Golpistas aproveitam período de pandemia para enganar população, alerta polícia

Golpistas aproveitam período de pandemia para enganar população, alerta polícia

Sindicato dos Delegados alerta para os principais golpes aplicados; em Santos, uma idosa teve um prejuízo de R$ 14 mil

Desde que foi anunciado o período de isolamento social em todo o país, bandidos têm se aproveitado da situação para aplicarem golpes. De acordo com a delegada Raquel Kobashi Gallinati, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, já foram detectados golpes que estão sendo aplicados por telefone e redes sociais, principalmente Whatsapp.

“Os marginais ficam à espreita, aguardando uma situação que seja favorável à aplicação do golpe. Com a quarentena e a desinformação que ocorre na internet pela disseminação de fake news, os estelionatários encontram o ambiente perfeito para agir, aproveitando as dúvidas das pessoas”, explica a delegada Raquel.

Golpes em Ribeirão Preto

Ao menos dois golpes diferentes foram noticiados no último mês em Ribeirão Preto. No início do mês, golpistas também tentaram se aproveitar da pandemia do coronavírus na cidade. Segundo profissionais da Educação, uma pessoa ligou para uma família, que tem o filho matriculado em uma escola estadual de Ribeirão Preto, informando que ele teria direito a um voucher de R$ 200 durante o período de quarentena.

Para que fosse possível liberar o dinheiro, uma representante de uma empresa que teria uma parceria com o governo, iria até a casa do estudante. Desconfiada, a mãe do estudante ameaçou acionar a Polícia, o que afugentou o golpista.

Em contato com a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, foi informado que o governo não fornece, ou irá fornecer, nenhum auxílio em dinheiro para os estudantes. Muito menos, compartilhar informações pessoais, como telefone e endereço, para empresas. A Secretaria confirmou se tratar de um golpe.

A pasta também informou que caso os pais tenham qualquer dúvida, devem ligar para a Diretoria de Ensino. E que, caso recebam alguma ligação do tipo, devem procurar a Polícia e registrar um boletim de ocorrência.

O segundo golpe foi denunciado pela Secretaria Municipal de Saúde. Segundo a pasta, criminosos estariam se passando por agentes da Vigilância Sanitária  e ligando para moradores solicitando doações em dinheiro para a compra de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual).

De acordo com Secretaria da Saúde, a denúncia partiu de comerciantes que receberam a ligação de um indivíduo, que se identificava como profissional da Vigilância Sanitária, solicitando doações em dinheiro para a compra de EPIs, que seriam utilizados no combate ao novo coronavírus.

"Tal atitude é golpe e que os profissionais da Vigilância Sanitária não solicitam ajuda ou contribuição para qualquer ação", informou a nota do governo municipal. Dúvidas ou informações sobre esse golpe, entrar em contato com a Divisão de Vigilância Sanitária nos telefones 3977-9353 ou 3977-9429.

O Grupo São Lucas também alertou para tentativa de golpes em nome dos hospitais. 

Conheça os principais golpes

- Oferta de cadastro para fazer teste do coronavírus, ganhar máscaras, luvas ou álcool gel.

A vítima recebe uma mensagem, que muitas vezes pode ter sido compartilhada de forma ingênua até por pessoa conhecida, com um link para clicar e fazer o cadastro. O link direciona a vítima para um site falso, onde é solicitado que ela preencha um cadastro com dados pessoais e número de celular. Nesse momento, o número é bloqueado e o estelionatário exige dinheiro para fazer o desbloqueio.

- Cadastro para receber a renda cidadã que será paga pelo Governo e pode chegar a R$ 1.200,00.

A vítima recebe um e-mail ou mensagem com um link para se cadastrar e receber o dinheiro. Nesse link, são solicitados os dados pessoais e do cartão bancário, inclusive o código de segurança. Quando esses dados são informados, o cartão é clonado e as informações usadas para compras pela internet.

- Pedidos de doações para hospitais filantrópicos

Por telefone, golpistas ligam para as vítimas se identificando como representantes de um hospital da região e pedindo doações, informando uma conta para depósito ou até mesmo oferecendo para retirar o dinheiro presencialmente. Normalmente esse golpe tem origem dentro das cadeias.

- Oferta de vacina contra o Covid-19

Criminosos também oferecem por telefone e internet uma falsa vacina contra o coronavírus. Interessada na imunização, a vítima preenche um cadastro ou passa seu endereço por telefone para receber a dose. Quando os falsos agentes de saúde chegam, ela abre sua casa e é anunciado o roubo.

- Ligação do Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde anunciou que está telefonando para 125 milhões de pessoas para levantar informações sobre a pandemia do coronavírus. O objetivo é identificar quem é do grupo de risco ou está com sintomas. Golpistas estão simulando essa ligação para obter dados pessoais e bancários das vítimas.

A primeira característica da ligação real é que será identificado o número 136, do Disque Saúde oficial do Ministério da saúde. Se aparecer no identificador qualquer outro número, a chamada é falsa.

A ligação real também será feita por um robô, com uma voz artificial, não por um telefonista real. O robô vai perguntar somente seu nome, sua cidade, com quem você mora, se é do grupo de risco e se tem sintomas de Covid-19.

"Então é só ficar atento. Se tiver uma pessoa do outro lado da linha e ela perguntar nome, endereço ou qualquer outra informação, pode é golpe", informou o Sindicato dos Delegados.

Como prevenir

“Desconfie sempre”, avisa Raquel. “Quando a oferta parece tentadora, é grande a chance de ser golpe. Não compartilhe nem clique em links de cadastro ou que oferecem alguma coisa”.

- Não entregue dinheiro ou transfira valores solicitados por mensagem ou ligação

- Não abra links enviados por e-mail ou aplicativos de mensagem

- Nunca faça download de software ou aplicativos de origem desconhecida e sempre verifique a fonte da informação.

Para denunciar, a delegada orienta o público a fazer o boletim de ocorrência eletrônico, visto que o atendimento presencial nas delegacias também está limitado em função do combate ao vírus, para proteção dos policiais e do público. É possível registrar boletins de ocorrência neste link.

Prejuízo de R$ 14 mil 

No último dia 15, em Santos, uma idosa foi enganada por estelionatárias que se passaram por funcionárias de banco e teve R$ 14 mil de prejuízo. Uma mulher telefonou para a idosa informando ser funcionária do banco e que ela teve o cartão clonado. Por conta disso, o banco bloqueou o cartão e solicitou diversas informações para a vítima.

Após conseguir os dados, por telefone, a golpista informou que mandaria uma funcionária buscar o cartão na casa da vítima, visto que ela é do grupo de risco e não deveria sair de casa para entregar o cartão clonado na agência.

Sem desconfiar de nada, a idosa abriu a porta para a suposta funcionária e entregou seu cartão. A golpista foi flagrada pelas câmeras de monitoramento do prédio entrando com o rosto coberto por uma máscara, para prevenir a transmissão do vírus.

Quando contou os fatos para o filho e ele fez o alerta de que ela foi vítima de um golpe, as criminosos já haviam sacado R$ 4 mil e feito R$ 10 mil em compras com o cartão.

“Os estelionatários são convincentes, falam bem e são persuasivos”, alerta Raquel. “A principal dica é: desconfie sempre, porque sem informação, o estelionatário não consegue nada”, explica a delegada, lembrando que o golpe só é possível a partir das informações fornecidas pela própria vítima.

 


Foto: Pixabay - Imagem ilustrativa

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