Pesquisa da USP de Ribeirão estuda dose de radiação em osso de vítima da bomba de Hiroshima
A pesquisa foi publicada na revista científica PLOS One

Pesquisa da USP de Ribeirão estuda dose de radiação em osso de vítima da bomba de Hiroshima

O estudo foi realizado a partir da mandíbula de uma pessoa que estava no bombardeio, que ocorreu no dia 6 de agosto de 1945

Pesquisadores da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP), da USP, realizaram um estudo inédito utilizando ossos de uma das vítimas da bomba atômica de Hiroshima, usada pelos Estados Unidos, na 2ª Guerra Mundial.

A pesquisa, publicada na revista científica PLOS One, aponta um método capaz de dosar, com precisão, a radiação absorvida por amostras de ossos de vítimas de radiação. O estudo foi realizado a partir da mandíbula de uma vítima do bombardeio, que ocorreu no dia 6 de agosto de 1945.

O trabalho foi conduzido durante o pós-doutorado de Angela Kinoshita, sob supervisão de Oswaldo Baffa, professor da FFCLRP. Eles utilizaram técnicas de medição que comprovam a exposição de uma quantidade mortal de radiação no momento da explosão. Os resultados são compatíveis com as doses encontradas em fragmentos de tijolos e telhas dos locais atingidos pelas bombas.

A análise obteve da mandíbula uma dose reconstituída de 9,46 ± 3,4 Gray (Gy). Para se ter uma ideia, em uma sessão de radioterapia, o paciente é submetido a uma dose de 2 Gy, que é aplicada em um local específico do corpo. No futuro, o resultado da pesquisa poderá ser utilizado para determinar qual tipo de tratamento uma pessoa atingida por radiação deverá ser submetida.

“No caso do Césio em Goiânia, por exemplo, se você quer causar pânico e terror na população, basta dizer que tem radiação. Mas, muitas vezes, não vai causar nada, porque o nível é muito baixo. Se você pegar uma bomba comum, e colocar material radioativo, na hora da explosão a substância se espalhará. Isso vai causar pânico”, afirma Baffa, que aponta que o estudo disponibiliza uma metodologia que ajuda a descobrir a dose de radiação que a pessoa foi exposta.

Pesquisa antiga

O professor lembra que existem outros métodos disponíveis para realizar essa medição, porém, ainda não haviam sido utilizados materiais recolhidos de vítimas da bomba de Hiroshima. A pesquisa está nas mãos de Baffa desde os anos 1980, quando o estudo foi iniciado pelo também professor da USP Sérgio Mascarenhas, que trouxe as amostras para Ribeirão Preto.

“Já estou envolvido com este ‘problema’ há um bom tempo, desde os anos 1980, quando o professor Mascarenhas trouxe as amostras para cá. Já tentamos fazer a pesquisa, mas na época não tínhamos muitos recursos técnicos. Com o passar do tempo, os estudos avançaram e retomamos. Deu certo” conta o professor.


Foto: Reprodução

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