Cade aprova fusão de Dabi Atlante e Gnatus
Empresas ribeirãopretanas são as líderes do setor de equipamentos médico-odontológico
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou nesta quarta-feira, 25, a fusão de duas empresas ribeirãopretanas, a Dabi Atlante S/A e a Gnatus Equipamentos Médico-Odontológicos Ltda.
Essas empresas estão entre as líderes de mercado no setor brasileiro de produtos odontológicos. No Acordo em Controle de Concentrações (ACC) aprovado, elas se comprometeram a adotar remédios estruturais e comportamentais que não influam no mercado e não acabe com a concorrência.
Uma ação será o desinvestimento da marca “Gnatus” em favor de um agente econômico com as condições necessárias para rivalizar com a nova empresa. "O objetivo é gerar um novo competidor a fim de mitigar os efeitos anticompetitivos causados pela fusão”, explicou o conselheiro relator do caso, Paulo Burnier.
Dabi e Gnatus também propuseram o fim da exclusividade na distribuição dos produtos e na prestação de serviços de assistência técnica, além de não assinar novos contratos de exclusividade desta natureza pelo prazo estabelecido no ACC.
Na avaliação do Cade, os remédios propostos serão aptos a manter a concorrência no setor de produtos odontológicos no país. “O fim da exclusividade na distribuição de produtos e na prestação de serviços de assistência técnica, bem como a venda de uma das marcas principais, no caso a 'Gnatus', são suficientes para preservar o ambiente competitivo no mercado em questão”, disse o conselheiro.
Burnier ainda lembrou que a entrada de um novo player com condições de rivalizar com os demais competidores irá manter o número de concorrentes anterior à fusão.
Os remédios endereçados pelo ACC foram tomados depois que a fusão teve parecer pela sua impugnação. No último mês de agosto, a Superintendência-Geral do Cade não recomendou ao Tribunal da autarquia a aprovação da operação da maneira que ela havia sido apresentada.
Na ocasião, a Superintendência entendeu que o ato de concentração, como estava estruturado, poderia resultar em aumento dos preços dos produtos e na eliminação dos concorrentes.
Com o ACC e os consequentes remédios aprovados na sessão desta quarta-feira, o Cade entende que os aspectos concorrenciais do mercado serão preservados.
Em nota, o presidente da empresa, Luiz Roberto Kaysel Cruz, diz que o conselho de administração já definiu o corpo diretivo da nova empresa e que todo o processo de integração das empresas será conduzido de “forma transparente”.
“No curto prazo, nada muda. A comercialização dos produtos com a marca Gnatus continua normalmente e haverá um prazo adequado para que a venda da marca no Brasil ocorra. Em relação às marcas Dabi Atlante não haverá alterações. Estamos confiantes de que juntos fortalecemos as bases já existentes para nos consolidarmos como uma empresa global na área da saúde”, afirmou.
Fotos: Arquivo Revide