Uma vida dedicada à família e ao trabalho

Uma vida dedicada à família e ao trabalho

Fundador da Gráfica São Francisco, Luiz Uzuelle deixou um legado de valores, honestidade e amor

Faleceu, aos 98 anos, Luiz Uzuelle, homem de personalidade forte, trabalhador e dono de uma alegria contagiante. Ele deixa esposa, dois filhos, quatro netos e sete bisnetos, que guardam consigo o exemplo de sua trajetória marcada por dedicação, amor à família e ao trabalho.


Desde cedo, o esforço foi parte de sua vida. Ainda menino, aos 9 anos, começou a cortar cana ao lado do pai e precisou deixar os estudos antes de concluir o terceiro ano do Ensino Primário (Fundamental I da época) para ajudar na roça. Mais tarde, em 1957, fundou a Gráfica São Francisco, batizada em homenagem ao pai, Francisco, nascido em Milão (Itália). Ali, construiu não apenas um negócio, mas também um espaço de convivência e aprendizado para filhos e netos, que seguiram seus passos. “Ele dizia que sua maior conquista era ver a família unida, trabalhando pelo mesmo ideal”, recorda a filha Valdenize Uzuelle.


Conhecido por sua ética, Uzuelle repetia que a palavra dada tinha mais valor do que qualquer documento. Costumava dizer: “Não prometa nada que não possa cumprir”. Para ele, honestidade e dedicação eram os pilares de qualquer realização. Brincalhão, gostava de contar piadas aos funcionários, estava sempre presente e atento a cada detalhe da produção. Reforçava que o segredo do sucesso era ser o primeiro a chegar e o último a sair, lema que viveu até os últimos dias.


Fora do trabalho, encontrava alegria na convivência familiar. Palmeirense apaixonado, gostava de futebol, mas sua verdadeira paixão eram os encontros de domingo, na chácara da família. Lá, jogava bola com os filhos e netos, cuidava do pomar, capinava, nadava com as crianças e celebrava a união. Também cultivava o hábito de tomar chope com os netos, sempre regado a boas histórias.


Mesmo debilitado com o passar dos anos, Uzuelle nunca perdeu a leveza, dizem. “Ele compartilhava apenas coisas positivas. Nunca gostava de falar sobre assuntos ruins”, lembra a filha. Sua filosofia de vida refletia esse otimismo: ser justo, trabalhar duro e valorizar o que realmente importa.


Em seus últimos dias, permaneceu lúcido e fiel à sua essência. Pouco antes de partir, confidenciou estar triste por não poder mais trabalhar. Desejou falecer em um sábado e ser enterrado no domingo, para que nenhum funcionário perdesse um dia de serviço – e assim aconteceu, como uma última prova de sua ligação com a gráfica e com os colaboradores.


Uzuelle também deixou registrado em livro, escrito em pequena tiragem para filhos, netos e bisnetos, a sua trajetória e as lições que desejava transmitir às próximas gerações. Entre elas, a certeza de que conquistas só vêm com muito trabalho, honestidade e dedicação. 

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