre o tema: fotografar mulheres que venceram essa batalha. A fotógrafa Lidia Muradás emprestou seu olhar sensível para registrar 22 mulheres que levam a marca do câncer na pele e a marca da vitória no peito.
Uma dessas mulheres é a publicitária Chris Carolo que, quase 15 anos depois de ter recebido o diagnóstico, aceitou participar da sessão de fotos. “Nunca, nesse tempo todo, permiti que outra pessoa me visse sem sutiã. Aliás, durante muito tempo, não usei nem biquíni. Estar desnuda, em frente a uma câmera, numa naturalidade que me espantou, fez-me ver que, além de ter superado a doença, superei qualquer trauma que ela pudesse ter me trazido”, afirma Chris.
Ao colher o depoimento dessas mulheres e ouvir suas histórias de superação do câncer de mama, a equipe da redação ficou sensibilizada e decidiu também se despir e se unir à campanha. Elas estão juntas na foto de abertura desse caderno, reforçando a importância desse toque de conscientização. A fotógrafa Lidia Muradás também ficou comovida. “De peito aberto, fotografei e convivi com um tema ainda tão assustador para mim. Conhecer histórias de lutas, batalhas e vitórias emocionantes me fez enxergar esse universo de forma diferente”, conta. Durante as sessões de fotos, ela recebeu um texto de uma das participantes, Margarida Moraes, que compara o processo de toda mulher quando se depara com a doença às amazonas gregas, em especial, Pentesileia, uma guerreira. Diz a lenda que toda Amazona retirava um seio para ter melhor manejo com a flecha. “Foi essa a minha inspiração e, após muito choro diante do computador, revendo as imagens e lembrando dos relatos, posso hoje sorrir, diante de tanta bravura, coragem e determinação dessas mulheres lindas e maravilhosas que me mostraram um novo ângulo paradar mais valor à vida. Agradeço a todas”, complementa Lidia.
As fotos estão na matéria a seguir, propondo uma leitura positiva, mostrando que o câncer de mama tem cura, mas que a prevenção ainda é o melhor remédio. “Outubro Rosa” também virou uma exposição que está em cartaz no Boulevard do Shopping Iguatemi, até o dia 8 de novembro.
Desafiando as lentes
Foi surpreendente para a equipe de reportagem, composta 100% de mulheres, a adesão das convidadas nesse projeto. A expectativa era encontrar forte resistência, afinal, a proposta era desnudar esse momento difícil vivenciado por elas, compartilhando-o, por meio da imagem, com o público em geral. Contrariando o esperado, no entanto, em poucas horas a lista ficou completa. A cada ligação e a cada sim recebido, crescia na redação a empolgação com a disponibilidade dessas mulheres em se despir de qualquer pudor em nome da causa justa: a divulgação da prevenção. Ficou claro, diante de cada história de superação narrada, a necessidade de união em torno dessa importante campanha porque, quanto mais cedo a descoberta, maior a possibilidade de cura. Por isso, em solidariedade a essas e a tantas outras mulheres que enfrentaram com coragem, dignidade e fé o câncer de mama, a equipe de redação decidiu também se expor, desafiar as lentes e as mentes todas, na lembrança de que o Outubro Rosa é, justamente, um momento para que todas as mulheres que não passaram pelo diagnóstico da doença estejam atentas, estejam alertas e realizem os exames preventivos, para evitar serem surpreendidas tardiamente.
Para encerrar o ciclo de matérias publicadas em outubro, a proposta foi fotografar mulheres que venceram o câncer de mama.
Confira o ensaio fotográfico