História de dedicação

História de dedicação

Arquiteto e artista visual, Nilton Campos desempenha funções muito além de um cargo de gestão no Museu de Arte de Ribeirão Preto (Marp)

"Meu nome é Nilton de Oliveira Campos. Nasci em 1965, em Capivari da Mata (SP), uma pequena vila próxima à Ituverava. Quando eu era ainda muito pequeno, minha família se mudou para Ituverava e, depois, para Ribeirão Preto. Vivemos no bairro do Ipiranga, e mais tarde nos Campos Elíseos, onde meus pais passaram a administrar um bar, onde trabalhei por um período.
Meus pais sempre foram pessoas muito criativas e habilidosas e acredito que isso influenciou quem eu sou. Na adolescência, eu vivia criando e transformando coisas. Até produzi artesanato para vender.

Cursei Arquitetura e Urbanismo de 1984 a 1988, no Moura Lacerda. Com a faculdade, intensifiquei minha produção de artes visuais, realizando, em 1986, minha primeira exposição. No período, também trabalhei como desenhista para projetistas e arquitetos e fiz um estágio voluntário nos museus municipais de Ribeirão Preto, em 1987. Ainda como estudante, em 1988, eu e alguns colegas reinauguramos a Sala Prof. Alberto França, no Moura Lacerda, ativando o espaço por meio de exposições e ações culturais.

Entre 1990 e 1992, frequentei a Oficina Cultural Candido Portinari, que me proporcionou uma segunda formação. Nesse período, criei com outros artistas o grupo Xiloficina, frequentei a Escola de Arte do Bosque e passei a enviar projetos artísticos para diversos salões de arte, incluindo o Salão de Arte de Ribeirão Preto (SARP). Em 1992, integrei pela primeira vez a Comissão Organizadora deste Salão.

Logo após a minha graduação, comecei a trabalhar em parceria com o arquiteto Gabriel Figueiredo. Em 1990, inauguramos o espaço D’Epoca, um lugar de desenvolvimento de projetos, venda de móveis antigos e ateliê de arte. Posteriormente, fundamos o escritório NC.GF – Arquitetos, onde realizamos projetos arquitetônicos, fizemos produção de arte, projetos gráficos, expografias, programações visuais e direções de arte por quase 15 anos. Criamos cenários e figurinos para espetáculos teatrais e de dança. Recebemos, com a Cia. Teatral Légua de Beiço, o prêmio de Melhor Cenografia do Mapa Cultural Paulista, em 1997; e em 1998, o prêmio de Melhor Cenário, Figurino e Adereços, no Festival de Teatro Amador do Estado de São Paulo. Também por volta de 1997, fomos convidados a desenvolver uma nova identidade visual para as exposições do Museu de Arte de Ribeirão Preto (MARP), que fora inaugurado em 1992. O trabalho incluiu a realização de expografias e outras demandas até o ano de 2000. 

Em março de 2002, fui convidado a assumir a gestão do MARP e, desde então, em um trabalho de equipe, desenvolvemos programações anuais extensas. Por estar no museu, optei por colocar minhas produções de arquitetura e artes visuais em segundo plano. Passei a desempenhar diversas funções no museu, pela ausência de equipes técnicas, como curadoria, coordenação do educativo, programação visual, projetos gráficos, expografia e catalogação do acervo. Nesse processo necessário de formação, destaco o curso de conservação e restauração de obras de arte, do qual participei de 2006 a 2011.

No início da minha trajetória no museu, considero importante a criação do regimento interno e a elaboração do estatuto de fundação da Associação de Amigos do MARP (Aamarp), em 2003.
Atualmente, coordeno a Gerência de Patrimônio na Secretaria Municipal da Cultura e Turismo e sigo na gestão do MARP, que tem excelente prestígio como um dos principais museus de arte contemporânea do Estado. Espero que, no futuro, o museu encontre condições de estabelecer outros mecanismos compartilhados de gestão, que garantam, dentre outras coisas, a estrutura necessária para sua manutenção e a formação de equipes técnicas qualificadas e permanentes.


Conduzir o MARP por quase 24 anos representa uma grande realização pessoal, construída com dedicação.


Ao longo dessa trajetória, realizei muitos projetos, participei de diversas exposições, recebi prêmios em salões e atuei também em várias comissões de seleção e premiação de salões de arte em diferentes cidades. Desenvolvi projetos expográficos e realizei laudos técnicos, para exposições em instituições brasileiras. Aos poucos, tenho retomado com afinco a minha produção artística, algo essencial pra mim."

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