Maio Amarelo busca reduzir número de acidentes e mortes no trânsito

Maio Amarelo busca reduzir número de acidentes e mortes no trânsito

Em Ribeirão Preto, número de sinistros e óbitos caiu no primeiro trimestre de 2026, mas índices ainda exigem atenção

Dirigir vai além de controlar o volante ou acionar os pedais. O trânsito é um ambiente coletivo, formado por pessoas, e exige atenção constante a regras, sinalizações e, principalmente, ao comportamento humano. Nesse contexto, campanhas de conscientização como o Maio Amarelo ganham relevância ao propor reflexões sobre segurança viária.

 

Criado em 2014, o Maio Amarelo é um movimento internacional voltado à redução de acidentes de trânsito. A iniciativa surgiu após a Organização das Nações Unidas instituir, em 11 de maio de 2011, a Década de Ação para Segurança no Trânsito. A cor amarela foi escolhida por simbolizar atenção e advertência.

 

Cenário em Ribeirão Preto

 

Dados do Infosiga, sistema de estatísticas do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP), apontam queda nos índices de acidentes e mortes em Ribeirão Preto ao comparar os três primeiros meses de 2025 e 2026.

 

Entre janeiro e março de 2025, foram registrados 584 sinistros, sendo 27 fatais. No mesmo período de 2026, o número caiu para 386 ocorrências, com 17 acidentes fatais. Em relação às mortes, houve redução de 28 para 18 vítimas.

 

Apesar da queda, os números ainda preocupam. Para o engenheiro civil especializado em trânsito Anderson Manzoli, os índices estão mais próximos da média considerada aceitável, mas seguem elevados. “A redução pode estar relacionada a fatores como diminuição de obras em pontos críticos da cidade, aumento da fiscalização, ampliação do número de radares e maior monitoramento eletrônico. As campanhas de conscientização também contribuem para esse cenário”, afirma.

 

Mudanças na CNH

 

Desde dezembro de 2025, alterações promovidas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e pelo Governo Federal modificaram o processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). As regras podem variar conforme o Detran de cada estado.

 

Entre as principais mudanças estão a possibilidade de realizar o curso teórico de forma totalmente online, a redução da carga mínima de aulas práticas para duas horas, o fim da obrigatoriedade do teste de baliza, a eliminação da taxa de reprovação e o uso de veículo próprio no exame prático. Também foi extinto o prazo máximo de 12 meses para conclusão do processo e deixou de ser obrigatória a versão física da CNH.

 

Para a instrutora de trânsito Cristian Mary Girolinetto, as mudanças reduzem custos e tornam o processo mais acessível, mas podem impactar na formação dos condutores. “Já havia dificuldades com o modelo anterior. Agora, existe o risco de termos motoristas menos preparados, que acreditam ter conhecimento suficiente, mas não têm. Isso também afeta os Centros de Formação de Condutores, com redução de alunos e profissionais”, avalia.

 

Já o estudante Leonardo Gibeli, que está em processo de habilitação, vê pontos positivos nas mudanças, principalmente na redução de custos e maior flexibilidade nas aulas práticas. No entanto, ele ressalta a importância do ensino teórico. “Muitos podem fazer o curso de forma rápida e não absorver o conteúdo necessário. Isso impacta diretamente na segurança e no respeito no trânsito”, afirma.

 

Manzoli destaca que as mudanças ampliam o acesso à CNH e podem reduzir a informalidade, mas reforça que o principal desafio é cultural. “O trânsito precisa ser mais colaborativo e menos agressivo. Além disso, é fundamental investir em fiscalização e infraestrutura”, pontua.

 

Importância da conscientização

 

A melhoria do trânsito depende da participação de toda a sociedade. Para especialistas, educação, fiscalização e responsabilidade coletiva são fatores essenciais para reduzir acidentes.

 

Cristian Mary reforça a importância da atuação do poder público. “A maioria dos acidentes ocorre por desrespeito às leis. Por isso, a educação para o trânsito é fundamental na formação de novos condutores”, diz.

 

Ela também destaca o papel do Maio Amarelo. “O objetivo não é multar, mas conscientizar e preservar vidas. A ideia é substituir a cultura do ‘acidente acontece’ pela do ‘acidente pode ser evitado’.”

 

Para Manzoli, ações educativas podem começar ainda nas escolas. “Inserir o tema da responsabilidade no trânsito desde cedo ajuda a formar cidadãos mais conscientes sobre o uso do espaço público”, afirma.

 

A campanha também busca ampliar o debate público sobre o tema. “O Maio Amarelo coloca a segurança no trânsito em evidência e mobiliza sociedade, empresas e poder público”, completa.

 

Em Ribeirão Preto, a RP Mobi disponibilizou uma cartilha com a programação das atividades previstas durante a campanha. O material reúne ações educativas e iniciativas voltadas à conscientização no trânsito. Para conferir, clique aqui.


Foto: Magnific

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