Acidente no Curupira: 2 anos depois, jovem aguarda perícia
Aos 13 anos, Leticia Moraes dos Santos sofreu uma queda no parque; Hoje, aos 15, enfrenta uma rotina intensa de tratamento
Após perder o controle da bicicleta em que estava e bater contra uma árvore no Parque Curupira, Leticia Moraes dos Santos, 15 anos, sofreu traumatismo craniano. O acidente aconteceu no dia 24 de março de 2014, e, dois anos depois, a jovem ainda aguarda perícia médica para constatar seu estado físico e mental. O processo judicial em andamento só será definido depois dos resultados prescritos no exame.
O incidente aconteceu quando a jovem, à época com 13 anos, perdeu o controle da bicicleta ao descer uma ladeira no parque. Letícia sofreu traumatismo craniano e foi submetida a várias cirurgias.
Após o acidente no mesmo local em que morreu, em novembro de 2013, o agente de turismo Vinícius Lucca Kabariti, de 46 anos, a Prefeitura de Ribeirão proibiu o uso de bicicletas no parque.
Vida após o acidente
Leticia ficou internada durante dois meses e meio em coma induzido, que é uma sedação farmacológica controlada, no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HC-RP). A jovem sofreu traumatismo craniano e lesão grave no cérebro, o que a deixou com sequelas físicas e mentais.
Além dos problemas sofridos, a menina não consegue andar sozinha e precisa de uma cadeira de rodas para se locomover. Essas alterações na rotina após o acidente fizeram com que a vida da família mudasse.
Segundo a mãe de Letícia, Eliana Moraes Campos, de 40 anos, a realidade da família é outra depois do dia 24 de março de 2014. “Eu era vigilante e tive que parar de trabalhar para ficar por conta dela o dia todo”, diz.
A mãe conta que a rotina da jovem é dividida em idas a fisioterapia, fonoaudióloga, psicóloga e terapia ocupacional, além de visitas semanais ao HC e a Santa Casa para acompanhamento de sua saúde.
Atualmente, Leticia frequenta a escola três vezes por semana, porém a mãe relata que em razão da lesão causada pelo acidente, a menina de 15 anos não consegue absorver o conteúdo apresentando em sala de aula. Ela afirma ainda que jovem voltou a estudar em julho do ano passado.
“A Leticia ficou com uma pequena paralisia na parte esquerda do corpo, e como o cognitivo ficou afetado ela não consegue acompanhar, mas para isso, nossa família está a ajudando no que é possível”, comenta Eliana.
Gastos mensais
Enquanto o processo da jovem está em andamento, a Prefeitura de Ribeirão Preto oferece um salário mensal aos gastos de Leticia. A mãe da menina diz, que mesmo com a ajuda, a situação é difícil, pois ainda tem de bancar seus outros dois filhos, um de 18 anos e outro de quatro anos.
“É difícil de dizer o valor total dos gastos, mas eu e o meu marido temos que nos preocupar ainda com alimentos, roupas dos filhos, higiene pessoal, além do combustível do carro”, diz.
Eliana fala ainda que a família gasta em torno de R$ 600 de combustível todos os meses, por conta dos acompanhamentos de saúde de Leticia.
Processo em andamento
De acordo com o advogado do caso da jovem, André Renato Servidoni, o processo está em fase de instrução, em que foi designada uma perícia médica para constatar o estado físico e mental da Letícia e suas consequências. “Sendo assim, após o resultado é que teremos uma decisão do juiz”, afirma.
Servidoni, que acompanha o caso desde o ocorrido, conta também que todas as medidas judiciais cabíveis estão sendo tomadas. “Na época, ingressei com uma medida cautelar de antecipação de provas, onde o perito judicial constatou que o local do acidente possuía todas as condições adversas para o passeio de bicicleta, ou seja, pista muito inclinada, curva acentuada e obstáculo muito perto da pista”, explica.
Ele acrescenta ainda que ingressou com uma ação de indenização contra a Prefeitura de Ribeirão Preto, pleiteando a reparação dos danos materiais e morais que decorreram do acidente. Atualmente, o processo de indenização está sem decisão judicial.
Foto: Arquivo Revide