Especial obras Ribeirão Preto: agora vai?
Antigo complexo da Cianê começa a ser transformado em campus federal de ensino: 60% das obras foram concluídas

Especial obras Ribeirão Preto: agora vai?

Após anos de promessas frustradas, Ribeirão Preto inicia a implantação do Instituto Federal em um antigo símbolo industrial abandonado por décadas nos Campos Elíseos

Depois de inúmeras promessas frustradas, Ribeirão Preto vai finalmente ver o Instituto Federal de São Paulo (IFSP) começar a funcionar na cidade. Em agosto deste ano, três cursos de qualificação profissional têm previsão para iniciar as primeiras turmas em uma sede provisória, no Parque Ribeirão. Porém, a construção do novo campus, no antigo complexo da Cianê, no bairro Campos Elíseos, ainda não tem data para ser concluída. 


O novo prédio deve custar R$ 28 milhões aos cofres públicos. Segundo o coordenador de implantação do campus, Paulo Sérgio Calefi, 60% da obra já foi concluída. “O barracão já foi coberto, está em processo de colocação de esquadrias e regularização interna. A primeira etapa acabou levando mais tempo porque a situação do terreno era mais complexa do que se imaginava inicialmente”, afirma.


A escolha do antigo complexo industrial também carrega significado simbólico e urbano. Durante décadas, o antigo complexo industrial da Cianê, na avenida Costa e Silva, ajudou a movimentar a economia e o crescimento urbano de Ribeirão Preto. Depois do encerramento das atividades da fábrica, nos anos 1980, o espaço mergulhou em abandono, degradação e sucessivas promessas de reutilização. Parte da estrutura abandonada foi tombada pelo Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural, em 2010, como reconhecimento do valor histórico e industrial do conjunto para a memória urbana de Ribeirão Preto. 


Segundo Calefi, a localização do espaço foi decisiva para o projeto. “A cultura, a ciência, a tecnologia e o trabalho fazem parte da proposta pedagógica dos Institutos Federais. Os cerca de 60 anos de funcionamento da indústria têxtil naquele espaço têm relação direta com essa identidade”, explica.

 

MODELO


Autorizado oficialmente pelo Ministério da Educação, em março de 2026, o campus Ribeirão Preto do IFSP deverá ter cursos técnicos, ensino superior, pesquisa aplicada e projetos de extensão voltados principalmente à população de baixa renda e às demandas econômicas e sociais da região. Ficará em uma região cercada por bairros populosos e próxima de importantes corredores de transporte público, o que deve facilitar o acesso de estudantes de Ribeirão Preto e cidades vizinhas.


Ribeirão discutia a implantação de uma unidade federal desde a década passada, mas tentativas anteriores não avançaram por falta de recursos e articulação política. “Nesta etapa, destaco o interesse do poder público e da reitoria do IFSP”, afirma Calefi.


Inicialmente, o campus deverá oferecer cursos técnicos integrados ao Ensino Médio nas áreas de Desenvolvimento de Sistemas, Internet das Coisas e Biotecnologia, além de licenciatura em Computação e Matemática. Em funcionamento pleno, a unidade poderá atender cerca de 1.400 estudantes.


O modelo dos Institutos Federais prevê reserva de metade das vagas para estudantes de escolas públicas, distribuídas em cotas sociais, raciais e para pessoas com deficiência, além de programas de permanência estudantil com auxílio para transporte, alimentação e moradia. “Além de propiciar acesso a uma educação gratuita e de excelência, o campus disponibilizará condições para que os estudantes permaneçam e concluam seus cursos”, afirma Calefi.


A expectativa é que a chegada do IF também provoque impactos urbanos na região dos Campos Elíseos. Segundo o coordenador, a própria limpeza do terreno já alterou parte da dinâmica do entorno. “A limpeza eliminou um problema socioambiental e estimulou novos investimentos privados na região”, garante. 

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